Assista ao vídeo que, segundo a polícia, foi adulterado por médica investigada pela morte de Benício no AM
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Assista ao vídeo que, segundo a polícia, foi adulterado por médica investigada pela morte de Benício no AM

Advogado alega falha no sistema como causa de erro no modo de aplicação de adrenalina A Polícia Civil do Amazonas, confirmou, nesta segunda-feira (23), que foi adulterado o vídeo apresentado pela médica Juliana Brasil, investigada pela morte do menino Benício Xavier, de 6 anos, em um hospital particular de Manaus. A gravação havia sido divulgada pela defesa em dezembro e foi usada para sustentar a versão de falha no sistema de prescrição médica. (Assista acima ao vídeo que, segundo a polícia, foi manipulado). Benício morreu em 23 de novembro, após receber adrenalina na veia durante atendimento hospitalar. De acordo com a investigação, a via e a dosagem prescritas não eram indicadas para o quadro clínico da criança. Após a aplicação, o menino sofreu múltiplas paradas cardíacas e não resistiu. Na época, a defesa apresentou o vídeo como prova de que o sistema de prescrição médica teria alterado automaticamente a via de administração da medicação, sem intervenção da profissional. Os advogados sustentaram que essa possível falha teria contribuído para o erro no atendimento. O g1 tenta contato com os advogados da médica. Participe do canal do g1 AM no WhatsApp Nesta segunda-feira (23), a polícia confirmou que o material foi manipulado. De acordo com a investigação, o vídeo tentava atribuir a um erro do sistema a aplicação incorreta de adrenalina na criança. O delegado Marcelo Martins, do 24º Distrito Integrado de Polícia (DIP), afirmou que a perícia descartou qualquer falha no sistema e comprovou a adulteração do conteúdo. "Esse vídeo mostraria que a troca da via de administração da adrenalina teria ocorrido por erro do sistema. Quando, na verdade, a perícia comprovou que não houve nenhum erro", explicou. Segundo o delegado, um laudo do Instituto de Criminalística, divulgado em janeiro, já havia concluído que o sistema não apresentava defeitos e que a via de administração é escolhida pelo médico e não de forma automática. A polícia informou ainda que o vídeo foi encontrado após busca e apreensão na casa da médica. O celular dela foi recolhido e analisado. "Essa circunstância em especial configuraria o crime de fraude processual, que é um outro crime agora que entra também em pauta nesse inquérito", afirmou. Além da irmã de Juliana Brasil, a investigação apura a participação da irmã dela, a estudante de medicina Geovana Brasil, que prestou depoimento nesta segunda e permaneceu em silêncio. A polícia também aponta o possível envolvimento de outra médica, identificada apenas como "Luisa", que negou participação. "A médica já foi interrogada e negou participação. Ela alegou que a parte dela foi apenas uma conjectura", disse o delegado. O inquérito é conduzido pela Polícia Civil do Amazonas e acompanhado pelo Ministério Público do Amazonas (MPAM). A investigação aguarda a conclusão de laudos periciais, como o exame de necropsia de Benício, para ser finalizada. LEIA TAMBÉM: Caso Benício: entenda as restrições da Justiça que médica e técnica precisam cumprir após prisões negadas O caso Caso Benício: Delegado diz que perícia não encontrou falhas em sistema do hospital Segundo o pai, Bruno Freitas, o menino foi levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. Ele contou que a médica prescreveu lavagem nasal, soro, xarope e três doses de adrenalina intravenosa, 3 ml a cada 30 minutos. A família disse ao g1 que chegou a questionar a técnica de enfermagem ao ver a prescrição. De acordo com Bruno, logo após a primeira aplicação, Benício apresentou piora súbita. “Meu filho nunca tinha tomado adrenalina pela veia, só por nebulização. Nós perguntamos, e a técnica disse que também nunca tinha aplicado por via intravenosa. Falou que estava na prescrição e que ela ia fazer”, relatou o pai. Após a reação, a equipe levou a criança para a sala vermelha, onde o quadro se agravou. A oxigenação caiu para cerca de 75%, e uma segunda médica foi acionada para iniciar o monitoramento cardíaco. Pouco depois, foi solicitado um leito de UTI, e Benício foi transferido no início da noite de sábado. Na UTI, segundo o pai, o quadro piorou. A equipe informou que seria necessária a intubação, realizada por volta das 23h. Durante o procedimento, o menino sofreu as primeiras paradas cardíacas. O pai relatou que o sangramento ocorreu porque a criança vomitou durante a intubação. Após as primeiras paradas, o estado de Benício continuou instável, com oscilações rápidas na oxigenação. Minutos depois, Benício apresentou nova piora e não respondeu às manobras de reanimação. Ele morreu às 2h55 do domingo. “Queremos justiça pelo Benício e que nenhuma outra família passe pelo que estamos vivendo. O que a gente quer é que isso nunca mais aconteça. Não desejamos essa dor para ninguém”, disse o pai. Em nota, o Hospital Santa Júlia informou que uma médica e uma técnica de enfermagem foram afastadas de suas funções e realizou uma investigação interna pela Comissão de Óbito e Segurança do Paciente. Infográfico - Caso Benício Arte g1

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