Jornal O Globo
A Polícia Federal fez buscas na manhã desta segunda contra um desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso por suposta venda de sentenças judiciais e lavagem de dinheiro. Dirceu dos Santos, que integrava a 3ª Câmara de Direito Privado da Corte estadual já havia sido afastado de suas funções pelo Conselho Nacional de Justiça, em março, após apuração identificar que ele movimentou mais de R$ 14,6 milhões nos últimos cinco anos. A Operação aberta nesta manhã foi batizada como Gemini e ainda cumpriu ordens contra o deputado estadual Faissal Calil. As medidas foram expedidas pelo Superior Tribunal de Justiça e incluíram a quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático de investigados. Segundo a PF, a investigação se debruça sobre supostos crimes de corrupção passiva, de advocacia administrativa e de lavagem de dinheiro. Dirceu já era investigado por suposta venda de sentenças. Quando afastou o magistrado de suas funções, a corregedoria nacional de Justiça apontou indícios de que o desembargador "proferiu decisões mediante o possível recebimento de vantagens indevidas, realizando a intermediação de atos decisórios por intermédio de terceiros, empresários e advogados". Também verificou "intensa variação patrimonial a descoberto" no patrimônio do desembargador entre 2021 a 2023 - período em que a suposta venda de sentenças teria ocorrido. Somente em 2023, a diferença entre o aumento de patrimônio e os rendimentos lícitos do magistrado chegou a R$ 1.913.478,48. O nome do desembargador surgiu em meio às investigações sobre o desembargador Sebastião Moraes Filho, que foi afastado do cargo no TJMT em agosto 2024 é alvo de um procedimento administrativo disciplinar no CNJ. Este é investigado por sua relação com o advogado Roberto Zampieri, apontado como lobista de sentenças e assassinado a tiros em 2023 - do qual teria recebido propinas, inclusive em barras de ouro.
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