Jornal O Globo
Quarenta anos depois de ter enfrentado o México com a Bélgica na Copa do Mundo de 1986, Hugo Broos viverá um retorno emocionante ao Estádio Azteca, nesta quinta-feira (11), desta vez como treinador da seleção da África do Sul. O duelo entre os Bafana Bafana e o El Tri marcará a abertura da Copa do Mundo de 2026 e será o primeiro dos 104 jogos do torneio, que termina em 19 de julho, em New Jersey. “Nem em Hollywood escrevem roteiros melhores: disputei uma Copa do Mundo e agora, quatro décadas depois, voltarei a ser um dos treinadores da partida de abertura”, disse o veterano técnico à AFP. A Copa de 2026, organizada conjuntamente por México, Canadá e Estados Unidos, marcará o encerramento de uma trajetória de 56 anos no futebol para o belga, primeiro como zagueiro e depois como treinador. “Sonho com um final bonito, em que a África do Sul alcance pela primeira vez a fase eliminatória de uma Copa do Mundo, depois de três eliminações na primeira fase. Quando a África do Sul for eliminada do torneio, me despedirei do futebol. Completei 74 anos e chegou o momento de passar mais tempo com minha esposa, minhas duas filhas, meu filho e meus oito netos.” Depois de enfrentar o México, a África do Sul — de volta a uma Copa pela primeira vez desde que sediou o torneio em 2010 — enfrentará a República Tcheca e a Coreia do Sul pelo Grupo A. Curiosamente, Bafana Bafana e El Tri também fizeram o jogo de abertura da Copa de 2010, quando empataram por 1 a 1 em Johannesburgo. Em janeiro deste ano, a África do Sul foi eliminada nas oitavas de final da Copa Africana de Nações por Camarões. Enfrentar o México, anfitrião do torneio, torna a estreia mais difícil? Hugo Broos: Sim. O México é uma boa equipe, ambiciosa e que aposta em um jogo dinâmico. Teremos de mostrar nosso melhor nível. Precisamos saber o que fazer quando eles estiverem com a bola e também quando estivermos com a posse. Como a equipe pretende avançar para a fase eliminatória? HB: Acho que três pontos podem ser suficientes para nos classificarmos. Os quatro times do Grupo A têm níveis muito parecidos. Isso significa que três partidas difíceis aguardam a África do Sul. Nossa missão é fazer história chegando à segunda fase. O atraso na viagem devido a problemas com vistos atrapalhou a preparação? HB: Não. Chegamos ao México com um dia de atraso, mas isso não afetou nossa preparação. Se tivéssemos chegado dois dias ou mais depois do previsto, aí sim seria um problema. Precisávamos de dez dias no México para nos adaptarmos à altitude e ao fuso horário, e foi exatamente isso que conseguimos. A rivalidade entre o Mamelodi Sundowns, campeão da Liga dos Campeões da África, e o Orlando Pirates, campeão sul-africano pela primeira vez em 14 anos, afeta o ambiente da seleção? HB: Não há jogadores do Sundowns nem do Pirates na seleção. Aqui só existem sul-africanos. O espírito de grupo é fantástico. Escolher atletas com boa mentalidade é uma parte fundamental do meu trabalho. A Copa do Mundo pode servir como vitrine para os jogadores sul-africanos que atuam no campeonato local? HB: Sim. A equipe da Copa de 2010 tinha muitos jogadores atuando na Europa. Hoje temos apenas cinco, e nenhum deles joga em uma das cinco grandes ligas europeias. Espero que, depois deste torneio, muitos jogadores dos Bafana Bafana tenham oportunidades de atuar no exterior. A África do Sul é campeã mundial de rúgbi e campeã mundial de críquete no formato Test. Esses exemplos servem de inspiração? HB: Sem dúvida. Os Springboks são incríveis. Eles cantam o hino nacional com enorme orgulho. Mesmo quando perdem, nunca abaixam a cabeça.
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