Revista Oeste
A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp) criticou a decisão da União Europeia (UE) de impor novas restrições à importação de carnes, mel e outros produtos de origem animal provenientes do Brasil. Em nota divulgada neste sábado, 6, a entidade classificou a medida como discriminatória e cobrou uma resposta mais firme do governo federal e dos países do Mercosul. O posicionamento ocorre em meio às discussões sobre novas exigências sanitárias adotadas pelo bloco europeu para produtos agropecuários importados . Conforme a Faesp, as restrições representam uma mudança unilateral nas condições negociadas ao longo de décadas entre a UE e o Mercosul. “É um profundo desrespeito que, após 25 longos anos de negociações entre a União Europeia e o Mercosul, com tudo acertado e alinhado entre as partes, o bloco europeu decida mudar as regras do jogo de forma casuística”, afirmou a entidade. A federação afirma que as novas barreiras não possuem fundamentação técnica suficiente e funcionam, na prática, como mecanismos de proteção ao mercado europeu. Na avaliação da organização, países concorrentes do Brasil, como Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia, utilizam produtos semelhantes na produção pecuária sem enfrentar restrições equivalentes por parte da União Europeia. A carne brasileira está na mira dos europeus | Foto: Reprodução/Freepik Defesa da sanidade animal A nota também faz uma defesa do sistema sanitário brasileiro. A entidade sustenta que o país mantém padrões reconhecidos internacionalmente e destaca o histórico da pecuária nacional. “A sanidade animal do rebanho brasileiro é totalmente sem mácula, sendo referência global e nunca tendo registrado um único caso de vaca louca”, ressaltou a federação. O Brasil figura entre os maiores exportadores mundiais de carne bovina, carne de frango e outros produtos agropecuários. O mercado europeu, embora não seja o principal destino das exportações brasileiras em volume, possui relevância estratégica por causa do valor agregado dos produtos e da influência regulatória exercida pelo bloco sobre o comércio internacional. Faesp cobra o governo Lula A Faesp defendeu uma atuação mais contundente da diplomacia brasileira diante das medidas anunciadas pela União Europeia. Como mostrou Oeste , a decisão da UE ameaça quase US$ 2 bilhões em exportações brasileiras de carnes . De acordo com a entidade, o governo federal deve ampliar os esforços para contestar eventuais restrições consideradas injustificadas e garantir segurança jurídica aos exportadores brasileiros. “O Brasil não pode aceitar passivamente ser alvo de retaliações geopolíticas infundadas”, afirmou a federação. A organização argumenta também que a defesa dos interesses comerciais brasileiros exige coordenação regional. Para tanto, pediu uma atuação conjunta dos países do Mercosul diante das decisões europeias. A Faesp cobrou reação do governo Lula | Foto: Revista Oeste /Shutterstock/Agência Brasil Apelo ao Mercosul No documento, a Faesp cita especificamente a Argentina e o Uruguai como parceiros importantes para uma reação coordenada do bloco sul-americano. A entidade avalia que negociações internacionais dessa natureza tendem a ocorrer com maior peso político quando conduzidas por blocos econômicos e não por países isoladamente. “Não permitiremos que nos dividam para nos enfraquecer; o bloco precisa responder à altura dessa afronta”, afirmou a federação. A discussão ocorre em um momento de sensibilidade nas relações comerciais entre UE e Mercosul. Depois de mais de duas décadas de negociações, o acordo comercial entre os blocos continua enfrentando resistências em diferentes países europeus, sobretudo em temas relacionados à agricultura, meio ambiente e regras sanitárias. + Leia mais notícias de Agronegócio em Oeste https://www.youtube.com/watch?v=HUHQexaUc0g&pp=0gcJCSgLAYcqIYzv O post Agro paulista acusa União Europeia de protecionismo contra produtos brasileiros apareceu primeiro em Revista Oeste .
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