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Segundo colegas e amigos, comandante era voz no combate ao feminicídio em Vitória A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, morta com cinco tiros pelo namorado, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza, liderava as políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica e familiar. Ainda segundo o secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, Dayse contribuiu para que a Capital estivesse há quase dois anos sem feminicídios. "Vitória estava há 652 dias sem feminicídios até ontem (domingo). A gente estava trabalhando nesse sentido com o objetivo de tentar motivar as pessoas a delatar os agressores. Infelizmente, ela não conseguiu poder salvar a própria vida", afirmou. Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp Além da atuação na Guarda, Dayse também publicava conteúdos sobre violência de gênero nas redes sociais. "Ela resolvia os problemas dela, tinnha essa capacidade. Infelizmente, ela não falou isso para a gente para que a gente pudesse tomar uma atitude, poder salvar a vida dela", afirmou. Dayse atuava no combate à violência contra a mulher em Vitória, no Espírito Santo Arquivo/ TV Gazeta Vitória há quase dois anos sem feminicídio A morte da comandante é o primeiro caso de feminicídio registrado na Capital após mais de 650 dias sem ocorrências desse tipo. O último registro tinha ocorrido em 8 de junho de 2024, quando um homem matou a própria filha com golpes de canivete. Em entrevista ao Bom Dia ES (TV Gazeta), o prefeito Lorenzo Pazolini disse que o período sem feminicídios foi resultado de políticas públicas de enfrentamento à violência doméstica e familiar, muitas delas coordenadas pela própria comandante. "Nós temos lutado muito contra a violência doméstica familiar. A Dayse simbolizava isso e agora simboliza eternamente. Nós atingimos mais de 650 dias sem feminicídio exatamente pelas políticas públicas que ela coordenava. E, infelizmente, ela se torna vítima dessa violência", afirmou o prefeito. Inclusive, quando a Capital atingiu a marca dos 600 dias sem registros de feminicídio, Dayse foi a porta-voz da prefeitura para falar das iniciativas. Na ocasião, ela comentou sobre a conscientização no combate à violência contra a mulher. "A Guarda Municipal faz esse trabalho nas praças, escolas, EJAs (Educação de Jovens e Adultos), para que a mulher possa se ver na situação, se identificar como uma vítima passando pela violência e pedir ajuda", disse em entrevista em 27/01/2026. Dayse Barbosa, comandante da Guarda Municipal de Vitória, morta pelo namorado, durante entrevista sobre os 600 dias sem feminicídio. Entrevista feita em 27/01/2026 Arquivo/ TV Gazeta MAIS SOBRE O CASO PRF mata a tiros a namorada, comandante da Guarda Municipal de Vitória 'No primeiro tiro, acordei', diz pai da comandante morta por namorado PRF Policial Rodoviário Federal usou escada para invadir quarto Assassinato de comandante da Guarda de Vitória é o 1º após Capital ficar quase 2 anos sem feminicídio O prefeito também destacou a morte de Dayse causou comoção entre servidores e integrantes da Guarda Municipal. "É um dia muito triste, que ficará marcado na memória de todos. Uma mulher guerreira, que liderou uma instituição forte, acaba sofrendo um ato de violência cruel e covarde", disse. Dayse Barbosa, comandante da Guarda Municipal de Vitória, foi morta com cinco tiros na cabeça pelo namorado policial rodoviário federal, Diego Oliveira Souza, no Espírito Santo Reprodução/ Redes Sociais O crime Dayse foi morta com cinco tiros na cabeça, na casa onde ela morava com o pai e a filha de 8 anos, no bairro Caratoíra, em Vitória. O autor dos disparos foi o namorado dela, o policial rodoviário federal Diego Oliveira de Souza. Ele tirou a própria vida após o crime. Segundo o secretário de Segurança Urbana de Vitória, Amarílio Boni, há indícios de que o crime foi premeditado. Na mochila de Diego, a polícia encontrou um canivete, uma faca, um vidro de álcool, carregadores de munição, alicate e um isqueiro. "A circunstância é que ele foi com o intuito de cometer o feminicídio. Ele levou materiais para entrar na residência e subir na marquise. Tudo indica que ele a pegou deitada, dormindo, e efetuou os disparos sem possibilidade de reação", afirmou o secretário Amarílio Boni. PRF mata a tiros a namorada, comandante da Guarda Municipal de Vitória. Espírito Santo Reprodução/Rede social De acordo com o secretário, a vítima foi surpreendida enquanto dormia e não teve chance de se defender. A cena encontrada no quarto indica que ela ainda chegou a se levantar antes de ser atingida. "Pela condição em que estava o quarto, deu a entender que ela levantou e já foi atingida pelos cinco disparos", disse. 'No primeiro tiro, acordei', diz pai da comandante O pai de Dayse, o aposentado Carlos Roberto Teixeira, estava em casa no momento crime. Ele contou que acordou ao ouvir o primeiro disparo. "Não deu tempo de nada, ele entrou atirando. No primeiro tiro eu já acordei. Abri a porta devagarzinho, olhei, vi ele correndo, mas não deu pra sair, fiquei com medo de tomar um tiro também”, relatou o pai. De acordo com Carlos, o crime foi motivado pela tentativa da filha de encerrar o relacionamento. Relacionamento conturbado Dayse Barbosa, comandante da Guarda Municipal de Vitória, e Diego Oliveira de Souza, policial rodoviário federal. Diego matou Dayse e em seguida tirou a própria vida, no Espírito Santo Reprodução/ Redes Sociais Segundo o pai, Dayse e o policial se conheciam há cerca de quatro anos e mantinham um relacionamento marcado por episódios de violência. Apesar das situações relatadas, ele afirmou que a filha nunca registrou denúncia formal sobre as agressões sofridas. "Era uma relação conturbada, dois dias bons e quatro dias ruins. Eu já tinha presenciado brigas, já tirei ele de cima dela, uma vez flagrei ele tentando enforcar a Dayse", contou. Primeira comandante mulher A comandante da Guarda Municipal de Vitória, Dayse Barbosa, foi morta a tiros na madrigada desta segunda-feira (23). Espírito Santo Reprodução/Rede social Dayse foi a primeira mulher a comandar a Guarda Municipal da capital. Ela deixa uma filha de oito anos. Já Diego, segundo a Polícia Rodoviária Federal (PRF), tralhava em Campos dos Goytacazes, no Norte Fluminense, e entrou na coorporação em 2020. Investigações Uma equipe da Polícia Científica esteve na casa da comandante para realizar a perícia e conversou com familiares. O caso vai ser investigado pela Delegacia Especializada de Homicídio e Proteção à Mulher (DHPM) de Vitória. Dayse Barbosa foi morta com cinco tiros pelo namorado PRF no quarto enquanto dormia, no Espírito Santo Reprodução/ TV Gazeta Em nota, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) manifestou pesar pelo falecimento da comandante. Leia a nota da íntegra: "A Polícia Rodoviária Federal (PRF) manifesta enorme pesar pelo falecimento de Dayse Barbosa Matos, comandante da Guarda Civil Municipal de Vitória (ES), em ocorrência de homicídio e autoextermínio que também resultou na morte do Policial Rodoviário Federal Diego Oliveira de Sousa, lotado na Delegacia da PRF em Campos dos Goytacazes (RJ). Os fatos estão sob apuração das autoridades competentes. A Polícia Rodoviária Federal está à disposição para colaborar com as investigações. A PRF lamenta profundamente as circunstâncias da ocorrência, ao mesmo tempo que reitera seu compromisso com a vida, contra o feminicídio e a violência contra as mulheres". Vídeos: tudo sobre o Espírito Santo Veja o plantão de últimas notícias do g1 Espírito Santo
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