SAF do Botafogo defende movimentações com Lyon e estratégia de caixa compartilhado
Jornal O Globo

SAF do Botafogo defende movimentações com Lyon e estratégia de caixa compartilhado

A SAF do Botafogo defendeu as movimentações realizadas com o Lyon e outros clubes da Eagle Football Holdings nas operações envolvendo jogadores como Luiz Henrique, Thiago Almada e Igor Jesus, além da estratégia de "caixa compartilhado" do grupo. O GLOBO teve acesso a contratos e documentos que mostram que parte do aporte obrigatório de John Textor para a compra do Botafogo (R$ 110 milhões) foi repassada ao Lyon, e publicou reportagem sobre o tema nesta terça-feira. Na semana passada, noticiou operações entre os clubes envolvendo diversos atletas do alvinegro. Também na terça-feira, o colunista Lauro Jardim noticiou como Textor representou “isoladamente” a SAF do Botafogo em empréstimo. Em todas as reportagens, O GLOBO procurou a SAF do Botafogo para se manifestar. Em relação à reportagem publicada na terça, o clube não respondeu aos questionamentos da reportagem, mas se manifestou durante a noite por meio de seu site oficial. Sobre os aportes, a SAF do Botafogo nega que o repasse ao Lyon represente irregularidade ou descumprimento do acordo de acionistas. Juristas independentes procurados pelo GLOBO, no entanto, sustentam que há elementos que indicam o possível descumprimento. A SAF argumenta que a informação divulgada desconsidera o fluxo financeiro total entre as partes: entre julho de 2024 e fevereiro de 2025, o Lyon teria transferido mais de R$ 233,7 milhões ao Botafogo e afirma também que cumpriu integralmente as obrigações previstas no acordo. A reportagem teve acesso a contratos e documentos que mostram que, em meio ao pagamento dos últimos aportes obrigatórios ao Botafogo, entre março e maio de 2024, a SAF realizou três transferências que somam 21 milhões de euros (cerca de R$ 112 milhões) ao Lyon. A SAF também defendeu a legitimidade das operações financeiras envolvendo o Botafogo e o Lyon nas transações envolvendo jogadores alvinegros. O clube argumenta que o modelo de compartilhamento de fluxo de caixa entre as equipes do grupo é legítimo e afirma que adotou medidas formais, acionando a Eagle e preparando ações judiciais contra o Lyon para reaver quantias consideradas devidas. O Botafogo argumenta que contratações como Luiz Henrique, Thiago Almada e Igor Jesus só foram viabilizadas por essa estrutura integrada. O clube defende que eventuais dificuldades financeiras não decorrem do modelo em si, mas de sua “interrupção intencional”. A matéria revelou que o Botafogo negociou jogadores com o Lyon, antecipou receitas futuras por meio de instituições financeiras e repassou grande parte dos valores para o clube francês, que ficou como devedor central das operações. Dos cinco negociados neste formato, apenas Almada atuou no Lyon. Sobre a matéria de Lauro Jardim, a SAF do Botafogo afirmou também que, após a saída do CEO Thairo Arruda, era natural que Textor permanecesse como único diretor estatutário. Também sustenta que a adoção da legislação suíça atendeu à exigência do credor e que não houve concessão ampla de poderes, mas apenas garantias comuns em operações financeiras. A matéria de Lauro Jardim revela que a ata de uma reunião do Conselho de Administração da SAF do Botafogo mostra que John Textor deu poderes a si mesmo para assinar e representar isoladamente a SAF do clube em documentos relacionados a um empréstimo de US$ 25 milhões (cerca de R$ 131 milhões) com a GDA Luma, especialista em recuperar empresas.

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