Jornal O Globo
Após a agressão de três jovens dentro da Escola estadual Senhor Abravanel, antiga Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, na Zona Sul do Rio, a ADERJ (Associação dos Diretores de Escolas Públicas do Estado do Rio) denunciou que a falta de profissionais para mediar conflitos tem levado a situações de risco nas escolas e defendeu que a atuação da Polícia Militar nesses espaços seja restrita a casos extremos. Para a entidade, o episódio da manhã desta quarta-feira reforça a necessidade de mais inspetores nas unidades, capazes de lidar com conflitos internos sem recorrer à intervenção policial. 'Eu errei': A frase foi dita pela argentina acusada de racismo no Rio; advogados aguardam despacho de juiz para que ela possa cumprir pena em seu país Caso Henry: Monique Medeiros, mãe de Henry Borel, é demitida do cargo de professora do município do Rio "Os membros da polícia militar precisam ser treinados e qualificados para lidar com situações limite, utilizando protocolos não violentos em casos semelhantes. Cabe a Secretaria de Estado de Educação prover as escolas de profissionais suficientes e capacitados para lidar com conflitos interpessoais, que se avolumam a cada dia, a ponto de verificarmos que a segurança dos alunos e de servidores se encontra profundamente ameaçada. A cooperação coma Polícia Militar, embora necessária e útil, deve se restringir a casos extremos", diz o trecho da nota. As vítimas são Marissol Lopes, de 20 anos, presidente da Associação Municipal dos Estudantes do Rio (Ames RJ); Theo Oliveira, de 18, diretor da entidade; e João Herbella, do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFRJ. Eles foram agredidos pelo policial militar Ricardo Telles Noronha Júnior na manhã desta quarta-feira, dentro da Escola estadual Senhor Abravanel. PM agride jovens em escola no Largo do Machado As agressões foram registradas em vídeo e mostram o PM exaltado, dando socos em um dos jovens e tapas em outro. Uma das vítimas afirma que teve a camisa rasgada. O agente foi afastado das ruas pelo comando da corporação. O trio estava na escola para participar de uma reunião com alunos que organizavam um abaixo-assinado pedindo o afastamento de um professor acusado de assédio sexual. O docente foi afastado no início da tarde, horas após o episódio. Segundo os relatos, a direção da unidade considerou a presença dos três irregular e acionou a Polícia Militar. Os jovens se recusaram a deixar o local. A presidente da Ames, Marissol Lopes, afirmou que não houve tentativa de diálogo: — Eu senti ódio, raiva, indignação. Isso não é uma coisa pontual. Nós não vamos parar de fazer o nosso trabalho na escola — disse. Após as agressões, os três foram detidos e levados para a 9ª DP (Catete), por desacato. Um estudante que presenciou a cena afirmou que a abordagem começou sem confronto: — Eles estavam tentando conversar. Quando ela pediu para não ser tocada, ele deu um tapa — disse Pedro Conforti, de 21 anos. Nas imagens, o policial diz que apreenderia o celular de quem fazia a gravação e, em seguida, segura uma das vítimas pelo braço antes de desferir uma sequência de tapas. Um segundo jovem tenta intervir e é empurrado. A denúncia foi encaminhada ao gabinete do deputado federal Tarcísio Motta (PSOL), que divulgou o vídeo. Em nota, a Polícia Militar informou que abriu procedimento na Corregedoria para apurar a conduta do agente. O militar foi identificado, será encaminhado à Delegacia de Polícia Judiciária Militar e afastado preventivamente. Já a Secretaria estadual de Educação afirmou que não compactua com qualquer forma de violência no ambiente escolar e que dará apoio aos alunos. A pasta informou ainda que a PM foi acionada de forma preventiva durante o protesto e confirmou o afastamento do professor alvo das denúncias, além da abertura de sindicância. Initial plugin text
Go to News Site