Jornal O Globo
Cantor e compositor que viveu o período inicial da carreira criando canções de indie-folk em inglês, Tiago Iorc viu tudo mudar a partir de 2015, com o álbum “Troco likes”. As portas do mainstream se abriram para ele com o sucesso de “Amei te ver” e “Coisa linda”, faixas que serviriam de impulso para toda uma geração de intérpretes e autores brasileiros que chegou e ocupou espaços no streaming e nos palcos. Uso de IA em livros: Lançamento suspenso acende alerta sobre como as editoras lidam com a tecnologia Crítica: BTS volta ao disco com algum experimentalismo e muita vontade de recuperar o tempo perdido Belo feito para um disco que, diz Iorc, resultou de um período “introspectivo, de descoberta”. — E, curiosamente, esse álbum ganhou o nome de “Troco likes”. Ele não tinha nenhuma troca. Agora, a gente foi para o extremo oposto, o de um álbum inteiro com participações. Isso fecha um ciclo bonito — diz o artista, que na sexta lança “Troco likes — 10 anos”, álbum que bem poderia se chamar “Troco feats”, já que nele são recriadas as faixas do disco de 2015 em duetos com o Grupo Menos É Mais, Ney Matogrosso, Iza, Jota.pê, Marina Sena, Lauana Prado, Os Garotin, Vitor Kley, Melly e Mundo Bita. Foi, segundo Tiago, uma seleção de “pessoas que tinham a ver com essa história” do “Troco likes”, ao qual chegou naturalmente, em conversas com a gravadora Som Livre. — São pessoas que dialogaram comigo ao longo dos anos, pessoas que admiro, pessoas com quem sempre tive vontade de fazer alguma coisa — define. — Os encontros da minha vida aconteceram através da música. O cantor e compositor Tiago Iorc (no centro) com o Grupo Menos é Mais Divulgação Na busca da canção certa para o artista certo, teve de tudo um pouco. O Menos é Mais, por exemplo, já tinha incluído “Coisa linda” em um de seus medleys de pagodes. — Aí convidei eles para fazer “Amei te ver”, que para mim tem tudo a ver com o universo deles, essa coisa da festividade, que essa música sempre trouxe — diz o cantor. Algumas escolhas eram óbvias, ele reconhece, como a de Vitor Kley para “Sol que faltava”. Outras, nem tanto. — Eu queria muito que a Iza fizesse parte. Perguntei qual música ela queria, e ela falou de “Alexandria”, que não estava no meu radar — conta. — Isso me abriu essa outra porta, esse outro universo. E eu pensei: “E se a gente embarcasse nesse movimento natural dela agora e também pegasse emprestado o reggae?” Foi surpreendente como deu liga. Capa do álbum "Troco likes - 10 anos", do cantor e compositor Tiago Iorc Reprodução Com Ney Matogrosso, Tiago havia estado apenas uma vez, cerca de dez anos atrás, na divulgação de “Troco likes”. No novo disco, ofereceu a ele “Liberdade ou solidão”, música “que exigia essa profundidade, essa teia de de sentimento que o Ney traz”. — E ele foi muito aberto desde o começo, ele tinha essa lembrança de a gente ter se encontrado dez anos atrás. São todas pecinhas que vão se encaixando. Esse projeto reflete muito essa naturalidade dos encontros — considera. Para Tiago, as canções de “Troco likes” até que se mantiveram bem diante da passagem do tempo, até mesmo aquelas que falavam das agruras das redes sociais. — A gente nem entendia o quanto elas viriam a ser cansativas, ainda se estava no embrião daquele movimento que agora me parece mais evidente. É por isso que essas canções parecem fazer mais sentido agora — diz ele, que, de lá para cá, já entrou e saiu de um detox digital (e hoje é um sujeito bem ativo no Instagram, onde tem 2,9 milhões de seguidores). — É um eterno aprendizado. É encontrar as ferramentas que me ajudem a me expressar. “Troco likes” marcou, para Tiago Iorc, “o desligamento de um certo idealismo”. — Porque antes tinha um Tiago um pouco mais tímido, que precisava se validar através da arte para se entender. Eu cantava em inglês, e quando me perguntavam quando eu ia cantar em português, minha resposta era muito direta e ríspida: “Não, eu me entendo em inglês, é assim que me expresso.” — abre o jogo. — Aquele disco foi um grande divisor de águas, ele marcou esse momento em que me permiti fazer arte fosse para as pessoas. Documentário: Conheça músico brasileiro que Michael Jackson considerava 'o maior percussionista do mundo' e vai ganhar estrela na calçada da fama Ele não vê a hora de mostrar ao vivo as novas versões de “Troco likes”. — Esse projeto está me pegando de surpresa. Porque sou uma pessoa do movimento, gosto de ir para frente, já estou com xis outros projetos em mente, mas, ao mesmo tempo, estou me permitindo ser visitado por essa celebração — admite.— Estou feliz com a forma como as músicas estão soando, com as participações e com a possibilidade de oferecer um show que relembre esse momento. A gente é construído nas lembranças, e a nostalgia tem essa ferramenta importante de nos emocionar, de validar as belezas da vida. Aos 40 anos de idade, do que Tiago Iorc tem saudade? — Sinto saudade de não ter dor nas costas (risos)! Apesar das cobranças da gravidade, esse está sendo meu momento favorito na vida. Estou me sentindo mais jovem, mais integrado com o que vim fazer nessa vida, mais tranquilo, menos idealista e mais parceiro. Mas ele continua a olhar para a frente. Ano passado, lançou “Quédate otra vez”, versão em espanhol de “Amei te ver” gravada em dueto com a porto-riquenha Kany García. Uma faixa feita para marcar “o início de um projeto que ainda está para nascer, um álbum de versões de músicas minhas em espanhol”. — Já gravei versões de várias músicas e ele deve ser lançado mais para o fim do ano — adianta. — Comecei a carreira fazendo músicas em inglês, passei esses últimos anos em português e agora estou indo para o espanhol. Isso só escancara o fato de que sempre fiz música para o mundo.
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