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Prêmio terá sucessos de Cazuza em vozes de nomes como Ney Matogrosso, Luedji Luna, Chico Chico e Ludmilla | Collector
Prêmio terá sucessos de Cazuza em vozes de nomes como Ney Matogrosso, Luedji Luna, Chico Chico e Ludmilla

Prêmio terá sucessos de Cazuza em vozes de nomes como Ney Matogrosso, Luedji Luna, Chico Chico e Ludmilla

Após duas passagens de “Por que a gente é assim?”, um sorridente Ney Matogrosso diz do palco: “Eu adoro essa música.” No que é correspondido, entre músicos e equipe técnica, por Zélia Duncan: “E ela adora você.” O clima dos ensaios para a 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira, realizados na tarde de segunda-feira (8) na casa de shows Manouche, no Jardim Botânico, Zona Sul do Rio, deverá se repetir nesta quarta-feira (10) à noite, na cerimônia que será realizada no Theatro Municipal, em função do homenageado do ano: Cazuza. Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira: confira a lista completa de indicados Rush: Após hiato de 11 anos, lendária banda canadense faz volta triunfal aos palcos Nome unânime entre os profissionais do Conselho Curador do prêmio — do qual fazem parte o próprio Ney e Zélia, responsável pelo roteiro da cerimônia —, Cazuza terá seus maiores sucessos, com o Barão Vermelho e os de carreira solo, interpretados por vozes de vários estilos da música brasileira. No mesmo ensaio, estavam BNegão e Lazzo Matumbi (“Blues da piedade”, “Ideologia”); Luedji Luna (“Mais feliz”); a banda Maneva (“Bete Balanço”); e Zizi Possi (“Preciso dizer que te amo”). Também se apresentam entre os anúncios dos prêmios Chico Chico (“Todo amor que houver nessa vida”); Marina Sena (“O nosso amor a gente inventa”); Luísa Sonza (“Faz parte do meu show”); Ludmilla (“Exagerado”); Seu Jorge (“Brasil”); e Simone ( “Quando eu estiver cantando” e “Codinome Beija-Flor”). — Acho que nesses mais de 30 anos de prêmio, uma sugestão minha só foi a vencedora umas duas vezes, e essa foi uma delas. Foi uma aclamação. Quando decidimos, ligamos todos para a Lucinha (Araújo, mãe do cantor e fundadora da Sociedade Viva Cazuza), foi muito impactante. Eu disse a ela: “No meu coração, essa homenagem é para você, que transformou a dor da perda na constituição de um legado.” Ela manteve a obra do Cazuza viva — enaltece Zé Maurício Machline, fundador do prêmio, em 1987. — Procuramos um universo diferente de intérpretes para mostrar como a obra do Cazuza é universal. Não só o roqueiro, o baladeiro, podem cantar a sua música, todo mundo pode fazer algo autoral com aquelas canções. Luedji Luna: versão de "Mais feliz" Divulgação/Pyetra Salles Responsável por destacar na cerimônia as possibilidades da obra de Cazuza e a diversidade dos intérpretes convidados, o diretor musical Pretinho da Serrinha criou arranjos mesclando o rock com outros ritmos. — Tento ouvir a música e pensar em quem vai cantá-la para trazê-la para uma área confortável para cada artista. A música do Cazuza aceita outras roupagens, se você vestir direitinho ela aceita. Claro, respeitando os movimentos, as melodias, as acentuações — ressalta Pretinho. — Dá para trazer para o reggae do Maneva, um ijexá para a Luedji, ou uma ideia de trap para a Ludmilla. O prêmio tem 18 categorias, pegando tantos gêneros. Quero que os artistas que não forem do rock também se sintam representados por essas versões. E o Cazuza representa a liberdade total na música. Se ele se permitiu ir ao Cartola, por que o Cartola, o Bob Marley, não poderiam vir (à cerimônia)? Lazzo Matumbi e BNegão cantam 'Blues da piedade' e 'Ideologia' Divulgação/Pyetra Salles Com arranjos mais próximos das versões originais, Ney Matogrosso interpreta temas que fazem parte de seu repertório — além de “Por que a gente é assim?”, ele canta “Pro dia nascer feliz”. Homenageado em 2017, na 28ª edição da premiação (que se alterna, a cada ano, entre artistas vivos e mortos), Ney diz que não teve nenhuma dúvida logo que o nome de Cazuza foi sugerido por Machline na reunião do Conselho. — Cazuza tem uma obra viva, faz parte do espectro da nossa música e das personalidades brasileiras. Tem que ser lembrado o tempo todo. Ainda mais nessa cerimônia, que é uma celebração da música, em que a gente reencontra pessoas que às vezes passa um ano sem ver — comenta Ney. — Para mim é um prazer cantar essas duas músicas. Eu adoro o Pretinho, há uns anos já tinha cantado “Por que a gente é assim?” com ele, mas agora preferi ficar no rock mesmo. Chico Chico interpreta 'Todo amor que houver nessa vida' Divulgação/Pyetra Salles A permanência da obra de Cazuza pode ser medida por sua influência entre artistas das gerações seguintes — entre os nomes que se apresentam amanhã, Chico Chico, Luísa Sonza, Marina Sena e Ludmilla nasceram depois da perda do cantor, em 7 de julho de 1990. Vocalista do grupo paulistano Maneva, Tales de Polli, de 42 anos, era criança quando o ex-vocalista do Barão Vermelho morreu, mas cresceu ouvindo suas músicas. — A gente tem um projeto chamado “Tudo vira reggae”, em que cantamos músicas de outros ritmos, e já fizemos Cazuza e Barão. Foi incrível o convite para interpretar “Bete Balanço”, um sucesso tão representativo do Cazuza e do Frejat, outro cantor com um campo vocal com o qual me identifico muito — comenta Polli. — Cazuza está presente, não está mais com seu corpo físico, mas seu legado fica para sempre. E você vê novas gerações descobrindo esses artistas com as novas tecnologias, nas trends das redes. Tenho uma filha de 11 anos e um filho de 8, e eles ouvem Cazuza, Rita Lee... Zizi Possi canta 'Preciso dizer que te amo' Divulgação/Pyetra Salles A força do audiovisual e das redes sociais para o consumo de música é um dos focos de Giovanna Machline, filha de Zé Maurício, com quem divide a direção-geral da premiação. Circulando desde criança entre os bastidores das cerimônias e assumindo funções na adolescência, a diretora de produções como “Luz” (Netflix), “Beleza fatal” e “Cenas de um crime” (HBO Max) juntou-se em definitivo ao pai em 2024, à frente do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira e como executiva dos projetos que envolvem a relação da família com o meio fonográfico e de shows. — Hoje todos os produtos passam pelo audiovisual em alguma instância, então minha experiência vem agregar a esta celebração, que também virou parte da história da música brasileira. Temos um olhar mais aprofundado sobre a transmissão, sobre todos os desdobramentos do prêmio. Está sendo muito prazeroso aprender e descobrir esses caminhos, achar o meu jeito, somado ao do meu pai, de dar sequência a esse legado — conta Giovanna. — Brinco que o prêmio é meu irmão mais novo. Eu o vi crescer e se transformar, assim como o consumo da música se transformou. Zé Maurício e Giovanna Machline Divulgação/Pyetra Salles Com apresentação de Débora Bloch e Alice Wegmann, a cerimônia do 33º Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira está prevista para às 21h de hoje (com tapete vermelho às 19h), com transmissão ao vivo no canal oficial da premiação no YouTube. Entre os indicados nas 18 categorias, estão nomes como Marisa Monte, Djavan, Alcione, Geraldo Azevedo, Daniela Mercury, Ivete Sangalo, Emicida, Chitãozinho & Xororó, João Gomes, Ana Castela, Péricles, Xande de Pilares, BK’e Fresno.

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