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Dois milhões de visualizações: aos 93 anos, idosa vira fenômeno nas redes com vídeo em que curte jazz no Cardosão, em Laranjeiras | Collector
Dois milhões de visualizações: aos 93 anos, idosa vira fenômeno nas redes com vídeo em que curte jazz no Cardosão, em Laranjeiras

Dois milhões de visualizações: aos 93 anos, idosa vira fenômeno nas redes com vídeo em que curte jazz no Cardosão, em Laranjeiras

Prestes a completar 94 anos, no dia 1º de julho, a professora aposentada, atriz e agora influenciadora digital Leda Ribas ainda tenta entender o motivo de tanto sucesso na internet. O vídeo gravado há duas semanas, curtido por mais de 350 mil pessoas e com 2,3 milhões de visualizações que a transformou em fenômeno nas redes sociais foi gravado pelo neto João Filipe Rocha durante uma noite comum de sua rotina, em que saiu para curtir o jazz do Armazém do Cardosão, em Laranjeiras. É o primeiro da série "Coisas que jovens há mais tempo podem fazer no Rio", que pretende mostrar passeios divertidos e capazes de agradar (também) aos idosos. Estilo na Copa do Mundo: Marcas cariocas apostam em coleções em sintonia com a tendência 'Brasil Core' Garimpo de colecionador: De camisa com autógrafo de Pelé à bola da estreia de Neymar na Copa, exposição gratuita aposta na nostalgia e em jogos interativos Com edição ágil e bem-humorada, a filmagem começa com Leda subindo as escadarias que levam ao Armazém do Cardosão e se atrapalhando para dizer o nome da série. Ao longo do vídeo, conta que costuma frequentar o local às terças-feiras, conversa com pessoas, dança ao som da música, faz uma pausa para descansar e aproveita um pastel. Entre uma cena e outra de diversão, aparece contando, com naturalidade, que está prestes a trocar a bateria do seu marcapasso. Leda diz que mal percebeu que o neto a estava dirigindo: para ela, tudo não passava de uma grande brincadeira. — Não sei como as pessoas podem gostar de uma coisa tão simples, tão informal. Fiquei muito surpresa. Estou realmente admirada — revela. Initial plugin text Na última quinta-feira (4), Leda foi surpreendida mais uma vez pelo carinho do público. Após a apresentação da peça "O céu da língua", Gregório Duvivier interrompeu o espetáculo para pedir uma salva de palmas à atriz no Teatro Axia Casa Grande. — Eu não esperava aquilo. Fiquei muito feliz e agradeci demais. Ele soube que eu estaria lá e fez aquela delicadeza. A irmã dele é amiga do meu neto e falou sobre a minha presença — conta. Carioca, Leda nasceu em 1º de julho de 1932, no Rio, mas guarda em Niterói algumas de suas memórias mais queridas. — Morei um tempo em Niterói, que considero a minha terra. Minha adolescência lá foi inesquecível. Só voltei para o Rio depois que me casei — conta. Atriz depois dos 40 Durante 30 anos, ela trabalhou como professora alfabetizadora da rede municipal de ensino. O sonho de atuar, porém, sempre esteve guardado. A oportunidade surgiu quando já havia completado 40 anos. Em uma mesa-redonda na extinta Casa da Gávea, ouviu a atriz e diretora Cristina Pereira convidar pessoas acima dessa faixa etária para um curso de teatro. Ela se inscreveu sem avisar ao marido, um roteirista que trabalhava com televisão e que, inicialmente, não via com bons olhos a ideia de ter a esposa no meio artístico. — Quando contei, ele disse para eu ir me divertir — recorda. O que parecia apenas uma atividade recreativa mudou completamente os rumos da sua vida. O grupo formado durante o curso estreou nos palcos com "Morte e vida severina", no Teatro João Caetano. Vieram outras montagens, novos cursos e personagens. Já aposentada do magistério, Leda continuou investindo na formação artística. Participou de companhias teatrais e acabou integrando o elenco da peça "As comadres", dirigida por Ariane Mnouchkine, que viajou pela França. — Foi maravilhoso. Fizemos uma excursão pela França e foi uma experiência inesquecível — conta, animada. Em uma dessas apresentações, um diretor a viu em cena e acreditou que seu perfil poderia se encaixar nas produções da TV Globo. O convite para um teste abriu caminho para participações em programas e em campanhas publicitárias. Entre os trabalhos mais recentes estão atuações nas novelas "Dona de mim" e "Amor perfeito" e na série "Os outros" — Até hoje faço alguma coisa — afirma. Leda Ribas curtindo jazz no Cardosão: programa habitual Reprodução do Instagram O marido, que morreu há dez anos, também acabou se tornando um dos seus maiores incentivadores. Assistia aos ensaios, acompanhava as apresentações e admirava profundamente o trabalho da esposa. — Ele até ensaiava comigo. É engraçado porque sonhava em produzir a peça "Arsênico e alfazema", com a Ivone Hoffmann, e eu acabei fazendo. Ele também admirava a Ariane Mnouchkine, e eu trabalhei com ela — conta. 218 anos: Jardim Botânico celebra aniversário com entrada gratuita e lançamento de passaporte para atividades especiais A vitalidade que hoje encanta milhares de seguidores acompanha Leda há décadas. Ex-jogadora de vôlei, ela integrou a seleção fluminense nos anos 1950 e continua acompanhando o esporte com entusiasmo: — Eu amo vôlei. Sei o nome dos jogadores dos times masculinos e femininos. Gosto de todos os esportes. Só não gosto muito de futebol, mas a Copa eu acompanho, porque é para torcer pelo Brasil. Rotina agitada A rotina também passa longe dos estereótipos associados à velhice. Moradora de Ipanema, ela vive sozinha, vai ao mercado, faz pilates, frequenta teatro e cinema, joga biriba, encontra as amigas e mantém uma agenda social intensa. — Vou ao médico sozinha. Não preciso de filho para me paparicar. Eu nem dou satisfação para eles — afirma. Mãe de três filhos e avó de quatro netos, Leda diz que o apoio da família nunca faltou. Não por acaso foi um neto, João Felipe, o responsável por apresentar sua espontaneidade no mundo digital. — Ele disse para eu deixar as redes sociais com ele. Não sei o que está preparando — comenta, rindo. Nas noites de terça-feira, atualmente, um de seus programas favoritos é mesmo ir ao Armazém do Cardosão, onde costuma assistir às apresentações de jazz e aproveitar a pista de dança. — Eu gosto de ir porque é noite de jazz. A banda é ótima. Eu gosto de ficar lá dentro para dançar — explica. Ela adora dançar. Quando completou 90 anos, comemorou com uma grande festa no Leme Tênis Clube, onde se esbaldou a noite toda. Este ano, a celebração será mais discreta, porque em breve ela trocará a bateria do marcapasso, como sabe quem assistiu ao vídeo viral. Nada capaz de diminuir o entusiasmo de quem encara a passagem do tempo com rara leveza. Para Leda, o segredo não está em desafiar a idade, mas em não se deixar limitar por ela. — As pessoas acham que não estão mais na idade de fazer certas coisas. A idade não importa. Enquanto você puder fazer tudo, tem que fazer. A atriz Leda Ribas viralizou na internet aos 93 anos Arquivo pessoal Ela acredita que muitas pessoas envelhecem antes do tempo ao abrir mão da autonomia, da curiosidade e da vontade de viver. — Não tem nada que me impeça de fazer tudo o que faço — afirma. Talvez seja justamente essa combinação de independência, curiosidade e alegria que tenha conquistado tanta gente. — Posso morrer de doença, mas não de tédio — garante. — Sou uma pessoa muito abençoada. Tenho saúde, vivacidade e alegria de viver porque Deus me permite. Todos os dias eu agradeço, mas já pedindo que Ele me dê mais um tempo para aproveitar tudo o que eu puder. O neto João Filipe se orgulha do sucesso inesperado da avó. — Ela tinha 240 seguidores e, depois do vídeo, está com 46 mil. Ela é muito ativa, e eu já tinha várias ideias de conteúdo para as redes dela, mas nunca executava. Resolvi fazer logo na semana passada esse vídeo, que é o primeiro de uma série mostrando os lugares que ela frequenta. Porque é isso que ela já faz. Ela adora sair, vai comigo sempre ao Cardosão. Foi tudo muito espontâneo mesmo — relata. Initial plugin text

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