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Construtora defende obra e diz que erosão do solo causou queda de ponte no Acre | Collector
Construtora defende obra e diz que erosão do solo causou queda de ponte no Acre
Jornal de Brasília

Construtora defende obra e diz que erosão do solo causou queda de ponte no Acre

JOÃO PEDRO PITOMBO SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) A construtora responsável pela obra da ponte que desabou em Sena Madureira (AC) atribuiu o colapso a um processo de erosão associado ao fenômeno conhecido como "terras caídas", caracterizado pela movimentação de grandes massas de solo às margens de rios. A ponte Frei Paolino Baldassari desabou no início da noite de sexta-feira (5), um dia depois de ter sido interditada. Quatro pessoas ficaram feridas. Em nota divulgada na noite de domingo (7), dois dias após o incidente, a Construtora Cidade defendeu a regularidade da obra, afirmando que a construção da ponte seguiu as normas técnicas, sem registro anterior de anomalias que indicassem risco. Disse ainda que análises preliminares apontaram sinais de instabilidade no solo. Uma semana antes do incidente, apontou a empresa, equipes técnicas identificaram rachaduras, deslocamentos de solo e desníveis no entorno da ponte. Os levantamentos de campo apontaram "movimentações significativas" de terreno em uma área de aproximadamente 16 mil m² que abrange a ponte e regiões do seu entorno. A empresa afirma que esses indícios são compatíveis com o fenômeno de "terras caídas", associado a processos erosivos e à variação natural do nível do rio. As chamadas "terras caídas" são desmoronamentos de margens de rios provocados pela erosão contínua do solo. A correnteza corrói a base do terreno e reduz sua sustentação até que grandes blocos de terra cedem repentinamente. O fenômeno, que é relativamente comum na Amazônia, pode ser agravado por cheias, vazantes e pelas características geológicas locais. "A ocorrência do fenômeno natural, extraordinário e imprevisível de 'terras caídas' pode, dependendo da dimensão, ocasionar a ruptura da estrutura de obras viárias, como o ocorrido na ponte", disse a empresa. A Construtora Cidade informou ainda que recomendou na tarde de quinta-feira (4), a interdição total da ponte, inclusive para pedestres, após identificar riscos à segurança. A estrutura desabou na sexta-feira (5), dia seguinte à interdição. Neste sábado (6), a Justiça do Acre determinou que a construtora adote medidas emergenciais para reduzir riscos no local e apresente um plano de assistência às famílias afetadas pelo acidente. A decisão atende parcialmente a pedidos formulados pelo governo estadual em ações judiciais que buscam responsabilizar a empresa pelo colapso da ponte. Entre as determinações estão a realização de vistoria técnica na área, a apresentação de laudo ao Judiciário e ao Estado e a adoção imediata de medidas de sinalização, isolamento e estabilização provisória do terreno. O governo do Acre sustenta que a construtora é a responsável pela obra durante o período de garantia contratual. Também busca assegurar eventual ressarcimento dos danos causados pelo incidente. O pedido de bloqueio de bens da empresa, no entanto, ainda não foi analisado pela Justiça. Inaugurada em dezembro de 2023 ao custo de R$ 36 milhões, a ponte ligava os dois distritos de Sena Madureira sobre o rio Iaco. Quatro pessoas ficaram feridas após o colapso da estrutura. Entre elas está o juiz aposentado e advogado Edinaldo Muniz dos Santos, de 54 anos, que permanece internado em estado gravíssimo em Rio Branco. Segundo boletim divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde, ele passou por cirurgia para correção de uma fratura na pelve, sofreu traumatismo cranioencefálico grave e respira com ajuda de aparelhos. Ednei Muniz dos Santos, 51, e Antônio Morais Lima Filho, 36, seguem internados com estado de saúde estável. Weverton Murieta, 34, recebeu alta hospitalar neste sábado (6). Weverton relatou à Secretaria de Comunicação do Governo do Acre que voltava para casa com Antônio Morais quando encontrou os irmãos Edinaldo e Ednei Muniz sobre a ponte. Segundo ele, Edinaldo, que fazia uma transmissão ao vivo nas redes sociais sobre a interdição da estrutura, pediu que lhe mostrasse o local onde teria sido identificada uma falha. Enquanto caminhavam pela ponte, a estrutura cedeu. A Construtora Cidade manifestou solidariedade às pessoas atingidas e aos seus familiares e afirmou que seguirá colaborando com os órgãos públicos na apuração dos fatos.

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