Jornal O Globo
É possível quantificar, em números, o favoritismo de uma seleção que disputará a Copa do Mundo? O GLOBO embarcou neste desafio. Quando México e África do Sul abrirem mais uma edição do Mundial amanhã, às 16h (de Brasília), começarão a desvendar o quadrienal mistério do quanto credenciais, currículos vencedores, talento inato e trabalho de comissões técnicas se traduzirão em bolas na rede, vitórias e força nos gramados de EUA, Canadá e México. Antes disso, é possível fazer projeções. O Favoritômetro do GLOBO, que começa a ter seus dados publicados hoje, aponta as principais forças do torneio. O levantamento envolveu a contabilização dos 1.248 jogadores convocados para o Mundial (já levando em conta as substituições após cortes) e o mapeamento das ligas e clubes em que atuam. Assim, os atletas foram classificados com base na força destas equipes e dos campeonatos. Cada liga poderia chegar a até 10 pontos por força, enquanto cada clube poderia somar até 3 pontos por tradição e conquistas e bônus de até 2 pelo momento competitivo. Veja o Favoritômetro e acesse à pontuação de cada atleta ao clicar: Initial plugin text A Premier League (Inglaterra), por exemplo, principal liga do futebol mundial, ganhou 10 pontos, enquanto La Liga (Espanha) recebeu 9 pontos. O Brasileirão ficou com 8. — A Premier League é a competição de mais alto nível no mundo, não só pela quantidade de jogadores, mas pela quantidade de times bons. É muito difícil ser um destaque enfrentando times bons a cada rodada — opina Renato Senise, correspondente dos canais ESPN em Londres. Inglaterra no topo A força do torneio inglês ajuda a explicar a Inglaterra como a líder do ranking, mesmo sob as várias controvérsias da lista de Thomas Tuchel, que deixou de fora nomes como Alexander-Arnold, Cole Palmer e Phil Foden. Dos 26 convocados, 21 atuam nela. As exceções são Quansah (Bayer Leverkusen-ALE), Bellingham (Real Madrid-ESP), Rashford (Barcelona-ESP), Harry Kane (Bayern de Munique-ALE) e Ivan Toney (Al-Ahli-SAU). Os ingleses são os primeiros de um top 4 de grandes favoritas, seguidos por Espanha, França e Brasil. Kane, Bellingham e Reece James em treino da Inglaterra CHANDAN KHANNA / AFP Atual campeã e líder do ranking da Fifa, a Argentina aparece como a segunda fora desta lista, no campo das seleções na briga pelo título. Puxam para baixo a classificação do time do técnico Lionel Scaloni nomes que atuam em clubes de ligas menos competitivas. Caso, por exemplo, do volante Rodrigo de Paul, de 32 anos, que trocou o Atlético de Madrid-ESP pelo Inter Miami, mesma equipe em que atua Lionel Messi, em julho do ano passado, na reta final do ciclo. Perdeu pontos tanto no quesito clube quanto no quesito liga. De Paul, Messi e Almada em amistoso da Argentina com a Islândia Todd Kirkland/Getty Images/AFP Outra surpresa é a presença da Holanda nesse segundo grupo, liderando as seleções cotadas como na briga. A Laranja Mecânica, que tem como protagonistas o zagueiro Van Dijk e o atacante Gakpo, que defendem o Liverpool, também coleciona representantes em clubes competitivos, como Aké (Manchester City), Hato (Chelsea), Gravenberch (Liverpool) e Reijnders (City). Os holandeses são seguidos de perto por Portugal, comandado por Bruno Fernandes, “dono” do Manchester United. — O Bruno fez uma temporada impecável na Premier League. Deu azar de estar no Manchester United numa época de vacas magras, mas jogou muita bola. Nessa temporada, bateu recorde de assistências na liga. Mas, na seleção portuguesa, nunca conseguiu repetir o alto nível que apresenta no United — avalia Senise. Van Dijk e Weghorst em treino da Holanda Sonny Lensen / ANP / AFP Bruno Fernandes comemora gol por Portugal PATRICIA DE MELO MOREIRA / AFP Espanha desbanca a França Campeã europeia e cotada por muitos como uma das principais favoritas, a Espanha aparece em segundo no levantamento. São sete convocados da Premier League, incluindo o quarteto Raya, Mikel Merino, Zubimendi e Rodri, que defendem o campeão Arsenal (os três primeiros) e o vice-campeão Manchester City. Além, claro, da legião de representantes do campeão espanhol Barcelona, clube que atingiu 14 pontos. São oito jogadores blaugranas: Joan García, Eric García, Pau Cubarsí, Gavi, Pedri, Dani Olmo, Ferran Torres e Lamine Yamal. A pontuação da Roja poderia ser ainda maior, dada a ausência de atletas do Real Madrid. Pedri e Ferran Torres representam o Barcelona na Espanha CARL DE SOUZA / AFP A Espanha fica à frente, por exemplo, da França, exaltada pela variedade de opções fortes, tanto entre os titulares quanto entre os reservas. No time dos Bleus, terceiro melhor colocado, o meia Cherki representa o Manchester City, com pontuação máxima. Junto a ele, agregam fortemente à pontuação francesa os defensores Konaté (Liverpool), Koundé (Barcelona) e Malo Gusto (Chelsea), o volante Tchouaméni (Real Madrid) e o atacante Mbappé (Real Madrid). Malo Gusto e Mbappé em treino da França FRANCK FIFE / AFP — Claramente, a Premier League teve enorme peso na colocação da Inglaterra, que não tem, no papel, o elenco mais talentoso, embora seja muito forte. Outro aspecto é a força da liga espanhola, que colocou à frente da França uma seleção que tem muitos talentos, mas não em maior número do que os franceses — opina Carlos Eduardo Mansur, colunista do GLOBO. Mansur ressalta também que a transição entre a projeção e a realidade passa pela diferença de papéis dos atletas entre clubes e seleções. E aponta a Áustria como exemplo de seleção cuja força pode ser medida por outra régua. — É um time coletivamente muito ajustado, com bons jogadores, mas colocado em 24º lugar por não ter tantos nomes em ligas de peso. O Brasil fecha o top 4 de favoritas, puxado por nomes como Alisson (Liverpool), Gabriel Magalhães (Arsenal), Casemiro, Matheus Cunha (Manchester United), Raphinha (Barcelona) e Vini Júnior (Real Madrid). Um caso em que os atletas, ainda que variando em desempenho, chegam com os mesmos papéis de destaque na balança entre clube e seleção. Vini Jr. em treino da seleção brasileira Rafael Ribeiro / CBF Participaram do levantamento: Arthur Falcão, Breno Angrisani, Davi Ferreira, João Pedro Fragoso, Leonardo Siqueira, Sharon Nigri Prais e Vitor Seta, sob coordenação de Felipe Siqueira.
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