Veterinário diz que capivara pode ter ficado cega de um olho após agressões no RJ
g1

Veterinário diz que capivara pode ter ficado cega de um olho após agressões no RJ

Capivara espancada já consegue ficar de pé Reprodução O veterinário responsável pelo tratamento da capivara espancada na Ilha do Governador, na Zona Norte do Rio, afirmou que, apesar de o animal apresentar sinais de melhora, há suspeita de perda de visão em um dos olhos. “O olho foi a única coisa que não evoluiu bem. Ela chegou com o sangue dentro do olho, com um edema muito grande no olho, então pode ser assim que ela já esteja cega. Talvez isso possa vir a ser reversível”, disse o veterinário e coordenador da Clínica de Recuperação de Animais Silvestres da Universidade Estácio de Sá, Jefferson Pires. Segundo ele, nas últimas horas o animal conseguiu se alimentar e descansar, mas o estado de saúde ainda inspira cuidados. A capivara, um macho adulto de cerca de 64 quilos, chegou à unidade no sábado (21) com diversos ferimentos e quadro de edema cerebral. Para ajudar na recuperação, o espaço onde o animal está internado foi adaptado com folhas, que ajudam a reduzir a luminosidade e a dar sensação de proteção. Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça Jefferson Pires, que coordena a clínica — a única no estado dedicada exclusivamente ao atendimento de animais silvestres — afirmou que nunca presenciou um caso de violência semelhante em mais de duas décadas de atuação. “Nunca observei bem um quadro de tamanho atrocidade, brutalidade e agressividade”, declarou. O ataque aconteceu a madrugada do sábado (21) na orla do Quebra Coco, no Jardim Guanabara, na Ilha do Governador, e foi flagrado por câmeras de segurança. Grupo espanca capivara na Ilha do Governador, RJ A unidade atende, em média, cerca de 6 mil animais por ano e tem capacidade para receber espécies de grande porte, como onças. Atualmente, cerca de 100 animais estão internados, entre eles uma preguiça com fratura, um gavião atingido por disparos de chumbinho e uma coruja ferida após colisão com vidro. Além da capivara espancada, a clínica também abriga um filhote encontrado sozinho e outro animal adulto que está em processo de reabilitação para retorno à natureza. Agressores correndo atrás da capivara Divulgação Suspeitos presos, menores, apreendidos Segundo a polícia, 6 homens e 2 menores estão envolvidos na agressão da capivara Divulgação No sábado (21), a polícia localizou os suspeitos da agressão na Ilha do Governador. Dois menores foram apreendidos e seis homens presos: Wagner da Silva Bernardo, Isaías Melquiades Barros da Silva, Matheus Henrique Teodosio, Pedro Eduardo Rodrigues, José Renato Beserra da Silva e Paulo Henrique Souza Santana. Na delegacia, apenas Isaías Melquiades prestou depoimento. Segundo ele, o grupo estava em quatro motocicletas na região conhecida como Quebra Coco quando encontrou o animal e decidiu capturá-lo para consumo próprio, passando a agredi-lo com ripas e galhos de madeira. Nesta segunda (23), a Justiça manteve a prisão dos seis homens. Eles estão presos preventivamente. Um dia antes, a Vara da Infância e da Juventude do Tribunal de Justiça do RJ determinou a internação provisória dos dois adolescentes apreendidos por envolvimento no ataque. Os adultos vão responder por maus-tratos, associação criminosa e corrupção de menores. Já os jovens devem responder por atos infracionais análogos aos mesmos crimes. O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) informou que cada um dos suspeitos será multado em R$ 20 mil. Segundo o órgão, os valores seguem decreto do governo federal que aumentou as penalidades por maus-tratos contra animais, após o caso do cão Orelha, morto em Florianópolis. O que dizem os citados A defesa de Matheus, Isaías e Pedro Eduardo se manifestou através da seguinte nota, assinada por Mitsi Rocha Fidelis: "A defesa técnica de Matheus Henrique Teodósio, Isaías Melquiades Barros da Silva e Pedro Eduardo Rodrigues, representada pela advogada Mitsi Rocha Fidelis, vem a público esclarecer que acompanha o caso com a máxima seriedade e responsabilidade. Ressalta que o processo encontra-se em fase inicial, sendo imprescindível a observância do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa, garantias constitucionais fundamentais. A defesa destaca que não há, até o presente momento, prova técnica conclusiva nem individualização precisa das condutas atribuídas a cada um dos acusados, circunstâncias que serão devidamente esclarecidas ao longo da instrução criminal. Informa ainda que os custodiados são primários, possuem residência fixa e exercem atividade lícita, não podendo ser previamente tratados como culpados antes da apuração completa dos fatos. A defesa confia na atuação do Poder Judiciário e reitera que eventuais conclusões devem ser tomadas com base em provas concretas, e não em juízos precipitados ou pressões externas. Por fim, em respeito ao andamento do processo, a defesa não irá se manifestar sobre detalhes específicos dos autos neste momento".

Go to News Site