CNH: conheça as regras do exame toxicológico para tirar habilitação
Jornal O Globo

CNH: conheça as regras do exame toxicológico para tirar habilitação

A realização de exame toxicológico passou, em 2026, a ser obrigatória para quem desejar tirar o documento pela primeira vez. A nova regra foi aprovada dentro de um pacote para a obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH) aprovado pelo Congresso Nacional e promulgado em dezembro pelo Governo Federal. A análise do consumo de psicoativos, que já era exigida para condutores profissionais das categorias C, D e E, agora também é necessária para motoristas das categorias A (motos e ciclomotores) e B (carros de passeio). CNH: não precisa mais fazer aula em autoescola? Veja perguntas e respostas após as mudanças CNH automática: mais de um milhão de motoristas renovaram habilitação sem pagar De acordo com o Conselho Nacional de Trânsito (Contran) o exame deve ser feito em laboratórios credenciados através da coleta de um fio de cabelo, mas também pode envolver o recolhimento de pelos do corpo ou pedaços de unha. O teste utiliza a técnica de Larga Janela de Detecção, capaz de identificar o uso de substâncias em até 90 dias antes da data em que é realizado. Veja a lista de drogas que podem resultar em penalizações: Anfetaminas, como Metanfetamina, MDA (Metilenodioxianfetamina), MDMA (Metilenodioxianfetamina ou Ecstasy/Molly), Anfepramona e Femproporex; Mazindol, fármaco supressor de apetite que age no sistema nervoso central; Canabinoides, ou maconha e seus derivados, como THC e THC-COOH (Carboxy-THC); Derivados da Cocaína, como Benzoilecgonina, Cocaetileno e Norcocaína; Derivados do ópio, como Morfina, Codeína e Heroína; Em caso de detecção do uso, ativo ou não, de substâncias ilícitas, o candidato poderá ser proibido de emitir ou renovar a CNH por até 90 dias, mas é possível exigir contraprova ou justificar uso medicinal com apresentação de laudo médico. Todas as drogas tem níveis de corte medidos em nanogramas por miligrama, ou ng/mg, de tecido coletado. A maior tolerância estabelecida pelo Contran é para o uso detectado de Mazindol e Cocaína, que têm limite de até 0.5 ng/mg. Confira os principais pontos do procedimento: Quanto custa o exame? O valor não é tabelado e é determinado por laboratórios privados. A resolução determina que o laboratório credenciado deve divulgar o preço total, incluindo coleta, kit, análise, laudo, transporte da amostra e eventual contraprova. Os postos de coleta não podem cobrar taxas adicionais. Onde o exame é feito? A coleta só pode ocorrer em: Laboratórios credenciados pela Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran). Postos de Coleta Laboratoriais (PCL) contratados por esses laboratórios, com vínculo exclusivo. São proibidas coletas em domicílio, empresas, unidades móveis ou locais não credenciados. Como é feita a coleta? O material preferencial é cabelo; quando não houver quantidade suficiente, podem ser usados pelos ou unhas. São colhidas duas amostras: A (exame) e B (contraprova). O processo segue rígidas regras de cadeia de custódia, incluindo identificação biométrica, assinaturas e testemunha ou filmagem. Se não houver material queratínico em quantidade necessária, a coleta é adiada. Qual é o prazo para receber o resultado? O laboratório tem até 15 dias após a coleta para: Entregar o laudo ao condutor; Registrar o resultado no sistema Renach. Em até 24 horas após a coleta, o laboratório deve registrar a data e a hora do procedimento. Qual é a validade do exame? O exame é válido por 90 dias a partir da coleta. Dentro desse período, pode ser usado para a emissão, renovação ou mudança de categoria. O que acontece se o exame der positivo? O motorista tem direito a contraprova e recurso administrativo. No caso de exames periódicos exigidos pelo CTB, o resultado positivo pode levar à suspensão do direito de dirigir por 3 meses, condicionada à realização de novo exame com resultado negativo. O que é a contraprova? É a análise da segunda amostra (B), guardada obrigatoriamente pelo laboratório por cinco anos. A contraprova é realizada quando solicitada pelo condutor. Quem pode realizar o exame? Somente laboratórios credenciados pela Senatran, acreditados pelo Inmetro ou entidade internacional reconhecida, e que cumpram normas técnicas da Sociedade Brasileira de Toxicologia ou do Colégio Americano de Patologistas. Como funciona a fiscalização dos laboratórios? Contran e Senatran podem auditar laboratórios e postos de coleta. As penalidades vão de advertência à revogação do credenciamento. Os dados do exame são sigilosos? Sim. No Renach, o resultado é marcado como confidencial, acessado apenas para finalidades previstas na legislação. Informações só podem ser usadas para estatísticas de forma anônima ou liberadas por ordem judicial.

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