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Em São Paulo para a Parada LGBTQIA+, mães unem causas em jogo da seleção feminina | Collector
Em São Paulo para a Parada LGBTQIA+, mães unem causas em jogo da seleção feminina
Jornal O Globo

Em São Paulo para a Parada LGBTQIA+, mães unem causas em jogo da seleção feminina

Entre os 31 mil torcedores presentes na Neo Quimica Arena para a vitória por 2 a 1 da seleção feminina sobre os Estados Unidos, duas se destacavam pelas cores que carregavam. Além dos tradicionais verde e amarelo, Eliane Mendonça, de 50 anos, e Márcia Vanzella, de 63, levavam a bandeira do arco íris para o estádio em lenços, brincos e maquiagem. O momento representou a união de duas causas caras às duas, que fazem parte da ONG Mães pela Diversidade e vão para a Parada do Orgulho LGBTQIA+ neste domingo. Eliane é palmeirense e Márcia é de família são-paulina, mas revelou ser identificada com a história do Corinthians. Elas são de São José dos Campos e se conheceram através da ONG por serem mães de pessoas transexuais, dividindo também o amor pelo futebol, o que fez com que casassem a viagem para os dois eventos. — É fundamental essa questão do respeito e do acolhimento. Lugar de mulher é onde ela quiser. Ninguém tem nada a ver com isso. Então a gente está aqui para defender esse espaço, para dar o nosso acolhimento para elas (seleção feminina) e dizer que elas são muito importantes para os nossos filhos, para as nossas filhas e para os nossos filhes. E para a gente também. A nossa paixão pelo futebol também nos trouxe aqui. Como a gente já estava em São Paulo e tinha essa oportunidade do jogo ser bem pertinho da Parada, a gente arrumou um lugarzinho na agenda — disse Eliane. Juntaram-se à ONG há três anos com o desejo de somar à luta contra a discriminação e tentar construir um presente e futuro melhor não só para seus filhos e filhas, mas para outras pessoas também. Superaram o próprio medo e preconceito para acolhê-los e revelaram o aprendizado diário nas trocas. — A gente costuma dizer, assim, que a gente chega na ONG pelo medo. Quando a gente descobre que a gente tem um filho ou uma filha que faz parte de uma minoria, que é a que mais morre, que mais é assassinada no país, dá um pouco de desespero. Então, quando a gente tem um filho, você quer pôr num potinho, e aí você vê que não vai existir esse potinho. Então, é no meio desse desespero, do medo, que a gente chega na ONG, e é pelo amor que a gente fica. Porque hoje a nossa luta não é mais só pelo meu filho, pela filha dela. O medo nos aproximou e o amor nos uniu — contou Eliane. — Nenhum filho, nenhuma filha, nenhum filhe deve ser obrigado a sair de casa pelo que ele é. Se você ama, você acolhe. Você não perdeu um filho, você ganhou uma filha. Você não perdeu uma filha, você ganhou um filho. É uma pessoa e é o amor que nos move. — acrescentou Márcia. Bia Zaneratto comemora seu gol pelo Brasil contra os Estados Unidos Livia Vilas Boas/CBF A Parada LGBTQIA+ completa 30 anos em 2026 e elas reforçam a importância da presença de todos na Avenida Paulista, onde ocorre a manifestação. Com o lema "tire seu preconceito do caminho que estamos passando com nosso amor", defendem que é um lugar para todos que defendem o respeito e a diversidade. — Há muita desinformação acerca da Parada, de que é um lugar onde não deveriam ir crianças, por exemplo. Não, é um lugar de amor, é um lugar onde as pessoas vão justamente para marcar essa posição. As famílias de LGBTs, elas existem e elas resistem. E é uma festa linda, é uma coisa emocionante. — falou Eliane. Entre comentários indignados sobre casos de discriminação no futebol, Marcia relembrou de quando viram Formiga levantar o troféu da Libertadores Feminina de 2011, pelo São José, e celebrou o clima acolhedor que o futebol feminino oferece. — O futebol feminino é maravilhoso e o ambiente é saudável. As pessoas se respeitam, você não precisa ter medo. A gente, como mulher, está num espaço em que você não precisa ter medo de quem está ao seu lado, de ir ao banheiro, de andar pelos corredores do estádio. Isso é utopia. Mas isso pode ser realidade. Eliane (esquerda) e Márcia (direita), no jogo da seleção feminina Arquivo pessoal

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