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Três exposições de moda imperdíveis que narram as vidas de mulheres extraordinárias | Collector
Três exposições de moda imperdíveis que narram as vidas de mulheres extraordinárias
Vogue Brasil

Três exposições de moda imperdíveis que narram as vidas de mulheres extraordinárias

Nenhuma das três se via como fashionista. Para Elizabeth II, a roupa era obrigação de cargo; Sirikit da Tailândia entendia-a como dever de representação; e Cayetana, duquesa de Alba, vestia-se segundo seu próprio capricho – entre o esplendor e o caos. Ainda assim, cada uma deixou, no guarda-roupa do século XX, uma marca mais duradoura que muitas profissionais da moda. A coincidência é irresistível: Londres, Paris e Sevilha recebem exposições que narram a vida dessas mulheres por meio de seus trajes. E o que fica evidente é que o armário pode contar tanto quanto qualquer biografia oficial. Queen Elizabeth II: Her Life in Style King’s Gallery, Palácio de Buckingham. Aberta até 18 de abril de 2017. Vestido de gala criado por Norman Hartnell para Elizabeth II em 1958 Cecil Beaton /Victoria and Albert Museum, London (Divulgação), Getty Images e Divulgação Em Londres, Queen Elizabeth II: Her Life in Style, na King’s Gallery do Palácio de Buckingham, celebra o centenário da monarca. São mais de 300 peças – metade inédita ao público – que vão de um vestido de tule e lamê prateado de Edward Molyneux, datado de 1934, ao loden com capuz criado por Angela Kelly para os passeios em Windsor. A curadora Caroline de Guitaut não hesita: “A rainha seguia a moda à risca”. Croquis com anotações manuscritas mostram Elizabeth opinando sobre tecidos e escolhendo cores coma convicção de quem trata a indumentária como diplomacia: na Austrália, acácias douradas bordadas na estola; no Japão, flores de cerejeira; na Irlanda, trevos. “Se eu usasse bege, ninguém saberia quem eu sou”, disse certa vez a monarca, coloridíssima para que os súditos sempre pudessem encontrá-la na multidão e, quem sabe, contassem aos netos que a viram com os próprios olhos e que ela realmente existiu. Além das joias e do glamour, impressiona, também, o cotidiano: a mulher de casaco de tweed e botas de borracha, os guarda-chuvas transparentes da Fulton com faixa combinando ao traje. A sagacidade estava na repetição calibrada – uma gramática visual que transformou previsibilidade em autoridade. La Mode en Majesté Musée des Arts Décoratifs. Aberta até 1° de novembro de 2026. Rainha Sirikit da Tailândia Cecil Beaton /Victoria and Albert Museum, London (Divulgação), Getty Images e Divulgação Do outro lado do Canal da Mancha, o Musée des Arts Décoratifs, em Paris, apresenta La Mode en Majesté, sobre a parceria entre Sirikit e Pierre Balmain. A história começa quase por acaso, no fim dos anos 1950, quando o estilista viaja à Ásia e é apresentado ao círculo da rainha. Filha de um príncipe-embaixador, Sirikit passou parte da juventude na França – foi em Fontainebleau que conheceu o marido, o futuro rei Rama IX. Balmain foi recebido em audiência no palácio em outubro de 1959 e saiu comdezenas de encomendas. A colaboração durou três décadas. Reunindo cem modelos, a mostra oscila entre a alta-costura francesa e os trajes tradicionais do antigo Sião. Uma peça notável é a variação do Chong Kraben em brocado de seda dourada, bordado de pérolas, de 1982 – poucos meses antes da morte de Balmain. Seu sucessor, Erik Mortensen, soube manter o diálogo entre Paris e Bangkok: em 1985, imaginou uma robe de soirée cujo corpete asiático em brocado dourado encontrava uma saia de cetim vermelho, puramente parisiense. Revistas Newsletter Cayetana: Grande de España Palácio de las Dueñas. Aberta até 31 de agosto de 2026. Em Sevilha, no esplêndido Palácio de las Dueñas, a Fundação Casa de Alba inaugurou Cayetana. Grande de España para o centenário de nascimento da duquesa. Curada por sua filha Eugenia e pela historiadora Cristina Carrillo de Albornoz, a mostra apresenta 200 peças – alta-costura, fotografias de Cecil Beaton e Richard Avedon, cartas trocadas com Elizabeth II e Jackie Kennedy. Cayetana nunca foi convencional: era caótica, exuberante. Nos anos 1960, transformou a Espanha num playground do jet set, reunindo num mesmo baile Grace de Mônaco e Jackie Kennedy (que, detalhe, passaram a noite sem trocar uma palavra).Em1959, organizou um desfile da Dior no Palácio de Liria para apoiar o jovem Saint Laurent, que lhe ficou eternamente grato. Vestir a duquesa era privilégio de qualquer costureiro – e Balenciaga, dizem, nunca a perdoou por não o ter entre seus favoritos. A editora Assouline publica, em paralelo, um belo catálogo que revela a intimidade daquela que o povo chamava apenas de “La Duquesa” – a mulher que, ao casar-se pela terceira vez, tirou os sapatos e dançou flamenco na porta do palácio. Cayetana vestida com traje cordovês em Sevilha, 1965 Cecil Beaton /Victoria and Albert Museum, London (Divulgação), Getty Images e Divulgação O que une essas três figuras é o modo como, sem pretensão, gravaram seus nomes na moda. Elizabeth transformou a roupa em instrumento de Estado. Sirikit converteu a alta-costura numa ponte entre Oriente e Ocidente. Cayetana desprezou o protocolo e construiu uma persona tão livre quanto inesquecível. Três armários, três temperamentos, três maneiras de dizer ao mundo quem se é – sem seguidores, sem a efemeridade das modas virais, sem influência. Rumo à eternidade.

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