Jornal O Globo
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) avaliam que a recusa do governador do Paraná, Ratinho Jr. (PSD), em compor como vice em uma chapa presidencial com o atual senador e pré-candidato nas eleições de 2026 representou um erro de cálculo político e acabou abrindo espaço para um cenário considerado mais favorável ao entorno do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo esses interlocutores, Ratinho “subestimou” a possibilidade de reação do PL ao rejeitar a proposta, que foi colocada na mesa em tratativas nas últimas semanas com o coordenador da campanha de Flávio, o senador Rogério Marinho (PL-RN). A tentativa era atrair o apoio do PSD no pleito. A negativa levou o partido a reposicionar sua estratégia no estado, visto como crucial no Sul, e a apoiar a candidatura do ex-juiz e atual senador Sergio Moro ao governo do Paraná. O anúncio do apoio veio ainda na semana passada e será oficializado nesta terça-feira com um evento para a filiação de Moro ao PL, com um evento na sede do partido, em Brasília. Já o PSD ainda precisa anunciar oficialmente a escolha de um pré-candidato, o que deve ocorrer nesta semana.A disputa interna da sigla está entre Caiado e o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite Apesar de ainda ser necessária uma oficialização, a avaliação entre interlocutores de Flávio é que a desistência de Ratinho Jr. abre portas para a consolidação de uma eventual candidatura Caiado, pelo PSD, considerado um político de perfil mais combativo e que deve “bater” mais no presidente Lula (PT) durante a campanha, beneficiando o senador bolsonarista. O cenário desenhado entre aliados é que, com Caiado concorrendo, aumentam as chances de apoio do PSD ao PL em um eventual segundo turno entre Lula e o senador. Na tarde de segunda-feira, Moro teve um encontro com Marinho em seu gabinete para, segundo ambos, tratar dos alinhamentos finais para o evento de filiação. A reunião ocorreu em paralelo ao anúncio de Ratinho Jr. de que iria concluir o mandato de governador no Paraná, desistindo de uma disputa à presidência. Questionado sobre o fato, Moro não quis comentar. A decisão do governador do Paraná foi comunicada ao público na tarde desta segunda-feira por meio de nota. Nela, ele afirma que decidiu permanecer no cargo "após profunda reflexão com sua família" e já teria informado ao presidente do partido, Gilberto Kassab. O objetivo de sua permanência no cargo seria “manter o compromisso selado com os paranaenses nas eleições de 2018”. Na mesma esteira, o chefe do Executivo paranaense deve manter seu foco nas articulações estaduais, pavimentando o caminho para um sucessor. O principal nome cotado é o secretário das Cidades, Guto Silva (PSD).
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