Vogue Brasil
Para muitas pessoas esta é uma pergunta simples de responder. Motorista, astronauta, piloto, médica, advogada..., mas para pessoas LGBTQPIAN+ essa pergunta nunca foi sobre carreira ou profissão, foi sobre sobreviver. Nunca me esqueci, em uma das minhas muitas visitas em casas de acolhimentos de pessoa LGBTQPIAN, quando uma senhora transgênera me respondeu uma ds coisas mais impactantes que já ouvi. Quando a perguntei: “Quando jovem, o que você gostaria de ser quando crescer? E ela rapidamente me respondeu: “Minha filha, eu só queria viver”. Ou ainda, em outra circunstância, quando palestrei em uma outra casa de acolhimento e puder contar sobre a minha origem na extrema pobreza, e tudo o que eu havia galgado, uma moça, preta, retinta e lésbica, veio falar comigo ao final com os olhos marejados e emocionada sobre como me ouvir a fez voltar a ter a esperança de que algum futuro seria possível. Revistas Newsletter Nenhuma dessas histórias faz muito tempo, por isso, em 2026 quando vejo muitas empresas deixarem de patrocinar e apoiar a Parada do Orgulho LGBTQPAIN+ e penso sobre as milhares de pessoas LGBTQIAN+, em todos o país, que seguem enfrentando as mais diversas vulnerabilidades que as impendem de sonhar, eu penso em como podemos e devemos mostrar e patrocinar os futuros possíveis. É possível ter uma família. É possível ser amado. É possível ter uma carreira. É possível viver para além de sobreviver, e é possível ser feliz. Temos hoje na sociedade, diferente de na minha infância, uma série de histórias que podem nos inspirar, e nos mover em frente. Além da minha própria história eu poderia falar de Isa Silva, do Acredite no Seu Axé, de Maitê Schnneider, da Trans Empregos, do Igor Cosso, ator, da Mayara Marcanzoni, especialista em Gestão de Pessoas na Sicredi. As referências são muitas, e todas elas nos apontam na mesma direção: há futuros possíveis. Neste caminho, visibilidade e apoio são fundamentais. No ano de 2026 quando vejo algumas empresas caminhando para trás, aparentemente envergonhadas de se associar a causa, penso em quantas crianças e jovens LGBTQPIAN+ passaram pelas angústias e receios de serem rejeitados por familiares e amigos. Enfrentando o medo de nunca vir a ter um lugar em meio a sociedade. Superamos todos os nossos sonhos. Somos cidadãos, somos consumidores, somos parceiros, e marcas que ainda insistem em negar essa realidade seguem rumo ao passado. Talvez a pergunta mais urgente para pessoas LGBTQPIAN+ não seja mais "o que você quer ser quando crescer?", mas sim "em que mundo você poderá crescer?". Construir futuros possíveis passa por garantir algo que muitas pessoas ainda não têm, tal como o direito de existir com dignidade, segurança e oportunidades. Nada está ganho, o futuro tem pressa. Canal da Vogue Quer saber as principais novidades sobre moda, beleza, cultura e lifestyle? Siga o novo canal da Vogue no WhatsApp e receba tudo em primeira mão!
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