Câncer de pele: por que o diagnóstico precoce ainda é o maior desafio no Brasil
Jornal O Globo

Câncer de pele: por que o diagnóstico precoce ainda é o maior desafio no Brasil

O câncer de pele é o tipo de tumor mais frequente no Brasil, representando cerca de 33% de todos os diagnósticos oncológicos registrados. Para o triênio de 2026 a 2028, as estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) apontam para cerca de 263 mil novos casos anuais apenas de câncer de pele não melanoma. Apesar de ser uma patologia com altos índices de cura quando detectada em estágios iniciais, o diagnóstico tardio permanece como o principal obstáculo para reduzir a mortalidade e a complexidade dos tratamentos em solo brasileiro. Um dos maiores desafios reside na disparidade do acesso a especialistas e exames diagnósticos em diferentes regiões do país. Enquanto em grandes centros urbanos o fluxo de atendimento tende a ser mais dinâmico, em áreas remotas a espera por biópsias e consultas especializadas pode atrasar intervenções críticas. "O tempo faz toda a diferença; descobrir o câncer bem no início permite um tratamento simples, com cicatrizes mínimas e chances de cura altíssimas", ressalta a Dra. Gisele Neves Martins, médica e mestra em dermatologia (CRM 48.389). Além das barreiras estruturais, a chamada "memória da pele" é um fator silencioso que contribui para o aumento das estatísticas. Muitos dos casos diagnosticados hoje são reflexo de décadas de exposição solar sem proteção adequada durante a infância e a juventude. Com o envelhecimento da população, os danos acumulados pela radiação ultravioleta começam a se manifestar clinicamente, exigindo um esforço redobrado em campanhas de conscientização pública, como o Dezembro Laranja. A diferenciação entre os tipos de câncer também é crucial para o prognóstico do paciente. O carcinoma basocelular é o mais comum e apresenta baixa letalidade, enquanto o melanoma, embora represente cerca de 4% dos casos, é extremamente agressivo devido ao seu alto potencial de metástase. Segundo a médica, a atenção da população deve ser redobrada para qualquer mudança em sinais pré-existentes ou para o surgimento repentino de novas manchas ou pintas. Para auxiliar na detecção precoce, médicos recomendam a aplicação da regra do ABCDE: observar Assimetria, Bordas irregulares, Cores variadas, Diâmetro maior que 6 mm e a Evolução da lesão. "Mudança é o principal sinal de alerta. Se uma pinta cresce, muda de cor ou formato, é hora de procurar avaliação médica imediata", orienta a Dra. Gisele. Feridas que não cicatrizam ou manchas que apresentam descamação e sangramento também são sinais que não devem ser ignorados. O custo do diagnóstico tardio é elevado tanto para o paciente quanto para o sistema público de saúde. Tratamentos em estágios iniciais costumam ser procedimentos ambulatoriais simples, enquanto casos avançados demandam cirurgias complexas, internações e o uso de imunoterapia de alto custo. Investir em estratégias de prevenção primária e garantir o acesso facilitado ao dermatologista são as medidas mais eficazes para reverter o cenário atual da doença no Brasil. A prevenção continua sendo a ferramenta mais poderosa contra o câncer de pele. O uso diário de protetor solar com reaplicação regular, a utilização de roupas com proteção UV e a interrupção da exposição direta ao sol entre 10h e 16h são medidas essenciais. Zelar pela saúde da pele é um cuidado contínuo que garante que o maior órgão do corpo humano permaneça protegido contra os efeitos acumulativos da radiação solar ao longo da vida.

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