Jornal O Globo
Ao longo da História, as golas transmitiram mensagens variadas. Autoridade, intelectualidade, romantismo, status, timidez, ousadia. Subiram e desceram inúmeras vezes, de acordo com o zeitgest. Nesta temporada, estão definitivamente em alta. Basta dar uma olhada nas últimas coleções internacionais: Valentino, Loewe, Chloé, Ralph Lauren... A lista de etiquetas que colocou o pescoço no foco é imensa. “Deixam qualquer modelagem mais forte e poderosa”, diz a stylist Manu Carvalho. Vestido da grife francesa Chloé GettyImages A gola rufo, por exemplo, que atingiu o seu auge no século XVI, na Era Elisabetana, voltou adaptada e pronta para a arrematar vestidos e camisas com tom dramático, como na Erdem. Na Valentino, também há modelos maximalistas que remetem ao passado. Na Chloé, a gola alta complementa o visual boho sofisticado. “Essa predominância, em coleções internacionais e nacionais, reflete o empoderamento feminino que estamos vivendo”, analisa Manu. “Desde o modelo minimalista ao barroco, é um recurso capaz de conferir altivez às mulheres.” A gola superalta na proposta da Courreèges GettyImages Formas arquitetônicas, laços e broches são outra vertente. “Hoje as golas são extensões, mas já foram acabamento, separadas das roupas”, frisa a estilista e professora da PUC-Rio Luiza Marcier. Representante da estética existencialista do pós-Segunda Guerra, a rulê foi eternizada pela atriz norte-americana Jean Seberg (1938-1979), no filme “Acossado” (1960), de Jean-Luc Godard (1930-2022). Em 2026, esticada ao máximo, ganhou o nome de funil, como mostra Courrèges. A função primordial desafia o tempo: “Protegem o pescoço e emolduram o rosto”, conclui Luiza.
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