Jornal O Globo
O ator Michel Gomes relatou ter sido alvo de um ataque racista neste domingo (7), quando chegava a um restaurante na Barra da Tijuca, na Zona Oeste do Rio, para almoçar com a família. Leia também: Namorados, Iza e João Vitor Silva vão contracenar em novo filme da Globo. Veja foto exclusiva E mais: Fabio Porchat fala de haters e dos planos de casamento com Priscila Castello Branco Ele estava acompanhado da mulher, a assistente de direção Fernanda Verçosa, da enteada, da sogra e do avô de Fernanda. Segundo o ator, enquanto Fernanda estacionava o carro, um homem começou a xingá-los: — No estacionamento, precisamos descer com um idoso, o que demora. Ainda mais nosso avô, que está numa fase debilitada, com cadeira de rodas, muleta. O funcionário do estacionamento pediu para aguardarmos enquanto outro veículo estacionava. A pessoa que estava no carro atrás do nosso começou a buzinar sem parar, trazendo desconforto para a gente. Quando conseguiu passar por nós, ele começou a xingar em nossa direção. Muitos palavrões. Chamou minha esposa de filha da p*ta. Entramos no restaurante chateados e, lá dentro, encontramos novamente esse homem, que veio me encarar. Ele foi para o segundo andar do restaurante, mas, não conformado, desceu de novo e ficou me procurando. Veio em minha direção, com tom de ameaça, gritando: “Você sabe com quem você está falando?”. Ele falou ainda que eu estava com a família e que deveria tomar cuidado com ele. Gomes relata que o homem, que também estava acompanhado de familiares, seguiu com ofensas a Fernanda e fez gestos obscenos. — Minha esposa disse que ele não poderia falar daquele jeito, e ele começou o show dentro do restaurante. Falou: “Não se mete, você não tem direito de se meter, cala a sua boca”. Machista. Eu também comecei a falar com ele num tom menos amigável. Ele me mandou calar a boca e disse: “Te pego lá fora, você não sabe com quem está mexendo”. Ainda fez gestos obscenos. Nos sentimos ameaçados, constrangidos. A situação foi tão absurda, que o segurança do restaurante veio nos dar apoio, uma forma de nos proteger. O dono do restaurante disse que não compactua com isso, mas que não poderia retirar aquele cliente do local. Estávamos de cabeça quente e não pensamos em chamar a polícia na hora — comenta o ator. Ele ressalta que ainda não registrou boletim de ocorrência, pois tenta descobrir a identidade do agressor por meio da placa do carro. O ator afirma que também recebeu apoio de uma advogada que estava no local e se ofereceu para ajudá-los a identificar o homem, para que medidas legais sejam tomadas: — Era um homem branco, de olhos claros, meio grisalho, um pouco forte; devia ter uns 40 anos. Ele estava com a mulher e a filha, todos vestindo a camisa da seleção brasileira. Uma advogada que estava no restaurante viu tudo e ficou revoltada com a situação, com o machismo, com o racismo dele. Ela conseguiu a placa do carro e, agora, através da placa, estamos tentando descobrir quem é essa pessoa que nos humilhou e nos xingou para entrarmos na Justiça. Ele veio diretamente para mim, me acusando e me ameaçando, completamente incomodado com a minha presença. Quem estava dirigindo nem era eu, era a minha esposa. Ele acabou com a nossa tarde. Preferimos sair do local. Ninguém concordou com a atitude dele. Eu fiquei realmente com o temperamento quente, porque eu não aceito esse tipo de desaforo. Minha enteada chorando, todos nervosos. Tudo porque ele queria passar na nossa frente no estacionamento. TV e famosos: se inscreva no canal da coluna Play no WhatsApp Gomes reforça o absurdo da situação, diz que já passou por episódios semelhantes e afirma que não pretende deixar o caso sem providências: — Isso não pode acontecer. Ele tirou o nosso dia de paz. Uma situação terrível. Eu me senti ameaçado, estava com a minha família, vulnerável. Se ele pega alguém no mesmo nível de baixaria dele, poderia ter sido muito pior. Inadmissível. Já passei por isso diversas vezes. Em todas as vezes fiquei calado e algumas vezes ainda me senti culpado. Dessa vez, não quero mais que isso aconteça. Não quero me colocar no lugar de vítima. Sou negro, sou de periferia, todas as vezes me coloco num lugar de: “Não vou falar, porque podem achar que sou culpado”. Dessa vez, chegou ao meu nível de estresse máximo. Quero agir perante a lei. Não vou deixar passar. Galerias Relacionadas Initial plugin text
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