Jornal O Globo
A 30ª edição da Parada LGBT+, neste domingo (7), em São Paulo, tem entre os frequentadores diversos jovens e crianças. O tema provocou debates recentes na Câmara Municipal, onde tramita um projeto de lei que tenta restringir a presença de menores de idade em eventos do tipo. Parada LGBT+: Com slogan político, evento tem profusão de camisas e bandeiras do Brasil Os vereadores de SP aprovaram em primeira votação, em maio, um projeto de lei para proibir a presença de crianças e adolescentes em eventos públicos e privados que façam "alusão ou fomente práticas LGBT+". O texto tenta ainda impõe uma classificação indicativa para maiores de 18 anos e multas em caso de descumprimento, além de impedir a interdição de vias públicas para realização de celebrações como a Parada. A proposta é criticada por quem esteve no desfile deste final de semana. Pais e responsáveis entrevistados pelo GLOBO enxergam a Parada como um espaço de aprendizado sobre inclusão e diversidade para as crianças. — Não podemos proibir uma criança de ver o que está acontecendo no mundo. Isso é uma preparação para a vida adulta. Eu sou casada com um homem, mas aqui temos famílias de diversos jeitos, assim é a sociedade — diz a professora Germana de Paula, de 46 anos. Ela trouxe os filhos Valentina, de 8 anos, e Gabriel, de 14, para o evento, ao lado da sobrinha Ana Paula Silva, de 45 anos. Brasileiros moradores de Berlim, na Alemanha, o casal Lunara Costa, de 34 anos e Hugo Nogueira, de 39, aproveitaram as férias no país para apresentar a Parada para a filha Stella Costa, de 1 ano. — Acho completamente absurda essa proposta que quer proibir crianças na Parada. Quem não quer é só não vir. A existência desse tipo de discussão de proibição mostra porque esse tipo de evento tem que existir — diz Nogueira. O casal Vanessa Simplicio e Aline Lima, ambas de 40 anos, escolheram a 30ª edição para levar os filhos Marya Vitorya, de 13 anos, e Enzo Gabriel, de 10, pela primeira vez ao evento. — Queremos criá-los em um ambiente sem preconceito e sem intolerância, e que eles vivenciem esse amor único presente hoje aqui na Paulista — diz Vanessa. Vanessa Simplicio e Aline Lima e os filhos Marya Vitorya e Enzo Gabriel, na Parada LGBT+ de 2026 Guilherme Queiroz / O GLOBO Brasil na avenida Os participantes da 30ª Parada levaram também as cores do Brasil para o desfile deste ano. Camisetas da seleção, bandeiras, meias e chapéus traziam as cores da seleção, mas quem vestia o verde e amarelo conta que a escolha é motivada mais pela proximidade das eleições do que entusiasmo pela Copa do Mundo, que começa na próxima semana. A organização do evento elegeu a importância do voto e a defesa dos direitos da comunidade LGBT+ como o tema central de 2026. "A rua convoca, a urna confirma", é o slogan do ano. — Hoje podemos por a bandeira do Brasil na nossa causa, símbolo que por muito tempo foi apropriado pela extrema-direita — diz a assistente social Silvia Maria de Lima, de 58 anos, que trabalha em uma ONG voltada para o atendimento de pessoas portadoras de HIV. — É a primeira vez que vejo essas cores (do Brasil) sendo tão usadas na Parada. A política é um tema muito importante diante de um mundo polarizado. Acho que podemos tratar essa briga esquerda-direita de uma maneira mais saudável — diz o psicólogo Ruggeri Tavares, de 34 anos. Estudante de medicina Gabriel Yuri Pereira, na Parada LGBT+ de 2026 em SP Maria Isabel Oliveira / O Globo No trio elétrico que lidera o desfile pela Paulista, políticos como a deputada federal Samia Bonfim (PSOL) discursaram contra propostas que tentam retirar o evento das ruas da capital paulista e restringir a presença de crianças (veja mais abaixo). Durante discurso da parlamentar, a multidão vaiou o projeto de lei que tramita na Câmara Municipal que quer restringir o evento para espaços fechados. A Parada deste ano teve uma queda substancial no número de marcas patrocinadoras e precisou reduzir o número de trios elétricos que desfilam pela Avenida Paulista. — Estamos vendo uma falta de patrocínios nos trios. E para mim isso está muito relacionado a esse clima conservador que estamos vendo na sociedade. Esse ano precisamos defender o voto consciente para a comunidade LGBT, defender que todos temos os mesmos direitos — diz a psicóloga Andrea Domanico, de 60 anos. — Essa bandeira simboliza que o Brasil é um país de todas as cores e que todas as cores precisam ser respeitadas — diz Suely Oliveira, 67 anos, esposa de Andrea. Andreza Costa e Elida Silva, de Belém (PA), na Parada LGBT+ de 2026, em SP Maria Isabel Oliveira / O Globo De Belém do Pará, o casal Andreza Costa e Elida Silva, as duas com 41 anos, se impressiona com a quantidade de pessoas no evento e contam que é a primeira vez que participam de uma Parada que elegeu a política como tema principal. — Acho que além da gente se divertir, saímos bem orientados sobre os temas em debate na comunidade e os questionamentos que temos que fazer. Precisamos de mais vozes que nos representem dentro e fora da política — diz Andreza. Quem também veio de outro estado para curtir o evento é o estudante de medicina Gabriel Yuri Pereira, de 21 anos. — Sou de Itajubá, Minas Gerais. Tinha muita vontade de conhecer o evento e o tema desse ano me chamou atenção. É legal ouvir sobre as visões políticas das pessoas e precisamos falar mais sobre esse assunto — diz Pereira.
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