Jornal O Globo
Iniciado no final de maio, um campeonato de cortes gerou até o momento mais de 8 milhões de visualizações para vídeos do deputado estadual Cristiano Caporezzo (PL-MG), aliado da família Bolsonaro e pré-candidato a deputado federal. Procurado, o parlamentar nega envolvimento com o torneio, prática proibida desde março pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e que já resultou na inelegibilidade do ex-coach Pablo Marçal (União) no ano passado. Leia mais: Com campanha sob pressão após caso 'Dark Horse', Flávio Bolsonaro endurece tom na segurança e defende castração química Caso Master: Justiça ordena apreensão de jatinho de pai de Vorcaro que custou R$ 100 milhões O campeonato é organizado na plataforma Clipay, na qual editores de vídeo se inscrevem em competições para produzir conteúdo de influenciadores, cantores e podcasts. O campeonato a favor de Caporezzo tem como objetivo “viralizar cortes” do deputado e permite o uso de qualquer vídeo que for encontrado no Youtube, Instagram ou TikTok. Para participar, os clipadores precisam marcar o perfil oficial do deputado estadual. O campeonato promete pagar 50 centavos para cada mil visualizações, podendo chegar ao valor máximo de 500 reais por publicação. Ao final do torneio, que acaba em meados de junho, o responsável pelo corte mais assistido leva um prêmio de R$ 2.500. O vídeo mais visto, com mais de 540 mil views no TikTok, mostra um trecho da participação do deputado estadual em um podcast no qual o parlamentar critica uma declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Lula chama bebê de monstro para defender o aborto", diz a legenda que acompanha a publicação. Entre os cortes mais visualizados, há também trechos de um debate com o influenciador e pré-candidato a deputado federal Jones Manoel (PSOL-PE) e outro com críticas ao filósofo alemão Karl Marx, autor do Manifesto Comunista. Há também vídeos nos quais Caporezzo relembra o episódio da facada desferida por Adélio Bispo no ex-presidente Jair Bolsonaro na campanha presidencial de 2018 e diz ter ajudado a salvar o então candidato presidencial. Em outros, ele critica a aprovação na Câmara dos Deputados do projeto de lei que proíbe a escala 6x1 e elogia o governo de Donald Trump por fechar o “cerco contra o PCC e o Comando Vermelho”. Em nota, o gabinete de Caporezzo afirma que o deputado não tem conhecimento da iniciativa e acrescenta que ela não partiu da equipe do parlamentar, “tampouco foi promovida ou autorizada por integrantes de sua equipe de comunicação ou marketing”. O deputado diz ainda ter iniciado uma apuração para determinar “quem eventualmente possa estar utilizando o nome e a imagem do parlamentar em tal prática, a fim de que sejam adotadas as medidas cabíveis e promovida a devida notificação dos responsáveis”. "Reiteramos que qualquer ação vinculada ao deputado deve observar estritamente a legislação eleitoral e as normas expedidas pela Justiça Eleitoral", diz a nota. Procurada, a Clipay afirma disponibilizar ferramentas que podem ser usadas por “qualquer usuário para a realização de campanhas, ações promocionais e competições de cortes”. Segundo a plataforma, a realização de um torneio não depende de “qualquer vinculação com o parlamentar mencionado ou com seu gabinete”. A empresa afirma ainda que investe em campeonatos envolvendo figuras públicas com o objetivo de gerar engajamento e futuramente “oferecer tais serviços a clientes interessados em estratégias de engajamento digital e produção de conteúdo”. Os campeonatos de cortes apareceram pela primeira vez em campanhas eleitorais no ano de 2024, quando o candidato à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal usou da tática para aumentar o alcance nas redes sociais. A estratégia levou à perda da elegibilidade do ex-coach após a condenação pela Justiça Eleitoral. Em março deste ano, o TSE editou uma resolução proibindo "a contratação sob qualquer modalidade, ainda que por meio da utilização de mecanismos de competição, ranqueamento ou premiação que ofereçam, direta ou indiretamente, vantagem econômica a pessoas físicas ou jurídicas para que realizem publicações de cunho político-eleitoral em seus perfis" Policial Militar, Caporezzo foi um dos integrantes da comitiva de parlamentares que acompanhou a visita do pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) a Washington, onde o senador pelo Rio de Janeiro se reuniu com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Em março, o Caporezzo já havia ido ao país para se encontrar com o ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro, que reside no Texas. Initial plugin text
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