Jornal O Globo
Quatro pessoas, entre elas uma criança, foram vítimas diretas da exposição ao Césio 137, substância radioativa vinda de uma sucata encontrada num clínica de radiologia abandonada, em Goiânia, em 1987. A tragédia tornou-se o maior acidente radioativo do mundo fora de uma usina nuclear e, segundo a Associação de Vítimas do Césio 137, peki menos 1,6 mil pessoas foram afetadas. Essa história ganhou novo interesse com a minissérie "Emergência radioativa", da Netflix, que estreou no dia 18 de março e, até a publicação desta matéria, era a produção seriada mais vista da plataforma no Brasil. Estrelada por Johnny Massaro, Ana Costa, Paulo Gorgulho, com direção geral de Fernando Coimbra e criação de Gustavo Lipsztein, os episódios são inspirados no que aconteceu na capital de Goiás. As vítimas As primeiras mortes relacionadas à exposição ao Césio 137 foram de Maria Gabriela Ferreira e Leide das Neves Ferreira — na série, elas inspiram as personagens Antônia (Ana Costa) e Celeste (mari lauredo). Maria era a esposa de Devair Ferreira, dono do ferro-velho que desmontou a peça que continha o césio. Leide era sobrinha dele, que acabou engolindo o pó radioativo que, de antemão, deixou toda a família inebriada com o brilho azulado. Bastante debilitadas, as duas chegaram a ser transferidas para o Rio de Janeiro, mas não resistiram. O GLOBO noticiou, em 27 de outubro de 1987, o enterro das duas, que aconteceu no dia anterior. Elas foram sepultadas em caixões de chumbos que pesavam cerca de 600kg, tinham mais de 2m de comprimento e 80cm de altura. O corpo de Leide, de apenas 6 anos de idade, foi embrulhado com três lençóis de chumbo, cada um com dois milímetros de espessura. "Três caminhões de transporte de concreto foram contratados pela CNEN (Comissão Nacional de Energia Nuclear) nen para fechar o túmulo com uma laje de 30 centímetros de espessura", dizia a matéria. A matéria noticiou também os tumultos no cemitério, com moradores das proximidades com medo de que o sepultamento pudesse contaminá-los. "Não houve tempo para velório e a aglomeração de curiosos e manifestantes impediu que parentes pudessem se aproximar dos enormes caixões para ver o rosto das vítimas, através de um visor de vidro especiais", dizia a matéria.
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