Jornal O Globo
Uma Madonna que, aos 67 anos, se ressente do tempo em que podia ser apenas mais uma na pista de dança? Esse é uma das ideias vendidas pelo curta-metragem de cerca de 10 minutos, feito para dar um gostinho das seis primeiras faixas do novo álbum da estrela americana, “Confessions II”, a ser lançado no próximo dia 3. Regina Casé fala sobre filme que reconstitui acidente grave do marido: 'Choradeira danada' Robbie Williams: 'Sempre tive meus adultos cuidando de tudo. E nunca questionei muito' Continuação de seu álbum de 2005, “Confessions on a dance floor” (e feito com o mesmo produtor deste, o DJ e produtor britânico Stuart Price), o disco, ao que tudo indica, trará Madonna mergulhada numa inebriante nostalgia de si mesma. Exibido pela primeira vez na última sexta-feira, para o seleto público do Festival de Tribeca, em Nova York (e liberado no YouTube no começo da tarde desta segunda), o filme é uma festa para os fãs de Madonna, que não sossegarão até identificarem a última referência que a cantora possa ter feito nele aos seus mais de 40 anos de carreira. A atmosfera sexy-sombria dos tempos de “Erotica” (1992) e as provocações soft-porn de “Justify my love” (1990) saturam o curta em seu passeio pelos submundos da dance music tanto quanto as referências à alegre Madonna do começo de carreira — seja na simbólica cena em que a cantora se transmuta na sua persona jovem (encarnada pela atriz Julia Garner, que atua em sua cinebiografia) quanto na citação aos teclados de “Lucky star” (hit de 1983). Mas o ponto alto da nostalgia do clipe é em uma das quatro faixas inéditas apresentadas, “Danceteria”, em que, num rap que lembra o seu próprio em “Vogue” (1990), a cantora lembra, entre outras pessoas, de Mark Kamins (“ele é o DJ, eu sou a cocaína”), que tocou, na boate que dá nome à canção, a fita com o que seria seu primeiro sucesso, “Everybody” (de 1983, a partir da qual ela deixou de ser apenas mais uma das meninas na pista). A atriz Debi Mazar (que conheceu Madonna na Danceteria) participa da sequência visual da canção, encenada em um alegre banheiro cenográfico, com muita pegação. Muitas estrelas dão brilho ao filme dirigido por David Toro e Solomon Chase (a dupla Torso, que realizou o clipe de “Von dutch”, da inglesa Charli XCX) — a começar pela cantora Sabrina Carpenter, na parte da canção já lançada “Bring your love”, em que divide os vocais com Madonna. O ator Benedict Cumberbatch, a modelo Kate Moss e a própria filha da cantora, Lourdes Leon, também emprestam suas caras ilustres a “Confessions II — The Film”. A única parte do filme que não remete ao passado é a da inédita “Read my lips”, um reggaeton com elementos de funk carioca que Madonna canta com o astro colombiano Feid. É a novidade em meio a faixas como “Good for the soul” e “One step away”, também inéditas, que trafegam pela mesma zona housetechneira de “Danceteria” e da já lançada “I feel free”. Cotação: Bom
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