Guerra no Oriente Médio não dá sinais de trégua após Trump anunciar negociações com o Irã
Jornal O Globo

Guerra no Oriente Médio não dá sinais de trégua após Trump anunciar negociações com o Irã

Os bombardeios continuam nesta quarta-feira no Oriente Médio apesar do plano de paz anunciado por Donald Trump, com mísseis e drones iranianos contra Israel e o Golfo e ataques israelenses sobre Teerã e o Líbano. Após Irã ameaçar minar rotas de acesso ao Golfo Pérsico: Conheça armas que podem travar o tráfego marítimo Guga Chacra: Trump piora situação com ultimato ao Irã Irã e Estados Unidos negociam "neste momento" para tentar pôr fim ao conflito iniciado em 28 de fevereiro, afirmou na terça-feira o presidente Donald Trump, e indicou que seu emissário Steve Witkoff, seu genro Jared Kushner, o vice-presidente JD Vance e o chefe da diplomacia americana, Marco Rubio, participam do processo. Vários meios de comunicação, entre eles o New York Times e o canal de televisão israelense Channel 12, afirmam que a administração Trump propôs um plano de paz de 15 pontos ao Irã por mediação do Paquistão, que mantém relações com ambas as partes. Segundo três fontes não identificadas citadas pelo Channel 12, os Estados Unidos propõem um cessar-fogo de um mês, prazo para que as autoridades iranianas avaliem as exigências. Segundo o mesmo canal israelense, dos 15 pontos, cinco tratam do programa nuclear iraniano, outros preveem o fim do apoio a aliados do Irã na região, como Hezbollah ou Hamas, e um ponto exige que o estreito de Ormuz permaneça aberto à navegação marítima. Em contrapartida, o Irã obteria o levantamento das sanções internacionais e apoio para seu programa nuclear civil. Segundo a Organização Marítima Internacional (OMI), o Irã está reduzindo a pressão em Ormuz, por onde circulava 20% da produção de hidrocarbonetos antes da guerra, e permitirá a "passagem segura" de "navios não hostis". O bloqueio dessa passagem desde o início da guerra elevou os preços do petróleo para mais de 100 dólares o barril. Na terça-feira, Trump falou de "um presente muito grande", possível referência à reabertura parcial de Ormuz, o que fez os preços do petróleo recuarem. No entanto, o Irã não confirmou nenhuma negociação, e o presidente do Parlamento, Mohammad Baqer Qalibaf — que, segundo o site de notícias Axios, seria o interlocutor de Washington — negou categoricamente. A imprensa americana menciona ainda o envio ao Oriente Médio de 3.000 soldados paraquedistas como reforço. Ataques continuam na região A guerra desencadeada em 28 de fevereiro pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã não dá sinais de trégua. Os Guardiões da Revolução, o exército ideológico do Irã, anunciaram nesta quarta-feira ter lançado ataques contra o norte e o centro de Israel, incluindo a região de Tel Aviv, assim como contra duas bases militares americanas no Kuwait, uma na Jordânia e outra no Bahrein. Segundo os serviços de emergência israelenses, 12 pessoas ficaram feridas na terça-feira perto de Tel Aviv por um ou vários mísseis iranianos. No Kuwait, um ataque com drones incendiou um depósito de combustível no aeroporto internacional do emirado, segundo a autoridade de aviação civil, que não informou vítimas. Por sua vez, como nas noites anteriores, o Exército israelense afirmou ter lançado uma série de ataques "contra as infraestruturas do regime terrorista iraniano em Teerã". — Os ruídos, as explosões e os mísseis já fazem parte da nossa vida cotidiana — disse à AFP por telefone uma mulher de 35 anos, originária do Curdistão iraniano e residente em Teerã. Israel também mantém sua ofensiva no Líbano, onde pelo menos nove pessoas morreram na madrugada desta quarta-feira em três bombardeios no sul, segundo a agência de notícias oficial libanesa ANI. A região é um bastião histórico do movimento pró-iraniano Hezbollah. Desde que o Líbano foi arrastado para a guerra regional em 2 de março, os ataques israelenses mataram mais de mil pessoas no país e provocaram mais de um milhão de deslocados, segundo as autoridades. O ministro israelense da Defesa, Israel Katz, afirmou na terça-feira que as forças israelenses "manobravam no interior do território libanês para tomar uma linha de defesa avançada" até o rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira.

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