Jornal O Globo
O vice-presidente Geraldo Alckmin afirmou nesta segunda-feira que o governo federal vai se empenhar para reverter a decisão da União Europeia de retirar o Brasil da lista de países autorizados a exportar determinados produtos de origem animal ao bloco. Segundo ele, a prioridade é garantir o retorno do país à relação de fornecedores antes da entrada em vigor da medida, prevista para setembro. Ao participar da abertura da Bahia Farm Show, em Luís Eduardo Magalhães (BA), Alckmin disse que o governo já está trabalhando junto ao Ministério da Agricultura para solucionar o impasse. — O governo vai se empenhar nesse trabalho. Houve uma retirada da lista do Brasil e nós queremos que recoloque na lista e para todas as carnes. Então, o trabalho será feito para retirar esse embargo tanto do frango, quanto do porco, quanto dos bovinos — afirmou. A manifestação ocorre após a Comissão Europeia formalizar a retirada do Brasil da lista de países habilitados a exportar determinadas categorias de animais e produtos de origem animal ao mercado europeu. A decisão passa a valer em 3 de setembro e poderá atingir produtos como carne bovina, aves, mel, aquicultura, equinos e tripas, caso o país não apresente as garantias exigidas pelo bloco até lá. Segundo a União Europeia, o Brasil não forneceu informações suficientes para comprovar o cumprimento das novas exigências relacionadas ao controle do uso de antimicrobianos na produção animal. O governo brasileiro, por sua vez, sustenta que possui um sistema sanitário robusto e vem adotando medidas para atender às regras europeias. Alckmin também destacou avanços recentes na abertura de mercados para o agronegócio brasileiro. Ele destacou que a China reconheceu o Brasil como país livre de febre aftosa e os Estados Unidos mantiveram a carne brasileira fora das tarifas anunciadas recentemente pelo governo americano. Embora a União Europeia não seja o principal destino das exportações brasileiras de proteína animal, o mercado é considerado estratégico por seu alto valor agregado e pelas exigências sanitárias. Em 2025, o bloco importou US$ 1,8 bilhão em produtos brasileiros das categorias afetadas pela medida, sendo mais de US$ 1 bilhão apenas em carne bovina.
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