Pechincha no luxo: guerra no Irã faz hotéis da Tailândia darem desconto para visitantes locais
Jornal O Globo

Pechincha no luxo: guerra no Irã faz hotéis da Tailândia darem desconto para visitantes locais

Os hotéis de luxo da Tailândia — de resorts à beira-mar no mar de Andamão a ícones à beira do rio em Bangcoc — estão tentando atrair moradores locais com descontos expressivos, à medida que fluxos tradicionalmente confiáveis de turistas estrangeiros diminuem, em parte devido às interrupções nas viagens causadas pelo conflito no Oriente Médio. Em Dubai: Marcas de luxo enfrentam crise por conta da guerra e preocupam executivos do setor Nova gigante no setor? Estée Lauder faz proposta para comprar a Puig, dona das marcas Rabanne e Carolina Herrera Moradores tailandeses e expatriados agora podem aproveitar preços com até 70% de desconto em hotéis cinco estrelas, onde as diárias costumam se aproximar de US$ 1.000. Uma estadia no Mandarin Oriental, o hotel mais antigo de Bangcoc, com vista privilegiada para o rio, agora custa menos de US$ 300, incluindo serviço de mordomo e café da manhã. Em outro caso, um resort à beira-mar com vista para as falésias de calcário de Railay Beach oferece diárias a partir de US$ 430, quase 50% de desconto, com acomodações de dois andares instaladas em uma antiga plantação de coqueiros. Cancelamentos de voos e o fechamento do espaço aéreo devido à guerra no Irã — sobretudo nas rotas entre Europa e Ásia, essenciais para o turismo na Tailândia e cujo caminho mais curto é pelo Oriente Médio — estão tornando as viagens mais complicadas e caras, pressionando o número de visitantes. As chegadas de turistas da Europa e do Oriente Médio já estão 16% abaixo dos níveis típicos poucas semanas após o início do conflito. Luxo adaptado: com o preço da prata nas alturas, pulseira Pandora agora terá cada vez mais platina O turismo responde por cerca de um quinto da economia da Tailândia, e uma desaceleração prolongada atingiria um setor ainda em recuperação após a pandemia. A autoridade de turismo do país projeta cerca de 37 milhões de visitantes estrangeiros neste ano, mais de 11% acima de 2025. Mas essa meta parece cada vez mais incerta, e um total abaixo de 33 milhões marcaria o segundo ano consecutivo de queda. Até meados de março, 7,9 milhões de viajantes haviam visitado a Tailândia, com China, Malásia e Rússia como principais mercados emissores. Autoridades do turismo tailandês alertaram que aumentos persistentes nos preços do petróleo podem reduzir ainda mais a demanda. — Há muitos motivos para preocupação, o segmento mais impactado será o turismo de massa — disse Bill Barnett, diretor-gerente da consultoria C9 Hotelworks. — Quando olhamos os números do ano passado, nos perguntamos se a Tailândia conseguirá atingir isso. A meta deste ano certamente está comprometida. No Brasil: guerra pode reduzir oferta de voos e levar a alta nas passagens, dizem analistas Ofertas com preços muito baixos estão cada vez mais fáceis de encontrar. Uma busca por “ofertas de hotéis para residentes na Tailândia” revela dezenas de propriedades anunciando tarifas reduzidas. Dubai promove o 'staycation', ou 'férias na cidade, para atrair locais Embora descontos sejam comuns durante a temporada de chuvas, de maio a outubro, e alguns estejam ligados a eventos como o 150º aniversário do Mandarin Oriental, a amplitude dos cortes atuais também indica uma demanda externa mais fraca, lembrando o período da pandemia, quando a Tailândia perdeu dezenas de milhões de visitantes. Mesmo no segmento de luxo, onde os viajantes costumam ser menos sensíveis a aumentos de preços, as reduções recentes sinalizam uma mudança, afirmou Barnett. As diárias, que dispararam nos últimos três anos, começam a ceder, em parte devido à nova oferta — especialmente em Bangcoc — e à expectativa de demanda mais fraca durante a Copa do Mundo, quando as pessoas tendem a assistir aos jogos em casa. Padrões semelhantes estão surgindo em outros lugares. Em Dubai, hotéis de alto padrão têm reduzido tarifas e promovido pacotes de “staycation” (férias na própria cidade, sem viajar) para residentes à medida que a guerra afeta as chegadas internacionais, enquanto operadores turísticos globalmente oferecem promoções e alternativas diante da fraqueza da demanda por viagens de longa distância.

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