Chile retira apoio à candidatura de Michelle Bachelet ao posto de secretária-geral da ONU
Jornal O Globo

Chile retira apoio à candidatura de Michelle Bachelet ao posto de secretária-geral da ONU

Empossado há duas semanas, o presidente do Chile, José Antonio Kast, retirou o apoio do país à candidatura da ex-mandatária chilena, Michelle Bachelet, ao posto de secretária-geral da ONU. A decisão é mais uma guinada nas políticas de Estado adotadas por Kast, um dos novos expoentes da extrema direita na América Latina. "A dispersão de candidaturas de países da América Latina e as diferenças com alguns dos atores relevantes que definem este processo tornam inviável esta candidatura e o eventual sucesso desta postulação", afirmou o Ministério das Relações Exteriores chileno em comunicado. Mudança de governo no Chile: Kast assume prometendo 'um antes e um depois' em matéria de combate à violência Política migratória: Kast ordena construção de 'barreiras físicas' na fronteira do Chile com a Bolívia Primeira e única mulher a comandar o Chile, entre 2006 e 2010 e entre 2014 e 2018, Bachelet, filiada ao Partido Socialista, foi indicada pelo antecessor de Kast, Gabriel Boric, em uma candidatura conjunta com Brasil e México. Além de comandar o país, ela foi diretora-executiva da ONU Mulheres e alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos. Contudo, a direita chilena jamais apoiou a decisão. Um deputado governista, Stephen Schubert, disse que "não foi uma candidatura do Estado", e sim uma decisão do bloco de esquerda liderado por Boric. Kast, que se encontrou com Bachelet em dezembro, pouco depois de ser eleito, evitou críticas públicas, mas a cúpula do Partido Republicano, sigla do presidente, disse que “o Chile apresenta muitas deficiências devido às políticas públicas deficientes implementadas durante seus mandatos como presidente”, classificando seu desempenho no cargo como “bastante fraco”. Já o deputado socialista Raúl Soto afirmou que a decisão de Kast "é uma vergonha internacional sem precedentes". Quebra de rumo: Kast nomeia dois ex-advogados de Pinochet como ministros de Defesa e Direitos Humanos no Chile Bachelet ainda não se pronunciou. Além dela, a disputa pelo posto ocupado por António Guterres inclui a costa-riquenha Rebeca Grynspan, ex-secretária-geral da Conferência da ONU sobre Comércio e Desenvolvimento; o ex-presidente de Senegal, Macky Sall; e o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica, o argentino Rafael Grossi, indicado por Buenos Aires e que busca o apoio da Casa Branca de Donald Trump. Segundo o governo Kast, caso Bachelet não abandone a candidatura, Santiago não apoiará outros candidatos. Em 80 anos, jamais uma mulher ocupou o principal posto das Nações Unidas, e apenas um representante da América Latina, o peruano Javier Pérez de Cuéllar, desempenhou a função, no final do século passado. (Com AFP)

Go to News Site