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Com quatro séculos de história, o vinho do Porto oferece um mundo de opções
Jornal O Globo

Com quatro séculos de história, o vinho do Porto oferece um mundo de opções

Há quem pense no vinho do Porto apenas como o cálice servido depois de uma refeição, mas basta mergulhar em suas categorias para descobrir um universo muito mais amplo, cheio de rituais e curiosidades. Ainda que os tintos sejam os mais conhecidos, há diversas versões — cada uma com sua forma de envelhecimento, temperatura ideal para ser servida e personalidade própria. Trata-se do produto mais popular de Portugal, tido por muitos como uma forma de arte passada por gerações. Nasceu de um feliz acidente no século XVII, quando comerciantes adicionaram aguardente aos barris para evitar que os vinhos azedassem durante longos traslados. Todos são produzidos na Região Demarcada do Douro, considerada Patrimônio Mundial da Unesco em 2001, e recebem certificação do Instituto dos Vinhos do Douro e do Porto. Os brancos podem ir do extra-seco ao muito doce, dependendo do processo de elaboração e do momento em que a fermentação é interrompida. Quando jovens, apresentam aromas florais e frutados; já os exemplares envelhecidos desenvolvem camadas mais complexas, que lembram mel, especiarias e frutos secos. Servidos entre 6ºC e 10ºC, são presença frequente em bares especializados e cartas contemporâneas. Quase o oposto, o Ruby é intenso, vermelho e marcado pelo frescor da fruta. Produzido a partir da mistura de vinhos de anos recentes, envelhece pouco e normalmente passa por balseiros, tonéis grandes ou cubas de inox para preservar o caráter jovem. Na taça, entrega aromas de frutos vermelhos e nuances florais, e é considerado uma das portas de entrada para quem começa a explorar o universo. Nos últimos anos, uma categoria passou a chamar atenção do público mais jovem: o Rosé. Com coloração rosada e perfil fresco, é servido quase gelado, a 4ºC, e aposta em notas persistentes de frutas vermelhas. Não por acaso, virou estrela de drinques e versões mais descontraídas do consumo. Entre os apreciadores mais experientes, poucas categorias despertam tanto fascínio quanto o Tawny. Ele envelhece em pipas e tonéis menores, em contato mais intenso com a madeira. O resultado aparece na cor, que vai do tinto-alourado ao dourado claro, e nos aromas de torrefação, especiarias e frutos secos. Alguns rótulos chegam ao mercado classificados como Very Very Old (conhecidos pela sigla VVO). Outro capítulo importante é o LBV (Late Bottled Vintage). Produzido a partir de uma única colheita e engarrafado entre o 4º e o 6º ano após a safra, ele combina densidade, estrutura e elevada intensidade frutada. Alguns exemplares identificados como “unfiltered” ainda apresentam grande potencial de evolução em garrafa, algo valorizado por enófilos. No topo da hierarquia aparece o Vintage, considerado por muitos a expressão máxima do vinho do Porto. Feito apenas em safras excepcionais, é engarrafado cedo e segue amadurecendo por décadas. Apresenta cor retinta, taninos marcantes e aromas exuberantes de frutas vermelhas e silvestres. Com o passar do tempo, o depósito natural faz da decantação quase um ritual obrigatório antes do serviço. Ao contrário do estigma ultrapassado de muito doce, o vinho do Porto é versátil e vem ganhando cada vez mais formas de expressão. São várias gamas de alta qualidade, oriundas de mais de 30 mil viticultores — cuja colheita e pisa é feita à mão, ainda que existam máquinas para o processo. Cerca de 85% da produção é exportada, grande parte para a França, mas o Brasil também virou destino e vem investindo cada vez mais em provas, apresentações e eventos dedicados ao fortificado português. Um brinde!

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