Jornal O Globo
A chuva e a temperatura por volta dos 20ºC no Rio (um frio considerável para cariocas), não desanimaram os 40 corredores amadores que se concentraram no Palácio do Catete, na terça-feira retrasada. Era noite de “corre social” da 5AM Running, crew formada no fim de 2024 por amigos adeptos da corrida de rua. Ao longo do circuito de 6,5 quilômetros, até o Xepa Bar, em Botafogo, um clima de balada e curtição se instalou com a playlist comandada pelo social media Victor Hugo Silva, de 26 anos, que acompanhava a galera de bike com sua caixa de som. “A música leva a proposta de festa para o corre, sem ela já vira outro tipo de experiência”, comenta o carioca. O evento segue a lógica das running parties, tendência global que aproxima o universo da corrida ao da vida noturna. Música alta, clima de balada e confraternização pós-treino fazem parte da experiência, formato que ganhou projeção com iniciativas como o Diplo’s Running Club, criado pelo DJ Diplo, em 2024; e a Run Travis Run, de Travis Barker, baterista da banda Blink-182. A estudante de Publicidade e Propaganda Lívia Marinho, de 20 anos, viveu, pela primeira vez, a experiência da 5AM. “É uma atividade em que consigo não só cuidar da minha saúde física, mas também me divertir, fazer amigos e extravasar”, comenta a carioca. “É muito melhor do que boate.” Corrida com eletrônica do Hybrid Club Marina Calderon Maycon Torres, professor do departamento de Psicologia da UFF, pontua alguns benefícios da prática a partir da ligação com o sentimento de pertencimento a uma comunidade. “Esse tipo de evento incentiva encontros fora do mundo virtual, melhorando índices de ansiedade e quadros depressivos”, afirma o psicólogo, que também chama a atenção para certos cuidados: “Temos que nos alertar à vigilância excessiva nas redes sociais, uma necessidade de postar para o outro ver.” O Hybrid Club, grupo criado em dezembro do ano passado, levou cerca de 200 pessoas ao Museu de Arte Moderna do Rio para largar num circuito de 5,5 quilômetros até a Praça XV, no Centro, ao som de música eletrônica remixada em tempo real por um DJ. O clima era de rave, com corredores dançando, fumando e bebendo antes, durante e depois do percurso. “Precedemos esse modelo de colocar alguém para tocar ao longo da corrida. A ideia é expandir esse movimento no Rio”, afirma o fundador do grupo, Lucas Lima, de 25 anos. Corre social do 5AM Running Club Marcelo Theobald A cientista de dados Samya Pinheiro, de 40, corre regularmente há dois anos e meio e variou a rotina de treinos na “running rave” do Hybrid Club. Ela observa o corte geracional que domina o movimento de priorizar atividades esportivas a boates, mas afirma não se encaixar nesse perfil. “Sou uma millennial que ainda gosta de sair à noite, mas acho que tem como conjugar as coisas. Correr não precisa ser sempre aquela cobrança enfadonha, a busca por performance. Prefiro o equilíbrio entre lazer e o cuidado com a saúde”, conclui a curitibana.
Go to News Site