Jornal O Globo
Sob clima de tensão no plenário, a abertura do julgamento pela morte do menino Henry Borel foi marcada por uma reviravolta. Tão logo os trabalhos começaram, os advogados de Dr. Jairinho pediram o adiamento do processo, alegando problemas no acesso às provas. A juíza Elizabeth Louro negou o pedido. Na sequência, os cinco defensores do ex-vereador anunciaram que vão abandonar o plenário. Caso Henry: história marcada por crueldades chamou atenção da polícia Monique e Jairinho: veja o que Jairinho e Monique disseram durante o primeiro interrogatório em 2022 No banco dos réus, Monique Medeiros, mãe da criança e também acusada, chorou e está usando uma camisa com a foto do filho. Sentada ao lado da defesa, permaneceu a maior parte do tempo com as mãos juntas, em silêncio. Sobre a mesa, diversos papéis e uma garrafa d’água. Na mesa ao lado, Jairinho apareceu sem barba e vestindo um casaco azul-marinho com zíper. Durante a sessão, consultava documentos e conversava com seus advogados, frequentemente levando a mão à frente da boca. Atrás dos réus, uma fileira com cinco policiais permanecia formada, acompanhando o julgamento. O clima, que já era de expectativa, se intensificou com o anúncio do abandono. A juíza questionou o advogado Zanone Júnior se ele tinha certeza da decisão. — Absoluta — respondeu. A reação foi imediata. Houve burburinho entre os presentes, com cochichos e até um coro de “Ahhh”. O representante do Ministério Público lamentou o abandono. Já a defesa de Leniel Borel disse estar “triste” com a decisão e afirmou que irá pedir a atuação da Defensoria Pública caso a defesa deixe o caso. A fala foi aplaudida pela plateia, que acabou repreendida pela juíza. Henry Borel, de 4 anos, morreu na madrugada de 8 de março de 2021 no Rioo. Ele foi levado ao hospital já sem vida, após com marcas de agressões violentas. O ex-vereador Jairinho responde por homicídio qualificado, tortura e coação. Monique é julgada por homicídio por omissão qualificado, além de tortura e coação. As acusações têm como agravante o fato de as agressões terem ocorrido em ambiente familiar e contra uma criança menor de 14 anos. Em caso de condenação, as penas podem ultrapassar 50 anos de prisão para cada um.
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