Jornal O Globo
Um medicamento para obesidade da classe GLP-1, desenvolvido pela farmacêutica britânica AstraZeneca, parece promover perda de peso comparável a outras versões orais da mesma família, de acordo com um estudo publicado na segunda-feira (8), que ainda precisa ser confirmado por ensaios clínicos maiores. O princípio ativo usado no estudo é o elecoglipron, que tem efeito parecido ao usado nas canetas emagrecedoras, como a semaglutida e a tirzepatida, do Ozempic e Moujaro respectivamente. Ambos são agonistas do receptor de GLP-1, que mimetizam o hormônio natural GLP-1. Entenda: Brasil paralisou a vacinação contra a dengue com o imunizante do Butantan Dengue: Qual é a diferença da vacina do Butantan que foi suspensa e a fabricada pela farmacêutica Takeda? "A magnitude da perda de peso observada com o elecoglipron neste estudo é, em termos gerais, comparável aos resultados relatados com outros agonistas orais do receptor GLP-1", resume este estudo de fase intermediária publicado na revista médica The Lancet. O elecoglipron, administrado por via oral uma vez ao dia, "apresentou um perfil de segurança e tolerabilidade consistente" com esta classe de medicamentos que causam perda de peso significativa e reduzem o apetite, acrescenta o estudo randomizado realizado com 310 participantes. Esses resultados justificam o "desenvolvimento contínuo" e um ensaio clínico com um grande número de pacientes "para confirmar a magnitude da perda de peso a longo prazo" e sua segurança antes de solicitar a autorização de comercialização, acrescenta o estudo. Em adultos com obesidade ou sobrepeso sem diabetes, este medicamento resultou em "reduções médias de peso de até 10,5% em 26 semanas e 11,8% em 36 semanas no grupo que recebeu a dose mais alta", enfatiza a Dra. Marie Spreckley, pesquisadora de obesidade da Universidade de Cambridge. "Portanto, serão necessários estudos de fase 3 maiores e de longo prazo para confirmar a persistência desses efeitos, estabelecer a segurança e a tolerabilidade a longo prazo e determinar o lugar deste tratamento dentro da crescente gama de tratamentos para obesidade e diabetes", acrescentou. Seu sucesso marcaria a entrada da AstraZeneca neste cobiçado mercado de medicamentos para obesidade. As duas líderes do setor, a Nova Nordisk, da Dinamarca, e a Eli Lilly, dos Estados Unidos, já desenvolveram versões em comprimido de seus agonistas do receptor GLP-1, que são mais convenientes do que as injeções subcutâneas. O medicamento da Mounjaro (orforglipron, da Eli Lilly) foi aprovado em abril nos Estados Unidos, onde é comercializado atualmente sob o nome de Foundayo. Ele também está avançando para ser liberado no Reino Unido, com tratamento que pode dar sequência ao das canetas, e que tem um custo até sete vezes mais barato que ela. A formulação em comprimido de Wegovy, da Novo Nordisk, está disponível nos Estados Unidos e foi aprovada pelas autoridades sanitárias da União Europeia em maio.
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