Milhares de pessoas marcham contra o esquecimento 50 anos após o golpe que instaurou a ditadura na Argentina; veja fotos
Jornal O Globo

Milhares de pessoas marcham contra o esquecimento 50 anos após o golpe que instaurou a ditadura na Argentina; veja fotos

Dezenas de milhares de pessoas marcharam em Buenos Aires nesta terça-feira para lembrar o 50º aniversário do golpe que instaurou uma ditadura sangrenta na Argentina, em meio a tensões sobre um legado que o presidente Javier Milei busca rever. Sob o lema "Nunca mais", que marcou gerações, a mobilização em massa estendeu-se ao longo do quilômetro que separa a Praça de Maio da Avenida 9 de Julho e transbordou para as ruas adjacentes, completamente tomadas por manifestantes. Janaína Figueiredo: Golpe na Argentina, 50 anos depois Análises antropológicas e genéticas: Restos mortais de doze vítimas da última ditadura argentina são identificados Organizações de direitos humanos, sindicatos e organizações sociais convocaram manifestações em todo o país, carregando fotos dos desaparecidos, que elas estimam em 30 mil, enquanto o governo estima em menos de 9 mil. Vista aérea de manifestantes segurando uma faixa com retratos de pessoas desaparecidas durante uma marcha até a Praça de Maio, no 50º aniversário do início da última ditadura militar (1976-1983), em Buenos Aires LUIS ROBAYO / AFP Ao meio-dia, a Praça de Maio começou a se encher de pessoas com cartazes. "Eles não nos derrotaram", diziam alguns. Balões brancos subiam ao ar com fotos dos desaparecidos e a mensagem "Ainda estamos procurando por vocês". Valeria Coronel, uma professora de 43 anos, segurava a mão de sua filha de oito anos. — A memória é transmitida de geração em geração para que a luta continue — disse ela à AFP. — É o legado que quero deixar para ela. Suspeita de fraude: Argentina retoma investigação contra Milei por suposto golpe com criptomoedas Membros da organização Mães e Avós da Praça de Maio seguram os retratos de seus filhos e filhas desaparecidos em um palco com uma placa que diz "50 anos após o golpe genocida" JUAN MABROMATA / AFP A organização das Mães e Avós da Praça de Maio lideraram a marcha, dando continuidade a uma tradição que começou durante a ditadura, quando passaram a se reunir nesta praça para exigir informações sobre o paradeiro de seus filhos. O golpe cívico-militar de 1976 derrubou Isabel Perón e instaurou uma ditadura que governou até 1983, perpetrando desaparecimentos, tortura e roubo de bebês, forçando milhares ao exílio. Mas o aniversário encontra os argentinos em meio a uma batalha política sobre como narrar essa violência, depois que Milei questionou os consensos estabelecidos desde o retorno da democracia. Manifestantes carregam retratos de pessoas desaparecidas durante uma marcha até a Praça de Maio, no 50º aniversário do início da última ditadura militar (1976-1983), em Buenos Aires, em 24 de março de 2026 LUIS ROBAYO / AFP O governo afirma que durante os anos da ditadura houve uma guerra na qual excessos foram cometidos por ambos os lados e minimiza o papel da ditadura militar, descrevendo-a como parte de um confronto com organizações armadas. Às vésperas da eleição: O pior momento de Lula e Milei Cinquenta anos depois, 1.208 pessoas foram condenadas em mais de 350 julgamentos, mas mais de 300 casos permanecem em aberto. Boneco representando o presidente dos EUA, Donald Trump, é carregado por manifestantes a caminho da Praça de Maio no 50º aniversário do golpe militar em Buenos Aires, em 24 de março de 2026 JUAN MABROMATA / AFP As Avós da Praça de Maio recuperaram a identidade de 140 netos que foram sequestrados quando bebês ou nasceram em cativeiro, e estima-se que mais de 300 ainda precisem ser encontrados. Com AFP.

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