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A farsa do ‘aquecimento’ da Antártica | Collector
A farsa do ‘aquecimento’ da Antártica
Revista Oeste

A farsa do ‘aquecimento’ da Antártica

Na primeira parte deste texto , apresentamos as considerações iniciais do artigo da equipe chinesa liderada por Ziqi Ma, intitulado “Reconstrução Profunda Baseada na Aprendizagem das Temperaturas Mensais do Ar Superficial Antártico de 1979 a 2023”. Os autores destacaram as dificuldades para obter dados in situ de qualidade, indispensáveis à reconstrução das temperaturas do ar sobre o continente antártico. O estudo buscou identificar tendências lineares nesses registros, distribuídos em uma malha com resolução de um grau de latitude por um grau de longitude, projetada sobre a Antártica e os mares adjacentes. A área analisada abrangeu toda a região polar ao sul de 60°S. Como a base de dados reuniu fontes distintas, cada uma com configurações, metodologias e procedimentos próprios, os resultados apresentaram diferenças significativas. Apenas a incorporação de dados de satélite já introduziu uma fonte adicional de divergência. Os diversos sensores utilizados, suas resoluções espaciais e as diferentes formas de cobertura e processamento dos dados foram apontados pelos autores como um problema específico, capaz de produzir resultados substancialmente distintos dos obtidos por outros métodos. Essas discrepâncias foram observadas tanto em satélites equipados com espectrômetros de resolução moderada quanto naqueles que operaram radiômetros avançados de alta resolução, como os sistemas Modis e AVHRR. As divergências tornavam-se ainda mais evidentes quando a superfície estava encoberta por nuvens, condição frequente na Antártica e nos oceanos que a circundam. Convém lembrar que os autores também incorporaram os chamados “conjuntos de dados de reanálise”, descritos por eles próprios como portadores de “disparidades notáveis que ainda permanecem entre vários conjuntos de dados de reanálise na Antártida, particularmente nas tendências de temperatura” (grifos nossos). Isso ocorre porque a temperatura do ar em superfície nesses conjuntos não resulta de medições instrumentais diretas, mas da simulação produzida por modelos computacionais de circulação atmosférica, alimentados por uma ampla variedade de observações assimiladas. Essa característica se torna particularmente relevante quando se pretende avaliar variações da ordem de centésimos de grau. Em situações como essa, a própria natureza dos dados utilizados, somada às limitações inerentes aos modelos, impõe restrições importantes à precisão das estimativas, sobretudo em uma região tão complexa e pouco observada quanto a Antártica. Segundo os autores, o “método de aprendizado profundo” (um outro esquema de modelo) tem sido utilizado para melhorar a cobertura espacial da “informação” climática, apresentando um desempenho superior em relação aos métodos tradicionais de interpolação de dados. Isso supostamente forneceria reconstruções mais precisas e fisicamente consistentes, em comparação com os métodos convencionais. De fato, o estudo representou uma continuidade da metodologia empregada pela mesma equipe em um trabalho anterior, publicado em 2023 e dedicado ao Ártico. A pesquisa atual também consolidou diversos desenvolvimentos metodológicos apresentados separadamente em estudos anteriores, reunindo em uma única estrutura os diferentes elementos que haviam sido testados de forma isolada. O resultado foi a construção de uma grade de dados com resolução de 1° por 1° de latitude e longitude, projetada sobre uma representação polar da região antártica. A matéria-prima das reconstruções Nesses termos, as “reconstruções” da temperatura do ar basearam-se em diversas séries de observações diárias provenientes de instituições e programas internacionais, incluindo o Global Historical Climatology Network-Daily (GHCN-d), a Divisão Antártica Australiana (AAD), a rede Panda de estações meteorológicas automáticas (AWS), o Centro de Pesquisa Meteorológica da Antártica (AMRC), o conjunto de dados Reader, as Estações Meteorológicas Antárticas Italianas (IAWS) e o banco de dados das estações meteorológicas automáticas antárticas (AntaWS). Segundo os autores, os registros utilizados correspondem às temperaturas médias diárias do ar. Para as áreas oceânicas da região polar, foram empregados dados do International Comprehensive Ocean-Atmosphere Data Set (Icoads). Cabe destacar, entretanto, que nem todas as medições utilizadas foram realizadas segundo o padrão de referência de 2 metros de altura em relação à superfície, aspecto que não foi avaliado ou discutido pelos autores. Distribuição geográfica dos dados observacionais na Antártida (ao sul de 60°S) de 1979 a 2023. O mapa mostra as localizações de várias estações de observação: estações meteorológicas GHCN-d, série de 1979–2023 (pontos amarelos); AWS Antártica, série de 1980–2023 (pontos azuis escuros); observações do Icoads sobre o oceano (pontos prata); observações das estações meteorológicas Antárticas italianas, série de 1987–2023 (pontos azuis claros); observações da Divisão Antártica Australiana, série de 1982–2022 (pontos verdes escuros); observações da rede automática de estações meteorológicas Panda, série de 1989–2021 (pontos vermelhos); observações do AntaWS, série de 1980–2021 (pontos roxos pequenos) e observações do Reader, série de 1979–2023 (pontos laranjas). As observações diárias das estações marcadas com círculos vermelhos são usadas para validar a Temperatura do Ar em Superfície Antártica reconstruída | Fonte: Nature , 2025 O controle de qualidade dos dados foi realizado por meio de critérios destinados a identificar e eliminar registros considerados inconsistentes. Isso envolve séries que permaneciam inalteradas por longos períodos ou que não apresentavam o comportamento sazonal esperado. Durante o processo de padronização, também foram aplicadas médias temporais, incluindo a conversão de registros horários em médias de três ou seis horas, procedimento que pode mascarar variações relevantes, sobretudo nas condições peculiares da região antártica. Registros considerados incorretos, ausentes ou incompatíveis com os critérios de qualidade estabelecidos foram descartados e tratados como inexistentes. Na construção do modelo, foram empregadas metodologias adicionais de ponderação espacial, levando em conta a proporção entre áreas oceânicas e continentais em cada célula da grade. Esse procedimento foi necessário para converter a grade polar original em uma grade cartesiana composta por células de 100 km por 100 km, posteriormente classificadas em categorias de 25%, 50%, 75% e 100% de cobertura. Quando faltam observações, entram os modelos Para avaliar os conjuntos de reanálise mencionados na primeira parte deste texto, os autores utilizaram médias mensais plurianuais derivadas e normalizadas a partir das próprias reanálises. Segundo o artigo, não havia dados observacionais suficientes para produzir as estatísticas exigidas pelo modelo. Por essa razão, o processo de “aprendizagem” foi acelerado para favorecer a convergência dos resultados diante das disparidades observadas entre as diferentes simulações. O resultado, nas palavras dos autores, foi uma “arquitetura projetada para reconstruir campos de temperatura do ar em superfície na Antártica fisicamente consistentes e espaço-temporalmente contínuos a partir de insumos observacionais esparsos”. A validação foi realizada com apenas dez verificações independentes, limitação atribuída pelos autores a “restrições computacionais”. Nesse contexto, não surpreende que as correlações obtidas tenham sido elevadas, uma vez que derivaram dos próprios elementos utilizados na construção do modelo, variando conforme a série de dados empregada. As anomalias anuais da temperatura do ar em superfície, calculadas a partir das dez reconstruções de avaliação e referenciadas à média do período de 1979 a 2023 para toda a região situada ao sul de 60°S — abrangendo a Antártida e os oceanos adjacentes —, apresentaram uma tendência linear negativa ao longo da série temporal. Esse resultado parece contrariar a premissa inicial de um “aquecimento generalizado” da região. Anomalias anuais da temperatura do ar média em superfície entre 1979–2023 na Antártida (ao sul de 60°S) de 10 reconstruções de avaliação. Essa mesma validação será considerada por Ted Nikolov | Fonte: Nature , 2025 No tocante aos resultados, os seis conjuntos analisados apresentaram quadros bastante distintos, dependendo da base de dados utilizada. Na reconstrução primária das séries de temperatura do ar em superfície para o período de 1979 a 2023, destacaram-se dois extensos bolsões de resfriamento sobre a maior parte da Antártica Oriental. Essas áreas abrangiam desde a Terra da Rainha Maud, passando pela região central do continente, até as Terras Adélie, incluindo a área da estação francesa Dumont d’Urville. Por sua vez, a porção continental situada entre os meridianos de 110°W e 150°W apresentou uma leve tendência de aquecimento, variando entre 0,0°C e 0,5°C por década. Já na maior parte da região polar ao sul de 60°S, as tendências oscilaram entre –0,2°C e 0,2°C por década. Vale notar que os autores demonstraram surpresa diante de uma intensa tendência de aquecimento identificada em uma área oceânica do Pacífico Sul, localizada cerca de 500 km ao norte do Mar de Ross e com extensão superior a 1 mil km. Segundo o artigo, essa região “não fazia parte do objeto de estudo”, o que levou os pesquisadores a atribuir o resultado a uma possível insuficiência de dados capazes de orientar adequadamente o “modelo de aprendizado” naquele setor. Ainda assim, eles não apresentaram uma explicação conclusiva para o fenômeno. Uma hipótese plausível é que o modelo tenha sido condicionado a reproduzir tendências de aquecimento observadas em áreas limítrofes com maior disponibilidade de dados, extrapolando esse padrão para regiões carentes de informações observacionais. Ao identificar pontos distantes com características consideradas semelhantes, o sistema pode ter estabelecido conexões por interpolação, gerando uma aparente “bolha quente” sem correspondência física demonstrada. Situações desse tipo não são incomuns em exercícios de reconstrução espacial baseados em modelos e dados esparsos. A arquitetura da reconstrução Quanto às demais representações analisadas, a conclusão foi semelhante: não se observou nenhuma mudança significativa na região polar. Independentemente da fonte utilizada — Berkeley Earth, ERA5, NOAA (GlobalTemp5.1), Nasa (Gistempv4) ou a britânica HadCRUT5 —, as tendências permaneceram muito próximas da estabilidade, oscilando entre –0,2°C e 0,2°C por década na maior parte da área polar situada ao sul de 60°S. Nesse sentido, o físico Ph.D. Ned Nikolov observou, em dezembro de 2025, que “os dados agora são conclusivos! Não houve aquecimento na Antártida desde 1979!”. Ao comentar os resultados, Nikolov destacou tanto o trabalho de Ziqi Ma e sua equipe quanto a série de temperaturas da baixa troposfera produzida pela Universidade do Alabama em Huntsville (UAH), nos Estados Unidos. Segundo ele, esse conjunto de dados também apresenta uma tendência próxima de zero para as anomalias mensais de temperatura do ar na região ao longo do período analisado. Mapas com as tendências lineares das séries de Temperatura do Ar em Superfície Antárticas anuais de 1979 a 2023. (A) Séries Antárticas Reconstruídas diretamente; (B) base de dados de Berkeley Earth; (C) base de dados ERA5; (D) base de dados NOAAGlobalTemp5.1; (E) base Gistempv4 e (F) base de dados HadCRUT5. O significado estatístico menor que 0,05 foi indicado por cruzes verdes. Os círculos coloridos representam as tendências das temperaturas do ar em superfície do conjunto de dados READER, com círculos grossos denotando tendências significativas de aquecimento e círculos finos indicando que as tendências não são estatisticamente significativas pelos modelos empregados. As localizações das estações antárticas usadas para validação de tendências foram marcadas com triângulos roxos. As áreas brancas nas grades indicaram as regiões cujos dados foram considerados insuficientes pelos procedimentos empregados para calcular tendências lineares | Fonte: Nature , 2025 Montagem composta por gráficos comparativos elaborados pelo Físico Ned Nikolov com os dados de validação empregados por Ziqi Ma, da figura 3, e os dados das temperaturas do ar estimadas para a baixa troposfera da região polar Sul, incluindo a Antártida, obtida pela Universidade do Alabama em Huntsville, EUA, ambos do período da pesquisa entre 1979-2023 | Fonte: Ned Nikolov, 2025 Como ressaltei anteriormente, trata-se de um artigo extenso cujo principal mérito está menos em responder questões relacionadas ao “derretimento antártico”, ao “aquecimento global” ou, menos ainda, às “mudanças climáticas”, e mais em expor as enormes dificuldades envolvidas na observação meteorológica de uma região inóspita como a Antártica. Nesse aspecto, o trabalho oferece um exame detalhado das limitações observacionais e das técnicas empregadas para contorná-las. Esse tipo de modelagem não responde às questões fundamentais sobre as causas dos fenômenos observados nem permite determinar com segurança o que ocorrerá no futuro. Seu objetivo é reconstruir padrões do passado a partir dos dados disponíveis, utilizando modelos alimentados por observações esparsas e submetidos a diferentes aproximações, ponderações e critérios metodológicos. Em consequência, os resultados refletem não apenas os dados utilizados, mas também as escolhas, pressupostos e limitações inerentes aos próprios procedimentos adotados. Em outras palavras, o chamado “método de aprendizado profundo” consistiu, essencialmente, em um sistema sofisticado de ponderação espaço-temporal. Nele, dados provenientes de diferentes fontes foram processados por uma série de procedimentos metodológicos com o objetivo de preencher lacunas observacionais e reconstruir um campo geográfico contínuo da temperatura do ar em superfície. A partir dessa estrutura, o modelo procurou estimar a distribuição espacial da variável e identificar suas tendências ao longo do tempo, combinando informações observadas e valores inferidos pelos próprios procedimentos empregados. Ciência, dados e interesses Por isso, quando afirmo que determinado resultado representa “o melhor que conseguimos obter”, isso não significa que ele corresponda a uma medição perfeita da realidade. Avaliações construídas sobre essas premissas deveriam explicitar com maior ênfase as limitações e incertezas inerentes ao próprio processo de reconstrução. Afinal, tendências extraídas de conjuntos de dados não constituem projeções do futuro, como sempre alertamos. Elas apenas descrevem o comportamento observado durante um intervalo específico de tempo, condicionado pela qualidade dos dados disponíveis e pelos métodos empregados em sua interpretação. Se os resultados apontassem alterações expressivas, haveria ao menos motivo para alguma preocupação. Ocorre que os valores encontrados são mínimos, quando não estatisticamente indistinguíveis de zero, inserindo-se na própria variabilidade climática de uma das regiões mais extensas e menos compreendidas do planeta: a área polar ao sul de 60°S. Transformar esse comportamento natural em evidência de uma crise climática iminente representa uma extrapolação que os próprios dados apresentados não parecem sustentar. Vale lembrar que várias das agências citadas como fontes de dados, sem exceção, advogam pela causa climática, pois seus recursos de manutenção têm origem nos governos ou, em alguns casos, em empresas interessadas. Ambos apoiam o discurso alarmista com propósitos distintos, mas complementares. Enquanto governos conseguem mais impostos e poder, empresas do mainstream g lobal conseguem mais lucros e monopólios. A população? Essa fica no fogo cruzado! + Leia notícias do Mundo em Oeste https://www.youtube.com/watch?v=QJsO_tvI7hk O post A farsa do ‘aquecimento’ da Antártica apareceu primeiro em Revista Oeste .

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