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PGR deve rejeitar negociação de delação de ex-presidente do BRB | Collector
PGR deve rejeitar negociação de delação de ex-presidente do BRB

PGR deve rejeitar negociação de delação de ex-presidente do BRB

A Procuradoria-Geral da República (PGR) caminha para encerrar as tratativas para um possível acordo de colaboração premiada com o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB), Paulo Henrique Costa, preso desde abril sob suspeita de envolvimento em irregularidades nas operações entre o banco estatal e o Banco Master. Segundo fontes ligadas à investigação, ouvidas pela coluna de Malu Gaspar no jornal O Glob , a tendência é que o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF) não avancem nas negociações por entenderem que o executivo não apresentou elementos novos capazes de justificar a abertura formal do processo de delação. + Entenda mais de Política em Oeste O ex-dirigente do BRB tentou iniciar conversas com os investigadores mesmo antes da rejeição da primeira proposta de colaboração apresentada por Daniel Vorcaro, fundador do Master. A estratégia era convencer a PF e o MPF de que poderia fornecer informações inéditas sobre a relação entre as duas instituições e ampliar a pressão sobre o banqueiro para aprofundar seu próprio acordo. Foto do ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, na Papuda | Foto: Reprodução/ TV Globo Desde sua transferência para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, Costa vinha elaborando anexos para uma eventual delação, embora ainda não tivesse obtido a assinatura de um acordo de confidencialidade — etapa considerada indispensável para o início das negociações formais. No fim de maio, representantes da defesa participaram de reuniões com integrantes da PGR e da PF para apresentar uma descrição genérica do conteúdo que seria oferecido. Até o momento, porém, não houve manifestação de interesse dos investigadores em firmar o termo de confidencialidade. De acordo com fontes próximas ao caso, um dos principais obstáculos é a avaliação de que Costa pouco avançou além do material já reunido pela investigação. Além disso, ele teria resistido a reconhecer fatos considerados consolidados pela Polícia Federal, entre eles a suposta negociação de apartamentos de luxo como contrapartida pela compra, pelo BRB, de carteiras de crédito do Banco Master. Uma auditoria independente identificou indícios da participação de cerca de 30 dirigentes do BRB em cargos de chefia nas negociações do Caso Master | Foto: Joédson Alves/Agência Brasil Na versão inicialmente apresentada por seus advogados, os imóveis nunca teriam sido efetivamente recebidos e, portanto, não haveria pagamento de propina. Já depois da prisão, Costa passou a sustentar que os apartamentos seriam adquiridos pelo Master e ficariam à sua disposição futuramente, caso a operação entre os bancos fosse concluída. Essas explicações não convenceram os investigadores. Há dúvidas, segundo fontes da apuração, sobre a capacidade do ex-presidente do BRB de apresentar provas que confirmem acusações potencialmente relevantes, como eventuais pagamentos indevidos a autoridades ou agentes públicos para viabilizar negócios entre as instituições financeiras. Na semana passada, o advogado Davi Tangerino enviou um ofício à PF e ao MPF cobrando uma definição sobre a proposta de colaboração. No documento, argumentou que a demora contraria a legislação que regulamenta os acordos de delação premiada e afirmou que eventual desinteresse dos órgãos deveria ser formalizado de maneira fundamentada. À esquerda, o ex-dono do Banco Master Daniel Vorcaro; à direita, o ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa | Fotos: Reprodução/Internet Integrantes do inquérito discordam dessa interpretação. Segundo eles, a obrigação de formalizar uma negativa só surgiria depois da assinatura do termo de confidencialidade, etapa que nunca foi concluída. Caso a negociação seja definitivamente encerrada, Costa poderá perder também o benefício de permanecer na Papudinha. A transferência para a unidade ocorreu a pedido da defesa, que alegou a necessidade de um ambiente mais adequado para analisar documentos e discutir fatos relacionados à investigação. As condições da instalação são significativamente superiores às encontradas na Penitenciária da Papuda e até mesmo na Superintendência da PF em Brasília, onde Daniel Vorcaro permanece preso. A estrutura oferece chuveiro quente, cozinha equipada, geladeira, armários, televisão, cama de casal, cinco refeições diárias e acesso frequente à área externa da cela. Entrada o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, popularmente conhecido como Papudinha | Foto: Cássio Nascimento/Google Maps Mendonça classifica ex-presidente do BRB como "essencial" esquema Na decisão que autorizou a prisão preventiva de Paulo Henrique Costa, o ministro do Supremo Tribunal Federal (PF), André Mendonça classificou o ex-presidente do BRB como "peça essencial" no esquema investigado. Segundo o magistrado, a compra de ativos considerados problemáticos do Banco Master teria sido recompensada com seis imóveis de alto padrão em São Paulo e Brasília, avaliados em R$ 146 milhões. A Polícia Federal identificou quatro apartamentos na capital paulista e dois no Distrito Federal vinculados ao acordo. Entre eles está uma unidade no condomínio Heritage, no Itaim Bibi, empreendimento cujos imóveis podem atingir valores de até R$ 42 milhões. De acordo com a investigação, Costa chegou a figurar como morador do edifício. Os investigadores sustentam que os imóveis integravam um acerto firmado entre Costa e Daniel Vorcaro para o pagamento de propina relacionada à aquisição de carteiras de crédito do Master pelo BRB. Conforme a apuração, o banqueiro interrompeu os repasses quando o MPF passou a investigar as operações. Até aquele momento, os pagamentos teriam alcançado R$ 74 milhões. O ministro do STF e relator do caso Master, André Mendonça | Foto: Andressa Anholete/STF O inquérito aponta ainda que o advogado Daniel Monteiro teria atuado na estruturação financeira do esquema. Segundo a PF, ele administrava fundos e contas utilizados para movimentar recursos destinados ao pagamento de vantagens indevidas. A investigação também indica que fundos ligados à gestora Reag foram empregados para ocultar os repasses associados aos imóveis. As suspeitas sobre Paulo Henrique Costa remontam à primeira fase da Operação Compliance Zero, quando a Polícia Federal concluiu que o então presidente do BRB manteve operações com o Master mesmo diante de alertas emitidos pelo Banco Central sobre possíveis irregularidades nas carteiras adquiridas. Em novembro do ano passado, durante a primeira prisão de Vorcaro, a Polícia Federal chegou a pedir a prisão preventiva de Costa. O pedido foi rejeitado pela 10ª Vara Criminal de Brasília. Meses depois, com o caso já sob a relatoria do STF, a medida cautelar foi autorizada. Leia também: " O outro 'Sicário' de Vorcaro ", reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 323 da Revista Oeste O post PGR deve rejeitar negociação de delação de ex-presidente do BRB apareceu primeiro em Revista Oeste .

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