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Análise: Donos de institutos veem erro em liminar de Nunes Marques, mas relação ruim com Atlas inibe mobilização | Collector
Análise: Donos de institutos veem erro em liminar de Nunes Marques, mas relação ruim com Atlas inibe mobilização

Análise: Donos de institutos veem erro em liminar de Nunes Marques, mas relação ruim com Atlas inibe mobilização

Desde a decisão do ministro Kassio Nunes Marques, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) na segunda-feira, suspendendo a pesquisa da AtlasIntel, o grupo de WhatsApp “Conselho Opinião Pública” com 20 dos maiores nomes do mercado de pesquisas eleitorais do Brasil começou a debater como o segmento iria se posicionar. Se por um lado há consenso entre protagonistas do setor como Quaest, Ipsos-IPEC, Datafolha, Ipespe e Ideia que Nunes Marques errou na decisão, nem todos concordaram no grupo com uma defesa formal e em público do dono da AtlasIntel, o cientista político romeno Andrei Roman. Leia mais: Com campanha sob pressão após caso 'Dark Horse', Flávio Bolsonaro endurece tom na segurança e defende castração química Vídeo: Michelle diz que vai apoiar Flávio ‘no momento certo’ e defende mais tempo de domiciliar para Bolsonaro A trajetória de Andrei mistura relevância com controvérsia. Com um método de coleta de dados 100% digital, — ao contrário dos concorrentes que usam entrevistas presenciais ou por telefone — o Atlas é reconhecido por ter acertado resultados recentes em eleições nos EUA, Europa e América do Sul, além de ter fama no mundo político brasileiro de captar com antecedência movimentos silenciosos da opinião pública. Mesmo tendo crescido no mercado nos últimos dez anos, o Atlas não aceita se filiar à Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), entidade que reúne os principais players do mercado, justamente os integrantes do grupo de WhatsApp “Conselho de Opinião Pública”. Se estivesse filiado, Andrei teria que prestar contas sobre como são feitas as suas amostragens de eleitores pela internet, um mistério para quem é especialista no setor. Além disso, muitas vezes o Atlas não dá publicidade a quem financia os seus levantamentos na internet — fenômeno cada vez mais comum no país. Entra ano de eleição, sai ano de eleição, o Brasil aumenta o registro de pesquisas no TSE sem apresentação de notas fiscais — ou seja, com o instituto dizendo que está bancando com recursos próprios o levantamento. Foi o que fez a AtlasIntel na pesquisa bloqueada. Registrou ter pago do próprio bolso R$ 75 mil para colocá-la na rua — o que a levou a 23 levantamentos feitos esse ano dessa forma, gastando ao todo R$ 1,725 milhão desde janeiro. A conduta levanta dúvidas no mercado pela suspeita de que quem está contratando o serviço não quer aparecer vinculado ao resultado. O campeão de pesquisas autofinanciadas no TSE esse ano é o Verita (118), seguido do Real Time Big Data (56), o Paraná Pesquisas (24) e a AtlasIntel. Nenhum deles está filiado na Abep, embora o Paraná Pesquisas já tenha sido. Não é de hoje que o mercado de pesquisas tem as suas disputas internas. Em 2017, Murilo Hidalgo, dono do Paraná Pesquisas, viveu o clima ruim que Andrei Roman tem hoje com a associação. Ele foi cobrado internamente por divulgar pesquisa em que apontava que a maioria dos brasileiros gostaria de uma intervenção militar. Na ocasião, o Paraná Pesquisas deixou a Abep, mas seguiu crescendo. Hoje é o instituto preferido do PL. Só esse ano o partido de Valdemar Costa Neto e Jair Bolsonaro já gastou R$ 1,58 milhão para a empresa de Hidalgo testar a opinião pública.

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