Governador em exercício, Ricardo Couto planeja reduzir secretarias e pedir investigação se encontrar irregularidades
Jornal O Globo

Governador em exercício, Ricardo Couto planeja reduzir secretarias e pedir investigação se encontrar irregularidades

Mezzo juiz, mezzo governador. É assim que Ricardo Couto de Castro, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, planeja administrar o Rio. A pessoas próximas, ele disse que vai reduzir o número de secretarias, atualmente em 32 pastas. Hoje se reúne com pessoas de sua confiança para definir cortes de pessoal. O objetivo é montar uma equipe sem pretensões eleitorais. Alguns nomes já estão em seu radar, mas ele ainda mantém sigilo, principalmente em relação à Secretaria da Fazenda. Contexto: Castro renuncia ao governo do Rio na véspera de julgamento no TSE, e desembargador assume o cargo Os últimos atos de Castro: governador muda nome da Seap, sanciona lei e dá mais poderes a secretário da Casa Civil Por enquanto, o secretário da Polícia Militar, coronel Sylvio Ricardo Ciuffo Guerra, é um nome cotado para permanecer no novo governo. Empossado ontem, o oficial trabalhou na segurança do Tribunal de Justiça. Há 15 anos, o setor foi chefiado pelo pai de Guerra. Agenda na estreia. O governador em exercício e presidente do TJRJ, Ricardo Couto de Castro, se encontra com o presidente do STF, Edson Fachin Rosinei Coutinho / STF Em conversa com um amigo magistrado, o governador em exercício disse que, se encontrar algo de ilegal no governo, o Ministério Público e as polícias — inclusive a Federal — serão acionados para investigar. — Ele vai exigir de quem lança denúncias por meio das redes sociais, sobre a existência de máfias, condutas vedadas e fatos de natureza moral, que proceda da forma correta, com registro por escrito e apresentação de provas. O governador em exercício tem dito que se comprometerá com uma apuração rigorosa — comentou um magistrado que o assessora. Ronda em Brasília Ontem, o governador em exercício amanheceu em Brasília, para audiências com os ministros Cármen Lúcia, presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), e Edson Fachin, do Supremo Tribunal Federal STF). Além de buscar apoio entre magistrados, Couto queria obter informações sobre as providências que poderá ter de tomar diante dos possíveis desdobramentos do julgamento de Cláudio Castro e do presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar, no TSE. Os dois foram considerados inelegíveis, e Bacellar, cassado. A ideia, segundo uma fonte, era entender como deveria se preparar, já que hoje é o último dia em que poderá determinar à Alerj a convocação de eleições indiretas — em que os 70 deputados estaduais escolhem quem ocupará o governo do estado até o fim deste ano. Com a cassação de Bacellar, a Assembleia terá que eleger ainda o novo presidente da Casa. Enquanto estava em Brasília, grupos ligados aos pré-candidatos ao Palácio Guanabara Eduardo Paes (PSD) e Douglas Ruas (PL) se movimentavam nos bastidores buscando uma brecha na agenda do desembargador. O presidente estadual do PSD, o deputado federal Pedro Paulo, e o prefeito do Rio, Eduardo Cavaliere (PSD), publicaram em suas redes sociais pedidos formais de reunião com o governador em exercício. É consenso no grupo político de Paes a necessidade de impedir que o deputado estadual Douglas Ruas (PL) dispute a eleição de outubro com a máquina do governo nas mãos. Por isso, a legenda acionou o STF para que o prazo de descompatibilização dos candidatos ao mandato-tampão — daqueles que vão concorrer à eleição indireta para ocupar o lugar de Castro — fosse de 180 dias, e não de 24 horas, como está numa lei estadual recém-aprovada. O intervalo de seis meses inviabiliza a participação de Ruas, que até a semana passada era secretário estadual das Cidades, na eleição indireta. O pedido foi aceito pelo ministro Luiz Fux, que também determinou o voto secreto. A decisão, no entanto, pode ser revista pelo próprio ministro ou pelo plenário do Supremo. A lei prevê que, em caso de dupla vacância (do governador e do vice) no Palácio Guanabara, quem assume interinamente o estado precisa promover uma eleição indireta em até 30 dias. Cabe aos 70 deputados da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) escolher o novo chefe do Executivo. Mas há quem torça para que Couto fique na cadeira até fim do ano. Alguns políticos entendem que a permanência do magistrado desidrataria a campanha de Ruas, beneficiando a de Paes. Apesar de existir uma lei estadual, o TSE poderia, eventualmente, manter o desembargador na cadeira para além dos 30 dias regulamentares. Procurado, Pedro Paulo negou que o partido faça qualquer pressão neste sentido: — A possibilidade de o desembargador ficar até dezembro é uma das muitas que todos os grupos políticos precisam avaliar no profundo cenário de incertezas que está instaurado após Castro deixar o governo. O desembargador tem nosso apoio para um diálogo institucional a fim de estabilizar o estado — disse o presidente do PSD. O primeiro ato Mesmo à distância, o governador em exercício assinou ontem seu primeiro ato oficial: a exoneração de Nicola Miccione (PL) da Secretaria da Casa Civil. Para seu lugar, foi nomeado o chefe de gabinete da pasta, Marco Simões. A troca, publicada em edição extra do Diário Oficial, é o passo burocrático necessário para que Miccione se habilite ao jogo sucessório no mandato-tampão como vice de Ruas. O ex-secretário tinha um encontro marcado com Couto ontem à noite, mas a agenda foi cancelada. Foco nas eleições indiretas. Nicola Miccione, que foi exonerado da Casa Civil Fabiano Rocha/14-10-2025 No PL, partido de Castro, a articulação é pela celeridade. Aliados trabalham para que a eleição indireta ocorra o quanto antes, visando à ascensão de Ruas ao topo do Executivo logo. Assim, ele se candidataria à reeleição em outubro. A chapa Ruas e Miccione já conta com o aval da bancada de direita na Alerj e o apoio explícito do presidente em exercício da Casa, Guilherme Delaroli (PL). Mas os dois só poderão se candidatar se a decisão de Luiz Fux cair. Apelo ao STF Ontem, de volta à Alerj, Ruas pediu, em discurso na tribuna, para o STF revogar a liminar e restabelecer as regras da eleição indireta que permitem sua candidatura: — A gente respeita as opiniões contrárias, isso faz parte do debate, mas entendemos que deva prevalecer aquilo que a maioria decidiu nesta Casa. O plenário é soberano — afirmou o político, referindo à lei aprovada pela Alerj recentemente. Em seguida, o decano Luiz Paulo (PSD) defendeu a decisão de Fux e completou: — Poucos (deputados) prestaram atenção à pauta. E todo mundo falava em quê? Eleição era o assunto dominante. Parecia haver uma avidez sobre isso — afirmou. Além de aparecer como pré-candidato a vice na chapa de Ruas, os nomes de Miccione e seu substituto aparecem ainda numa discussão levantada ontem pelo PSOL. O partido protocolou um Projeto de Decreto Legislativo (PDL) contra um dos últimos decretos assinados por Castro. Como O GLOBO mostrou ontem, antes de deixar o Palácio Guanabara, o então governador decidiu ampliar os poderes do secretário da Casa Civil, permitindo a ele nomear e exonerar funcionários comissionados, a exceção de secretários e presidentes de órgãos, além de alterar o orçamento estadual.

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