Jornal O Globo
Regina Casé falou sobre o filme que narra o acidente do marido, o cineasta Estevão Ciavatta, em 2008. Em entrevista à jornalista Maria Fortuna, no videocast 'Conversa vai, conversa vem', no ar no Youtube do Jornal OGLOBO e no Spotify, a atriz conta que se surpreendeu com a coragem do diretor para reconstituir cenas que o levaram à condição de tetraplégico à época. Leia trecho abaixo: Como é olhar para 2008, quando Estevão ficou tetraplégico após cair do cavalo, e hoje, que até já subiu a Pedra da Gávea, no ano passado? Hoje, ele é tetraparético, não dá para esquecer. Acho que quando falam como um lindo caso de superação, é capacitismo. Cria-se uma esperança em quem está passando por isso, de "ah, Estevão teve força de vontade, e Regina não aceitou nenhum 'não'". Teve isso, mas o caso dele foi possível de se regenerar, e até certo ponto. Não é só questão de acreditar. Perigoso isso... Mas ter vivido tudo que a gente viveu, momentos de profundo sofrimento, escuridão, falta de perspectiva e ter continuado junto... foi uma decisão mesmo. Essa intencionalidade fez com que, agora, a gente esteja junto de outro jeito. Deborah Colker. Coreógrafa lembra perda do neto Luana Piovani. 'Sou evangélica macumbeira' Regina Casé em entrevista ao videocast 'Conversa vai, conversa vem' Marina Calderon O que foi fundamental para atravessarem essa história? Espiritualidade? Espiritualidade, com certeza. Sincrética total. Me enfiava embaixo do manto de Nossa Senhora, as coisas chegavam a ficar azuis. Todos os orixás. Não é duvidar da ciência ou dos médicos de jeito nenhum, mas sempre ter um "e se...". Benedita (sua filha) foi uma escola. Tomou um antibiótico ototóxico e teve uma perda grande da audição. Os médicos diziam para eu ensinar libras, que ela não ia oralizar, falar. Antes do Estevão sair do hospital, os médicos foram lá em casa dizer que tinha que tirar a escada para entrar a cadeira de roda. Aquilo era definitivo. E eu falava: "Tá, mas e se...". De "e se..." a "e se...", estamos ici ('aqui', em francês). Regina Casé Marina Calderon O Estevão decidiu transformar essa experiência dele num documentário. Não deve ter sido fácil também reviverem tudo. Nossa, uma choradeira, uma barra. Estevão é muito corajoso, porque ele até fez cenas... ele reproduziu, fez a reconstituição do momento em que caiu. E a gente foi a todos os hospitais e aos médicos para revisitar esse momento. Achei muito corajoso da parte dele. Eu jamais faria um negócio desses. Mas acho que vai ser bom para muita gente.
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