Jornal O Globo
O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), passou a ser tratado no Palácio do Planalto como o nome mais cotado para substituir Gleisi Hoffmann na Secretaria de Relações Institucionais (SRI). De acordo com aliados, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva está decidido a deixar o cargo com um petista. O GLOBO mostrou na segunda-feira que Lula descartou a promoção do atual chefe do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social, Olavo Noleto, para o posto. Gleisi deixará a pasta na semana que vem para concorrer ao Senado pelo Paraná. A escolha de Noleto era dada como certa no governo até algumas semanas atrás, No fim de janeiro, ao falar sobre a sua saída da pasta, chegou a dizer que o secretário-executivo do Conselhão era o seu "sucessor natural”. Nos últimos dias, porém, Lula, segundo aliados, avaliou que precisará de um nome com experiência no Congresso e passou a buscar um parlamentar ou ex-parlamentar para o posto. Deputado em quinto mandato, Guimarães se enquadra nesse perfil. A sua escolha também seria a solução para um impasse na eleição do Ceará. O líder do governo pretende disputar uma vaga no Senado no estado. Mas, de saída do Ministério da Educação, Camilo Santana, principal liderança do PT do Ceará, tenta costurar o apoio do União Brasil e do PP à chapa de Elmano de Freitas (PT), o que pode levar o partido a ceder espaço a futuros aliados — e a vaga de Guimarães ao Senado — para fortalecer a candidatura de Elmano de Freitas. Há também uma avaliação entre petistas cearenses que Guimarães teria poucas chances de sucesso em uma disputa majoritária. Seu nome ainda é associado no estado ao escândalo dos dólares na cueca de 2005, quando um assessor foi preso no Aeroporto de Congonhas, em São Paulo, com US$ 100 mil escondidos na cueca e mais R$ 209 mil em uma mala de mão. O processo sobre o caso foi encerrado em 2021 após prescrever e não houve punição. A avaliação no governo é que Guimarães poderia ser uma opção para substituir Gleisi por manter boa relação com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Além disso, o deputado esteve no dia a dia da articulação política na Câmara nos últimos três anos. Outro nome citado é o atual ministro do Desenvolvimento Social, Wellington Dias (PT-PI), que é senador licenciado com mandato até 2030. Neste terceiro mandato, Lula sempre manteve a articulação política nas mãos de petistas. Antes de Gleisi, o cargo foi ocupado por Alexandre Padilha.
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