Jornal O Globo
Dos 10.072 portais de órgãos públicos avaliados em 2025 pelo Programa Nacional de Transparência Pública (PNTP), conduzido pela Associação dos Membros dos Tribunais de Contas do Brasil (Atricon), apenas 2.912 receberam algum selo de qualidade. O Selo Diamante, classificação máxima do programa, ficou com 998 deles, menos de 10% do total. No interior do Estado do Rio de Janeiro, os três municípios que chegaram a esse patamar, São Pedro da Aldeia, Búzios e Arraial do Cabo, têm um ponto em comum que costuma passar despercebido nas cerimônias de premiação: a tecnologia por trás de seus portais é desenvolvida em Mesquita, na Baixada Fluminense. É de lá que opera a Modernização Pública, empresa fundada em 2011 que cria soluções digitais para Prefeituras, Câmaras Municipais e Autarquias, com foco em inteligência fiscal e administrativa. Seus sistemas integram dados, automatizam processos e organizam a informação que chega ao cidadão, uma engrenagem cada vez mais decisiva no setor: segundo a Atricon, o índice médio nacional de transparência alcançou 66,6% em 2025, mas, quando o programa começou, em 2022, menos de 20% dos órgãos avaliados tinham portal certificado. "Esse resultado mostra que transparência pública não acontece por acaso. Ela exige sistema, organização, acompanhamento técnico e compromisso permanente com a qualidade da informação. Quando vemos que, no interior do Estado, somente clientes da Modernização alcançaram o Selo Diamante em 2025, isso demonstra a força do trabalho que vem sendo feito junto aos municípios", afirma Jorge Leal, sócio-diretor da Modernização Pública. O reconhecimento não se limita ao nível máximo. Duque de Caxias, Belford Roxo, Quatis e a Câmara Municipal de São Pedro da Aldeia, todos atendidos pela empresa, conquistaram o Selo Ouro na mesma edição. A régua do programa é alta por desenho: a certificação não distingue quem apenas cumpre as exigências legais de publicidade, mas quem transforma o portal de transparência em instrumento real de prestação de contas à população. Em Quatis, houve ainda um prêmio de outra natureza. O Quati, servidor público virtual criado pela Modernização para atender o cidadão diretamente, recebeu o Prêmio Prefeito Inovador 2026, concedido pelo Fórum de Cidades Digitais Inteligentes a iniciativas capazes de transformar o serviço público com inovação, agilidade e eficiência. "Somando nossos clientes com servidores públicos virtuais, temos cerca de 7,5 milhões de atendimentos registrados. São resultados que falam antes de qualquer apresentação", diz Jorge Leal. A consistência construída nos municípios abriu portas fora do país. Em maio deste ano, a empresa participou de dois dos palcos mais relevantes do setor de tecnologia: o IBM Think, em Boston, nos Estados Unidos, evento global de lançamentos estratégicos da IBM, e o Accelerate 2026, realizado em São Paulo em parceria com o Times Brasil e a CNBC, com apoio da IBM. Na edição paulistana, o diretor de Tecnologia da Modernização Pública, Verlânio Gallindo, debateu como a nuvem híbrida pode acelerar resultados concretos em organizações que ainda estruturam sua jornada digital. "Conectar o que há de mais avançado no mundo com a realidade concreta dos municípios brasileiros. É assim que definimos a missão da Modernização", declara Gallindo. A trajetória da empresa contraria um caminho comum no setor. Enquanto grandes fornecedores de tecnologia costumam chegar às Prefeituras com produtos desenhados para outras realidades, a Modernização constrói seu portfólio a partir do problema concreto do gestor público brasileiro, com sua complexidade regulatória, a diversidade de portes municipais e as exigências crescentes de prestação de contas. É essa lógica que sustenta, na visão da empresa, tanto os selos quanto a presença internacional. "A inteligência fiscal, para nós, não é apenas uma ferramenta de arrecadação. É uma forma de organizar a gestão, dar mais justiça à cobrança dos tributos, melhorar o atendimento e permitir que o gestor público tome decisões com base em dados confiáveis", resume Jorge Leal. Os números da Atricon mostram um país em transição: a transparência avança ano a ano, mas mais de 70% dos portais avaliados ainda ficam sem qualquer selo. Diante disso, fica a pergunta: quanto tempo até que o dado público confiável deixe de ser diferencial premiado e passe a ser o ponto de partida de qualquer gestão municipal?
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