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'Mundo não está preparado para crises cada vez mais frequentes', afirma diretora do FMI
Jornal O Globo

'Mundo não está preparado para crises cada vez mais frequentes', afirma diretora do FMI

A diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva, afirmou que, após enfrentar uma crise após outra nos últimos anos, o mundo precisa construir bases capazes de resistir a choques que se tornaram mais frequentes. — Preocupa-me que ainda não estejamos internalizando plenamente que é assim que o mundo será— disse no podcast Bloomberg Leaders with Francine Lacqua. — Não chegaremos a um ponto em que os choques simplesmente desapareçam. Míriam Leitão: FMI vê economia brasileira com "notável resiliência" e recomenda poupar receitas do petróleo Ajuda aos 'hermanos': FMI libera mais US$ 1 bilhão para a Argentina após revisar programa de crédito Kristalina Georgieva, que está à frente da instituição sediada em Washington, D.C. desde 2019, atravessou a pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia, a turbulência provocada pelas tarifas comerciais e, agora, o conflito no Oriente Médio. O FMI dispõe de uma capacidade de empréstimo de pouco menos de US$ 1 trilhão e sua função — segundo ela descreveu — é manter os 191 países-membros focados em trabalhar juntos pelo bem da economia mundial. — A melhor munição que temos é a análise objetiva — afirmou. Initial plugin text Uma das grandes transformações em curso é a expansão da inteligência artificial e seu impacto sobre os mercados de trabalho e as economias locais. Kristalina Georgieva afirmou que organizações como a sua não souberam reconhecer as desigualdades decorrentes da globalização e quer garantir que o mesmo não aconteça com a IA: — Coletivamente, incluindo o Fundo, não percebemos a reação contrária à globalização que surgiu do fato de que, sim, a economia mundial melhorou como um todo, mas muitas comunidades foram esvaziadas porque perderam seus empregos e não receberam atenção suficiente. O que realmente não quero ver se repetir é que aconteça o mesmo com a inteligência artificial. Venezuela: FMI e Banco Mundial reconhecem governo de Delcy Rodríguez e restabelecem relações com país O Fundo atualizará suas perspectivas para a economia mundial em julho, depois de ter reduzido, em abril, sua projeção de crescimento para este ano devido à guerra no Oriente Médio. A instituição também realiza revisões econômicas anuais dos países-membros, entre outros relatórios previstos em seu mandato de supervisão. Avaliação da Rússia Em 2024, dois anos após a Rússia invadir a Ucrânia, o FMI anunciou que retomaria sua revisão anual da economia russa — conhecida como Artigo IV — pela primeira vez desde o início da guerra. O plano provocou críticas de vários países da União Europeia, que questionaram Georgieva pela decisão. Eles argumentaram que envolver a Rússia em questões econômicas legitimaria os esforços do Kremlin para contornar as sanções. — Foi um momento muito complicado porque os bombardeios aconteciam em ambas as direções. Decidimos adiá-lo. Precisamos reunir dados sobre comércio, importações e exportações. A Rússia mostrou-se muito relutante em fornecer essas informações — disse ela. No ano eleitoral no Brasil: Governadores aumentam gastos, e estados devem somar déficit de R$ 6 bi A diretora-gerente do FMI acrescentou que “em algum momento retomaremos a avaliação regular”, sem oferecer detalhes sobre o cronograma. O Fundo tem apoiado Kiev com financiamento vinculado a reformas essenciais desde a invasão russa, por meio de dois programas: um de US$ 15,6 bilhões, em 2023, e outro de US$ 8,1 bilhões, neste ano.

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