Jornal O Globo
Associações de vítimas de abusos sexuais dentro da Igreja Católica denunciaram não ter sido convidadas para um encontro que o Papa Leão XIV terá com algumas delas na segunda-feira (8), em Madri. O tema será um dos destaques da visita do Pontífice à Espanha, juntamente com imigração e justiça social. O Vaticano anunciou que o Papa se reunirá com vítimas de abusos sexuais na Igreja durante sua atual viagem de sete dias à Espanha. Segundo a imprensa espanhola, esse encontro ocorrerá finalmente na tarde de segunda-feira na Nunciatura Apostólica. Mas várias associações de vítimas, que no passado criticaram a Igreja por sua opacidade em relação aos abusos, denunciaram não ter sido convidadas para a reunião e pretendem manifestar sua indignação na manhã de segunda-feira em frente à sede da Nunciatura, no norte da capital espanhola. — Não termos sido convidados é um golpe (...) Acho que merecemos ter protagonismo. Há muitos anos que, enquanto associações, estamos na linha da frente [das denúncias contra a pedofilia na Igreja] — declarou à AFP, neste domingo, Juan Cuatrecasas, porta-voz da associação Infância Roubada. Miguel Hurtado, que denunciou ter sido abusado por um sacerdote aos 16 anos na Abadia de Montserrat, em Barcelona, disse à Radio4 que "o que pretendem é que seja uma reunião estritamente controlada pela hierarquia católica para que não dê uma imagem ruim e não afete a figura do Papa e a mensagem que querem transmitir". De fato, o Papa pretende visitar essa abadia, onde Hurtado antecipou que haverá protestos. O Defensor do Povo (ombudsman) espanhol estimou, em um relatório publicado em 2023 que, desde 1940, mais de 200.000 menores podem ter sofrido agressões por parte de religiosos católicos. Segundo Cuatrecasas, vão participar da reunião com o Papa vítimas acompanhadas pelo Projeto Repara, do Arcebispado de Madri, o que, em sua avaliação, fará com que "a realidade que o Papa verá seja uma realidade totalmente enviesada". Em março, o governo espanhol de esquerda e a Igreja assinaram um acordo para indenizar as vítimas de crimes sexuais, após anos de reticências e opacidade por parte da hierarquia eclesiástica. No voo que o levou a Madri, no sábado, Leão XIV afirmou que "os abusos são uma ferida ainda aberta". O avião papal pousou pouco antes das 10h15 (horário local) no aeroporto Aeroporto Adolfo Suárez Madrid-Barajas, na capital espanhola, onde o Pontífice foi recebido pelo rei Felipe VI, pela rainha Letizia Ortiz Rocasolano e pelo presidente do governo espanhol, Pedro Sánchez.
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