Frente fria semiestacionária vai trazer chuva para Rio, SP e Minas nesta quarta-feira
Jornal O Globo

Frente fria semiestacionária vai trazer chuva para Rio, SP e Minas nesta quarta-feira

A influência de uma frente fria posicionada no oceano mantém o tempo instável em grande parte do país nesta terça-feira, com reflexos mais diretos no Sudeste — especialmente no Rio de Janeiro e São Paulo — e impactos distribuídos por todas as regiões. Embora o sistema não avance sobre o continente, a circulação associada a ele sustenta o transporte de umidade e favorece a formação de nuvens carregadas em estados como Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina, além de áreas do Centro-Oeste e do Norte. No litoral do Nordeste, a tendência é de maior estabilidade ao longo do dia. Leia também: Primeira COP sobre aumento do nível do mar deve ocorrer em 2027 em Nova York Saiba mais: Terra acumulou calor recorde em 2025, e consequências podem durar milhares de anos, diz agência da ONU No Rio, a presença de calor e umidade mantém o padrão de aumento de nuvens e pancadas a partir da tarde, cenário semelhante ao observado em São Paulo, onde a chuva tende a se concentrar na faixa leste do estado. A instabilidade continua por causa da umidade espalhada pela atmosfera, que favorece a formação de nuvens ao longo do dia. — Essa frente fria permanece no oceano, mas continua dando suporte para a formação de nuvens e chuva, principalmente no leste de São Paulo e também do Paraná — explica a meteorologista Andrea Ramos. No Sul, a influência do sistema ainda se faz sentir entre Santa Catarina e Paraná, onde há condições para pancadas mais intensas, com rajadas de vento e trovoadas, sobretudo no leste catarinense e na faixa central paranaense. Já no Rio Grande do Sul, a tendência é de tempo mais estável, com temperaturas amenas e chuva apenas de forma isolada, principalmente no norte do estado. — Os eventos mais significativos ficam concentrados entre Santa Catarina e o Paraná, onde há maior potencial para pancadas com trovoadas e rajadas — afirma. A atuação conjunta de umidade elevada e cobertura de nuvens também provoca redução nas temperaturas em áreas do Centro-Oeste e do Sudeste. A queda não indica frio intenso, mas sim uma diminuição em relação aos dias anteriores, associada à menor incidência de sol. — Essa redução está ligada à presença de chuva e nebulosidade, que limitam o aquecimento ao longo do dia — diz a meteorologista. No Centro-Oeste, a circulação de umidade vinda da Amazônia mantém o tempo instável em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e no Distrito Federal, com registros de chuva ao longo do dia. Esse padrão se conecta diretamente com o Norte do país, onde o calor e a alta disponibilidade de umidade seguem favorecendo pancadas frequentes. Estados como Amazonas, Pará, Amapá, Roraima, Acre, Rondônia e Tocantins permanecem sob influência de instabilidades típicas, com pancadas acompanhadas de trovoadas, sobretudo no período da tarde. Já no Nordeste, a atuação de um sistema de alta pressão sobre o Atlântico reorganiza o padrão de tempo. A borda desse sistema direciona a instabilidade para o interior, enquanto reduz a ocorrência de chuva na faixa litorânea. — A alta pressão tem um centro de tempo mais firme, mas nas bordas acaba favorecendo a formação de instabilidade no interior, enquanto o litoral fica com períodos mais abertos — explica Andrea. Com isso, há previsão de chuva em áreas do Maranhão, Piauí, Bahia e Ceará, enquanto o litoral de Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe tende a ter variação de nuvens e chuva mais ocasional. O cenário é resultado de uma configuração atmosférica típica de transição, em que sistemas ainda mantêm características do verão. A combinação entre calor, umidade e circulação em diferentes níveis da atmosfera sustenta a formação de nuvens carregadas em boa parte do país, mesmo sem a entrada direta de frentes frias pelo continente.

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