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Homens negros e pardos têm câncer de próstata mais avançado no SUS, mostra estudo do IDOR | Collector
Homens negros e pardos têm câncer de próstata mais avançado no SUS, mostra estudo do IDOR

Homens negros e pardos têm câncer de próstata mais avançado no SUS, mostra estudo do IDOR

Homens negros e pardos estão chegando mais tarde ao diagnóstico de câncer de próstata no Brasil e, por isso, iniciam o tratamento com a doença em estágio mais avançado. É o que mostra um estudo do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR), baseado em dados de 670.205 pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2008 e 2023. Você sabia que café pode ser ultraprocessado? Confira dicas do Vida Boa para fugir de 'pegadinhas' O 'trio de ouro': para que serve o chá de cúrcuma, gengibre e canela e por que cada vez mais pessoas o consomem Na prática, isso significa que muitos desses pacientes só descobrem o câncer quando ele já se espalhou pelo corpo, o que reduz as chances de controle da doença. Segundo o levantamento, 21% dos casos já eram de câncer avançado no momento do diagnóstico, proporção ainda maior entre homens não brancos. Além do diagnóstico tardio, o estudo também identificou diferenças no tipo de tratamento recebido. Entre os pacientes com doença mais grave, menos de 20% receberam uma quimioterapia considerada padrão no mundo todo. Ao mesmo tempo, cerca de um em cada quatro pacientes foi tratado com medicamentos mais antigos, que hoje têm menos eficácia comprovada. Tratamentos mais modernos, que ajudam a controlar melhor a doença, ainda são pouco utilizados no SUS, chegando a cerca de 1% dos casos analisados. Segundo os pesquisadores, isso pode estar relacionado à dificuldade de acesso a essas terapias no sistema público. O estudo foi liderado pelo oncologista Daniel Herchenhorn, pesquisador do IDOR, da Oncologia D’Or e do Latin America Cooperative Oncology Group (LACOG), e publicado na revista científica Journal of Global Oncology (JCO), periódico oficial da American Society of Clinical Oncology (ASCO). "Ainda que todo o estudo tenha sido realizado dentro de uma rede pública, as diferenças entre pacientes brancos e não brancos escancaram mais uma vez desigualdades raciais no país. A população parda e negra costuma buscar tratamento mais tarde que a branca, o que mostra uma disparidade quanto à informação, além de outras questões sociais que podem dificultar o acesso a postos de saúde", afirma Herchenhorn, em comunicado. A pesquisa também analisou os gastos com a doença. No total, o SUS investiu cerca de 1,83 bilhão de dólares internacionais no período estudado. Ainda assim, o valor médio gasto com pacientes brancos foi 16,2% maior do que com pacientes não brancos, o que pode indicar diferenças no acesso aos tratamentos. Além de revelar desigualdades importantes no Brasil, o trabalho também se destaca pelo seu tamanho e pelo tipo de dados analisados. “Não temos conhecimento de outro estudo que tenha analisado dados reais de câncer de próstata em um número tão grande de pacientes e ao longo de um período tão longo como este, de 16 anos. Isso torna a pesquisa particularmente relevante do ponto de vista científico”, destaca o pesquisador. “Essas análises são especialmente importantes para países com situação socioeconômica semelhante à do Brasil, incluindo várias nações da América Latina, que enfrentam desafios parecidos no acesso ao diagnóstico e ao tratamento do câncer”, acrescenta. Para os pesquisadores, os resultados reforçam a importância de ampliar o acesso a exames, informação e diagnóstico precoce, especialmente entre a população mais vulnerável. Quanto mais cedo o câncer de próstata é identificado, maiores são as chances de tratamento eficaz e controle da doença

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