Por trás da cobertura: como é fotografar profissionalmente uma partida de futebol?
Jornal O Globo

Por trás da cobertura: como é fotografar profissionalmente uma partida de futebol?

Marcelo Theobald é fotógrafo do GLOBO desde 1998. Nessa trajetória de quase 30 anos, já cobriu incontáveis partidas de futebol. Sejam os clássicos no Maracanã, ou até na Rússia, durante a Copa do Mundo de 2018. Na ocasião, em que a França saiu campeã, seu clique foi o escolhido para a capa do jornal. Theo, como é conhecido, explica que uma foto boa de um jogo é multifatorial. Final da Copa do Mundo de 2018 Marcelo Theobald / Agência O Globo Para Theo, tudo depende da cena que será registrada. Em fotos da torcida, prefere um equipamento, e da comemoração do jogador, outro. O profissional explica que, no local onde os fotógrafos ficam e diante da imprevisibilidade de um jogo, é impossível trocar a lente de zoom a todo momento. Por isso, opta por levar duas câmeras, que se adaptam ao momento prestes a ser capturado. Theo conta que antigamente as fotos em que a bola não aparecia não eram utilizadas nos jornais. Hoje, é interessante registrar também os momentos de atrito e emoção. — Tem a vitória, que é o jogador comemorando. Tem o empate, que é quando os jogadores começam a brigar e a derrota, quando o jogador cai no gramado, chorando ou se lamentando — explica o fotógrafo. As emoções dos jogadores são importantíssimas de serem registradas, bem como as dos técnicos. Assim que os fotógrafos chegam ao estádio, conseguem se aproximar mais dos treinadores antes de a partida começar, momento em que eles ainda estão descontraídos. A partir do apito inicial, já é possível observar mudanças bruscas de expressão: medo, raiva, preocupação, ansiedade, palavrões — tudo é registrado. Fernando Diniz, técnico do Vasco Guito Moreto Relato: “Não é uma foto minha, é sobre liberdade de imprensa”, conta fotógrafo atacado pelo ICE nos Estados Unidos História por Trás da Foto ‘Almoço no Topo de Arranha-Céu’: ‘Os EUA foram construídos por imigrantes’, diz arquivista do Rockefeller Center Quanto às fotos da torcida, há registros gerais em que é possível observar, por exemplo, mosaicos, faixas e o nível de ocupação da arquibancada. Entretanto, Theo pontua que não há muito espaço para esse formato. No jornal impresso, a capa costuma ter apenas uma foto do jogo. Logo, as imagens dos jogadores com expressões que exponham o placar final, como em comemorações, são priorizadas. — É preciso ter talento, sorte e estar na hora certa e no lugar certo. Treine muito em peladas (jogos de várzea), em quadras; vá para praias e registre os jogos que estão acontecendo lá. É preciso treinar — orienta, ao ser questionado sobre o que ele diria para quem vai fotografar profissionalmente uma partida pela primeira vez. Final da Copa do Brasil - Vasco da Gama X Corinthians. Marcelo Theobald/Agência O Globo Um fator muito explorado nas fotografias das partidas é a dualidade entre a vitória e a derrota. Em uma só imagem, é possível ver a felicidade do vencedor e as lágrimas do perdedor. Um exemplo é a final da Copa do Brasil entre Vasco e Corinthians, em que o time paulista saiu campeão. Guito Moreto, fotógrafo do jornal há 15 anos, pontua que o lado do banco de reservas é o mais disputado, por ser o local onde a maioria dos jogadores escolhe festejar após o gol. Moreto comenta que esse era o lugar onde o jogador Gabigol, ainda no Flamengo, costumava optar. Final da Taça Guanabara. Flamengo x Boavista Guito Moreto / Agência O Globo Durante a cobertura da Copa do Mundo de 2014, no Brasil, Guito conseguiu um clique pouco esperado. Na final entre Alemanha e Argentina, ele tirou algumas fotos da comemoração alemã, mas decidiu também observar Messi, ídolo da seleção argentina. — Enquanto todos ficaram na comemoração da Alemanha, posicionei a câmera em frente ao Messi e fiquei esperando. Eu sabia que em algum momento ele demonstraria a chateação. E, durante um segundo, ele deu uma mexida na boca e eu tirei a foto— relembra o fotógrafo. No dia seguinte, a foto do craque argentino e da seleção da Alemanha erguendo a taça, ambas capturadas por ele, foram destaques na capa do jornal. Comemoração da conquista da Copa do Mundo 2014 pela Alemanha, após vitória sobre a Argentina - Messi faz careta após a derrota Guito Moreto / Agência O globo Assim como Theo, Guito concorda que prefere levar duas câmeras, uma que registra melhor de perto e uma de longe, para poupar tempo trocando lentes. Mesmo assim, a imprevisibilidade dos jogadores pode atrapalhar essa dinâmica de equipamentos. Moreto cita a foto que fez no último jogo do Flamengo contra o Fluminense, no Maracanã, no qual estava de frente para a comemoração do time rubro-negro e segurando a melhor câmera para a ocasião. Flamengo e Palmeiras se enfrentam no Maracanã em partida válida pela 28ª rodada da competição. Guito Moreto / Ag. O Globo Para quem é iniciante, ele orienta que o fotógrafo, assim como o repórter da redação, precisa se inteirar do assunto. É importante conhecer o contexto do campeonato naquele momento, como cada jogador costuma finalizar, quais são os que cabeceiam e o histórico da torcida. — Não garante o clique perfeito, mas ajuda muito — explica. Veja alguns destaques dos fotógrafos. As lentes do GLOBO nas partidas de futebol

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