Líbano decide expulsar embaixador do Irã e dá prazo de cinco dias para saída do país
Jornal O Globo

Líbano decide expulsar embaixador do Irã e dá prazo de cinco dias para saída do país

O Líbano retirou a credencial do recém-nomeado embaixador do Irã em Beirute e deu prazo até domingo para que ele deixe o país, anunciou nesta terça-feira o Ministério das Relações Exteriores libanês. Guerra no Líbano: Israel alerta moradores a evacuarem subúrbios ao sul de Beirute antes de ataques ao Hezbollah 'Não houve aviso': Repórter fica ferido em ataque no Líbano durante transmissão e precisa retirar estilhaços do braço O ministério explicou que convocou o encarregado de negócios iraniano para informá-lo da decisão de “considerar persona non grata” o embaixador Mohamad Reza Raeuf Sheibani, designado em fevereiro. Acusações contra o Irã e o Hezbollah As autoridades de Beirute acusam a Guarda Revolucionária do Irã de dirigir as operações do movimento libanês Hezbollah contra Israel, que arrastaram o país para a guerra no Oriente Médio. O Hezbollah entrou na guerra no Oriente Médio em 2 de março para vingar a morte do líder supremo iraniano Ali Khamenei, falecido no primeiro dia dos ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o Irã. Desde então, Israel vem realizando uma ampla campanha de ataques aéreos e avanços terrestres no Líbano, que já deixaram mais de mil mortos e mais de um milhão de deslocados. No domingo, o ministro da Defesa israelense, Israel Katz, determinou a destruição de todas as pontes sobre o rio Litani — que corta o sul e o oeste do Líbano — que sejam usadas “para atividades terroristas”, e ordenou a “aceleração da destruição de casas libanesas em vilarejos na linha de contato”. A estratégia de avançar sobre a infraestrutura supostamente ligada ao grupo pró-Irã Hezbollah, foi tratada pelo presidente libanês, Joseph Aoun, como o “prelúdio de uma invasão terrestre”, e repete os passos de Israel em outra ocupação: na Faixa de Gaza, devastada após a guerra iniciada em outubro de 2023. Israel sinaliza ocupação no sul do país No domingo, a ponte Qasmyieh, principal passagem sobre o rio Litani conectando o sul libanês, área principal de operação do Hezbollah, ao restante do país, foi destruída por bombas israelenses. Ela é conhecida por moradores da área como “Artéria do Sul” pela ligação com províncias centrais, e também foi destruída durante a guerra de 2006, afetando o fornecimento de suprimentos. Nesta segunda-feira, a ponte de Dalafa, no leste libanês, foi bombardeada e inutilizada pelos israelenses. O local já foi atacado em 2006 e durante a invasão de Israel ao Líbano em 1982, em meio à guerra civil. Outras três pontes importantes foram destruídas desde o fim de semana. "Esses ataques constituem uma escalada perigosa e uma violação flagrante da soberania libanesa, e são um prelúdio para uma invasão terrestre, contra a qual o Líbano já alertou repetidamente por meio de canais diplomáticos”. afirmou Aoun em comunicado. Mapa de ataques israelenses no Líbano Editoria de Arte Desde a abertura da segunda frente de combate na guerra contra o Irã, no começo do mês, Israel realizou violentos ataques contra cidades e vilarejos na fronteira, apontados como bases do Hezbollah para atingir contra cidades israelenses. As bombas também caíram em distritos no Vale do Bekaa, onde o grupo opera, e do sul de Beirute, como Dahiyeh, um dos principais redutos do Hezbollah. Há relatos de bombardeios contra equipes de resgate e instalações médicas, e a diretora regional da Anistia Internacional afirmou que esse tipo de ação constitui um crime de guerra. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de mil pessoas morreram, e cerca de um milhão foram deslocadas — muitas estão nas ruas de Beirute, sem saber quando ou se voltarão para suas casas. “Essas ações refletem uma tendência perigosa de destruição sistemática de infraestrutura, instalações civis e áreas residenciais em vilarejos libaneses, o que equivale a uma política de punição coletiva contra civis”, completou Aoun. “Isso é inaceitável, condenável, injustificado e viola claramente as normas do direito internacional humanitário, que proíbem ataques contra civis e suas instalações essenciais.” 'Uma população traumatizada, vulnerável e com medo': O retrato da guerra no Líbano pelo olhar de quem está na linha de frente O roteiro seguido pelos israelenses no Líbano, ou prelúdio, como declarou o presidente libanês, sugere que uma invasão terrestre é iminente. Não está claro qual é o objetivo de avançar novamente sobre o território de uma nação soberana, cujo governo não apoia as ações do Hezbollah — dentro de Israel, um debate sobre o estabelecimento de uma zona tampão, como a criada à força na Síria, no sul do país vizinho ganhou corpo, enquanto Washington vê a ofensiva como uma oportunidade para desarmar o Hezbollah e arrastar Beirute para sua zona de influência e para os Acordos de Abraão.

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