Jornal O Globo
Clica aqui pra me seguir no Instagram O coração de “Yellowstone” (leia sobre ela aqui) agora bate no Texas. A frase é meio dramática, mas combina com “Rancho Dutton”. Beth (Kelly Reilly) e Rip (Cole Hauser), o casal-sensação da série estrelada por Kevin Costner, protagonizam essa produção — e que produção. Esqueça as disputas políticas e os jogos de poder: esse novelão abraça o melodrama irrestrito sem qualquer constrangimento. Ele estreou mergulhado em tudo o que os fãs esperam: cavalgadas, paisagens selvagens, boiadas cruzando a tela (com a câmera demorando nos focinhos das vacas bufando), chapéus, botas, rodeios e muitas (mesmo) cenas de pôr do sol. Diferentemente de “Yellowstone”, a nova aventura é um melodrama puro-sangue, sem sutilezas e cheia de maniqueísmos. A primeira temporada terá nove episódios; cinco já estão disponíveis na Paramount+. Beth (Kelly Reilly) e Rip (Cole Hauser) Paramount O público fiel acompanhou a formação do latifúndio dos Dutton em Montana. Essa história foi apresentada em “1883” e, depois, em “1923” (leia mais aqui). Já “Rancho Dutton” nos leva ao futuro pós-Yellowstone. John (Kevin Costner) está morto e a família se dissolveu. Beth e Rip até tentam se estabelecer na fazenda que ela herdou, mas uma tragédia atrapalha os planos deles. É quando surge uma oportunidade nos arredores de Rio Paloma, perto da fronteira mexicana. O casal compra uma propriedade e se muda para lá com o filho, Carter (Finn Little). A geografia é outra, mas Beth e Rip continuam esbanjando química e é isso que importa. Carter/Finn Little Paramount Carter se tornou um adolescente gentil, está descobrindo o sexo com uma patricinha da região. A garota é neta de Behulah Jackson (Annette Bening), vizinha dos Dutton e antagonista de Beth. O namoro dos jovens tem, portanto, um quê de Romeu e Julieta. Essa trama é a mais desinteressante: a força de “Rancho Dutton” se concentra no elenco maduro. Além de Annette Bening, Ed Harris brilha como Everett McKinney, um veterano de guerra que atua como veterinário. Ele tem um passado romântico com Behulah. A ação vem dos encontros e desencontros amorosos e dos conflitos familiares. Em Montana, Beth tinha um sobrenome conhecido e ostentava o poder do pai para vencer disputas. Agora, ela tem de se afirmar sem o empurrãozinho do nepotismo. Ela consegue, claro. O espectador imagina as posições políticas dos personagens, porque o mundo não deixa a gente assistir a nada sem pensar nisso — e o ambiente é o do agro. Porém, o enredo passa longe de posicionamentos. Há uma menção rápida à onda anti-vacina que atinge até os criadores de gado e culmina em terríveis surtos de febre aftosa. Mas é só. “Rancho Dutton” não chegou para surpreender. Ao contrário. Tudo nela seduz justamente pela familiaridade. O público tem a agradável sensação de reencontro. Até a abertura, tonitruante, é alusiva às outras séries da franquia de Taylor Sheridan. Para quem gosta (eu gosto), vale a viagem. Cena de quinta temporada de 'Yellowstone' com Kevin Costner Divulgação
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