Jornal O Globo
A decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou a tornozeleira eletrônica de Raimundo Nonato Nogueira, irmão do senador Ciro Nogueira (PP-PI), também permitiu que os dois voltem a manter contato. A mudança, contudo, não decorre de uma revisão das restrições impostas ao senador. As cautelares aplicadas a Ciro por Mendonça permanecem em vigor, incluindo a proibição de contato com todos os demais investigados da Operação Compliance Zero, exceto o irmão, agora beneficiado com a derrubada das cautelares. Raimundo é um dos alvos da operação que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e empresas ligadas ao grupo de Daniel Vorcaro. Até então, ele estava submetido a medidas cautelares impostas durante a investigação, entre elas o monitoramento eletrônico e restrições de contato. Ao analisar um pedido da defesa, Mendonça entendeu que não estavam mantidos os fundamentos que justificaram a manutenção das cautelares mais graves, e determinou a retirada da tornozeleira eletrônica. Com isso, também deixou de vigorar a vedação de comunicação com outros investigados, o que inclui o senador Ciro Nogueira. Raimundo Nonato Nogueira foi alvo de medidas determinadas no curso da investigação conduzida sob relatoria de Mendonça no STF. O inquérito apura a atuação de diferentes núcleos ligados ao esquema investigado e segue em andamento, com diligências ainda sob análise da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República. Alvo da operação deflagrada pela Polícia Federal no início de maio, Raimundo estava submetido a uma série de medidas, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica, a retenção do passaporte e a proibição de manter contato com outros investigados. Ao analisar o pedido da defesa, Mendonça revogou parte dessas restrições, incluindo o monitoramento eletrônico, por entender que não havia elementos concretos que indicassem risco de fuga. Segundo a Polícia Federal, Raimundo figura como administrador formal da CNLF Participações e teria participado de operações relacionadas à aquisição de ações vinculadas à Green Investimentos, empresa que está sob investigação no inquérito. A defesa nega qualquer irregularidade. Ciro Nogueira passou a ser investigado na Compliance Zero após a PF apontar indícios de que ele teria recebido pagamentos mensais e outras vantagens de Vorcaro, em troca de atuação em favor de interesses do grupo. Segundo a PF, o senador também teria apresentado no Senado uma proposta de emenda elaborada por assessores ligados ao banqueiro com potencial de beneficiar o Master. A defesa de Ciro nega irregularidades.
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