Jornal de Brasília
O caso do suposto OVNI visto por Mayk Leão no Paraná ganhou uma nova virada depois que influenciadores passaram a investigar a história e apontaram possíveis inconsistências no relato. O foco agora está nas apurações feitas por Vitor Sprouse e Carlos Santana, que ajudaram a desmontar parte do mistério em torno das luzes filmadas no sítio do influenciador em Campo Largo. Eu finalmente consegui entrar no ferry rumo a Colonia del Sacramento, ainda com cara de quem brigou com o relógio e perdeu por nocaute. A balsa, que de balsa não tem nada, parecia um shopping flutuante: escada, poltrona, free shop, gente comprando perfume às nove da manhã e eu tentando entender se atravessar para o Uruguai sempre vem com essa energia de aeroporto marítimo. Foi no meio desse templo do duty free, entre um hidratante caríssimo e uma prateleira de chocolate, que me apareceu Mayk Leão de novo. Minha filha, nem alienígena deixa o Brasil descansar no domingo. Mayk viralizou após relatar suposto OVNI em Campo Largo, no Paraná. Mayk viralizou no início da semana após dizer que viu um objeto luminoso em sua propriedade rural em Campo Largo, no Paraná. O influenciador, que antes fazia conteúdo sobre vida no campo, resgate de animais e rotina no sítio, saltou de cerca de 40 mil seguidores para centenas de milhares em poucos dias. A história começou com relatos de comportamento estranho dos animais, barulhos vindos da mata e uma estrutura luminosa com luzes coloridas ao longe. Depois vieram entrevistas, vaquinha para alimentar os animais resgatados e uma enxurrada de curiosos tentando entender se o Paraná tinha virado pista de pouso intergaláctica. Carlos Santana cruzou coordenadas e apontou chácara vizinha como possível origem das luzes. Só que o encanto começou a desandar quando Vitor Sprouse passou a organizar uma thread no X reunindo atualizações e pontos sensíveis do caso. Ele mostrou que Mayk vinha agradecendo o apoio recebido, divulgando a vaquinha para os animais e dizendo que pretendia ir a mais lugares para falar sobre o suposto avistamento. A partir dali, o que parecia apenas relato emocionado começou a virar linha do tempo, print, análise e desconfiança pública. Vitor também destacou a chegada dos primeiros jornalistas ao sítio de Mayk, entre eles profissionais do g1, para conhecer o local onde o suposto fenômeno teria acontecido. A presença da imprensa aumentou ainda mais a pressão sobre o caso, porque, quando uma história de OVNI sai do story e vai para a apuração, meu amor, a nave precisa sustentar o pouso. https://twitter.com/vitorsprouse_/status/2061685129160827219 A investigação ganhou ainda mais força com o vídeo de Carlos Santana. Usando ferramentas de geolocalização, mapas da região e análise da direção das imagens, ele cruzou as coordenadas da casa de Mayk com a topografia do terreno e apontou que as luzes filmadas apareciam justamente na direção de uma propriedade vizinha, identificada como Chácara Paraíso. Segundo Carlos, o suposto “fenômeno” poderia ser explicado por luzes comuns vistas à distância. No vídeo, ele afirma ter entrado em contato com os responsáveis pela chácara, que confirmaram o uso de lanternas potentes e drones nas noites em questão. Para reforçar o teste, as luzes teriam sido ligadas e desligadas em sincronia com o que era visto da sacada de Mayk, reproduzindo o efeito que viralizou. Ou seja: o “fenômeno do século”, segundo essa leitura, talvez não fosse nave, portal, criatura, mensagem cósmica nem visita de outro planeta. Poderia ser só vizinho com lanterna forte, drone e uma propriedade rural no ângulo perfeito para enganar uma câmera, uma sacada e meio Brasil emocionado. https://twitter.com/Dier369/status/2062969218845298810?s=20 A Abin e a FAB também entraram no entorno da história. A Agência Brasileira de Inteligência negou ter feito contato com Mayk após ele divulgar um suposto comunicado atribuído ao órgão, e a Força Aérea Brasileira informou que não registrou atividade anormal na região no dia do suposto avistamento. Mas, neste momento, o que realmente empurrou o caso para o chão foi a investigação feita por criadores de conteúdo, com mapa, coordenada e teste prático no terreno. O mais curioso é que Mayk já tinha viralizado antes por outro motivo bem menos espacial: um pintinho com marca acima do olho, que virou assunto em programas de TV por lembrar uma sobrancelha. Ou seja, antes do OVNI, ele já trabalhava com fenômenos raros da natureza. Só que pintinho com sobrancelha é uma coisa. Luz misteriosa com possível origem na chácara do vizinho é outra completamente diferente. Peguei um perfume no free shop, olhei o preço, devolvi com respeito e fiquei pensando que o Brasil ama uma história com luz no céu, bicho no sítio e autoridade misteriosa entrando pela porta dos fundos. Mas também ama desmascarar o próprio encantamento. Vitor Sprouse ajudou a colocar ordem na bagunça, Carlos Santana botou coordenada no drama e, de repente, o OVNI do Paraná ficou com cara de iluminação rural mal explicada. Se foi farsa ou mal-entendido, ainda cabe discussão. Mas a nave, por enquanto, parece ter pousado mesmo foi no terreno do vizinho.
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